Desde 1990, a ONU tem organizado uma série de conferências mundiais cujos temas tratam sobre população, meio ambiente, gênero, direitos humanos e desenvolvimento social. Havia-se chegado à conclusão de que a pobreza estava aumentando e que a falta de recursos não era a única razão. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) nasceram desses encontros internacionais.
O grande mérito dos ODM é integrar os compromissos assumidos nessas conferências numa grande agenda mundial de desenvolvimento, definindo metas claras, prazos nos quais devem ser cumpridas e indicadores do progresso alcançado por cada localidade do planeta.
São oito os Objetivos: 1 – Acabar com a fome e a miséria; 2 – Educação básica de qualidade para todos; 3 – Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4 – Reduzir a mortalidade infantil; 5 – Melhorar a saúde das gestantes; 6 – Combater a AIDS, a malária e outras doenças; 7 – Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8 – Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
Nossa Contribuição
O PDIS colabora para o alcance dos oito ODM concomitantemente, em uma única iniciativa, na região do Baixo Sul da Bahia. Acredita-se que o fomento de ações voltadas para fazer acontecer os Objetivos 1, 2, 7 e 8, realiza os demais como consequência e efeito natural. O foco de atuação do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDIS) está na inclusão social de unidades-família por meio da promoção de trabalho digno e justa distribuição de renda, de uma educação de qualidade adaptada a realidade do campo, do fortalecimento do tecido social e da conservação da biodiversidade.
Acabar com a Fome e com a Miséria 
O Desenvolvimento Sustentável não admite predominância de setores ou segmentos econômicos que enriquecem alguns e empobrecem e marginalizam outros. É preciso a busca de novos paradigmas, mais eficazes, com novos conhecimentos, valores éticos e limites certos, que remunere justamente a contribuição de todos os protagonistas, no jogo do ganha-ganha, por meio da Aliança Cooperativa.
Este modelo impulsiona os três setores da economia:
• Setor Primário - O pequeno produtor, organizado em cooperativas, tem acesso à tecnologia, aumentando a quantidade e a qualidade de sua produção, com crescente produtividade;
• Setor Secundário - Uma indústria de beneficiamento, comprometida com o Programa, processa os produtos, gerando qualidade e agregando valor;
• Setor Terciário - Um parceiro supermercadista coloca esses produtos diretamente nas prateleiras, remunerando adequadamente o produtor. É o que se chama de comércio justo e equitativo.
É criado, portanto, um elo direto entre o produtor e o consumidor: o poder de compra do consumidor consciente e parceiro gera renda ao produtor. Para completar a Aliança Cooperativa, ainda estão integradas a este modelo as Casas Familiares.
As Casas Familiares e as Cooperativas são vistas como as duas faces da mesma moeda. As Cooperativas geram recursos para que as atuais gerações financiem a educação dos cidadãos, empresários e chefes de família do futuro. As Casas Familiares retribuem: em longo prazo, formando novos e melhores agentes do desenvolvimento local. Em curto prazo, oferecendo novas e melhores tecnologias e processos. São cinco Cooperativas e quatro Casas Familiares integradas ao Programa desenvolvido no Baixo Sul.
Educação Básica de Qualidade para Todos 
No Baixo Sul da Bahia, novas gerações estão sendo educadas para a vida e pelo trabalho, melhorando e multiplicando o conhecimento aplicado à realidade rural. O jovem é um valioso agente do desenvolvimento, capaz de repassar os conhecimentos adquiridos para sua família e a comunidade em geral, melhorando as condições de vida de todos. Educados pelo trabalho, estes jovens irão constituir unidades-família estruturadas e sólidas, que possam promover mudanças sociais, políticas e econômicas.
As Organizações de Sociedade Civil e Interesse Público (OSCIPs), apoiadas pela Fundação Odebrecht, contribuem para criar condições favoráveis para o acesso à cidadania e seu pleno exercício.
Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente 
O Baixo Sul da Bahia é uma das áreas de maior biodiversidade do mundo. Grande parte de seu território é constituída por cinco Áreas de Proteção Ambiental (APAs), criadas pelo Governo do Estado. São elas: APA de Guaibim, APA Caminhos Ecológicos de Boa Esperança, APA do Tinharé-Boipeba, APA da Baía de Camamu e a APA do Pratigi.
Nesta última, concentra-se o foco da Fundação Odebrecht e as ações da Organização de Conservação de Terras, que se convergem em três projetos estruturantes: Corredores Ecológicos, Estrada Parque da Cidadania e Aliança Cooperativa Energética.
Todos pelo Desenvolvimento 
O Baixo Sul da Bahia é formado por 11 municípios, onde vivem 270 mil pessoas. As riquezas naturais e o potencial agrícola convivem com a pobreza e o analfabetismo que limitam seu desenvolvimento. Para reverter esse quadro, a sociedade civil organizada se uniu aos Governos Federal, Estadual e Municipais, à iniciativa privada e à Fundação Odebrecht, formando um sistema inovador de Governança, onde o primeiro, o segundo e o terceiro setores atuam de forma integrada e sinérgica para promover a Inclusão Social.
O conjunto de acontecimentos hoje em curso aponta um novo caminho para a concretização da ideia do desenvolvimento sustentável em áreas estagnadas no Brasil e no mundo, conectando-as aos pólos dinâmicos da economia. Esse caminho é o da ética da co-responsabilidade pelo todo entre os três grandes setores da vida social: as políticas públicas, o mundo empresarial e as organizações sociais sem fins lucrativos.