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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Ariane Piedade
Ariane Piedade
Exemplo de realização pelo trabalho voluntário

Em 14 de março deste ano, um email era endereçado à Fundação Odebrecht via portal Fale Conosco do site da instituição. Nele, uma jovem agradecia pelos conhecimentos adquiridos, em 1998, quando ela participou do projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação, em Belmonte, sul da Bahia.

“Graças a minha passagem pela Fundação, escolhi trabalhar com crianças e adolescentes, passando para eles minha experiência, tudo que aprendi durante minha caminhada”, declarava Ariane Piedade, hoje com 24 anos. O contato por email deu origem a uma entrevista e agora a história da jovem se junta a de outros talentos na página especial sobre os 20 anos de Protagonismo Juvenil: https://www.fundacaoodebrecht.org.br/protagonismo.

O Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação foi um movimento cidadão de cinco municípios. Articulados pela Fundação Odebrecht, os prefeitos de Belmonte, Eunápolis, Porto Seguro, Prado e Santa Cruz Cabrália, representantes da sociedade civil organizada da região, empresários, o Instituto Ayrton Senna e o Ministério da Educação, decidiram formalizar, em outubro de 1997, o compromisso de lutar para ter todas as crianças do sítio do descobrimento na escola até o ano 2000.

Ariane passou cinco anos no projeto, entre a formação e o trabalho como multiplicadora. Ela participou de cursos e palestras, levando o que aprendia para outros adolescentes, nos municípios vizinhos ao seu. “Nossa formação era em questões de cidadania, meio ambiente e educação sexual. Também tivemos acesso a alguns cursos profissionalizantes”, relembra. Ariane, que está na faculdade cursando Serviço Social, conta orgulhosa dos trabalhos voluntários que atualmente desenvolve com crianças e adolescentes da escolinha de circo de Belmonte. “Eu iniciei em 2006, como professora de reforço escolar. Aos poucos, fui me descobrindo como conselheira. Quando eles têm algum problema, eu acompanho a família, apóio no encaminhamento para os órgãos competentes”.

Descobrir seu poder como cidadã foi um dos principais aprendizados adquiridos no projeto Pacto do Sítio. “Sei do poder que os jovens têm para transformar o ambiente em que vivem. Acredito que cada jovem que passou, ou está passando por algum projeto da Fundação Odebrecht, nunca mais será o mesmo”.

Conheça a história de outros jovens apoiados

Jovem da primeira turma da Casa Familiar Rural de Presidente Tancedo Neves (CFR-PTN), Silenilda Oliveira dos Santos, 23 anos, mora na comunidade do Julião e hoje faz parte do quadro de colaboradores da Casa. Agradecida por conhecer a instituição, afirma que é muito feliz por contribuir para o crescimento daquilo que um dia foi um sonho.

Confira o depoimento dessa jovem protagonista:

A Casa teve e tem uma representação muito grande em minha vida. Talvez por eu ser mulher e filha de agricultores que não tiveram condições financeiras para investirem nos estudos. Meus pais se separaram quando eu tinha 10 anos. Por isso, tive que começar a trabalhar muito cedo para ajudar minha mãe.

Eu tinha muita dificuldade para me relacionar com outras pessoas. Assim como alguns jovens da Casa, pensava em concluir o ensino médio e ir para grandes cidades em busca de emprego. Porém, a Casa Familiar Rural me proporcionou algo diferente: ensinou a cuidar de mim, cuidar do que é meu, da minha família, da minha propriedade e até mesmo da minha comunidade.

Hoje faço parte do quadro de colaboradores da CFR-PTN e sou muito feliz, pois sei que estou contribuindo para o crescimento daquilo que um dia foi um sonho. Depois da convivência na Casa, passei a desenvolver meu lado profissional e a enxergar as pessoas à minha volta como importantes para meu crescimento. Estou cursando a Faculdade de Ciências Contábeis e quero continuar colaborando para o desenvolvimento da CRF-PTN e de outros jovens. E dessa forma, mostrar o que sei e o que posso fazer para melhor servir meu município e minha comunidade.

Antonio Nascimento Santos, 64 anos, chegou à região em 1996, ao lado de sua esposa e dos filhos, em busca de trabalho. “Não tinha onde fazer meus cultivos, aqui foi onde conseguimos. Naquela época, minha maior vontade era ter um pedaço de terra”, relembra. Com a chegada da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm) ao assentamento, em 2009, o agricultor encontrou uma oportunidade de crescimento. Com a plantação de palmito de pupunha, Antonio é só esperança. Em até dois anos, colherá, mensalmente, cerca de 750 hastes, o que lhe renderá R$ 1.100 por mês, somente com essa cultura.

Antonio não trabalha sozinho. Com o filho caçula, Antonio Nascimento Santos Filho, o único dos três que permaneceu no assentamento, não divide apenas o nome: compartilha também o amor pela terra. “Agricultura é a minha vida. É o meu negócio”, afirma Antonio Filho, 24 anos, educando da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I) – unidade de ensino que, assim como a Coopalm, faz parte do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), apoiado pela Fundação Odebrecht.

Antonio Filho está concluindo a formação de três anos. Durante esse período, teve acesso à capacitação em muitas áreas, como administração rural, solos, culturas perenes e beneficiamento de produtos de origens animal e vegetal, além de noções sobre cooperativismo, educação ambiental e protagonismo juvenil. As novas técnicas aprendidas, aliadas à assistência da Coopalm, têm contribuído para ampliar a produtividade da família.

“É possível viver bem na zona rural e se desenvolver sem a necessidade de migrar para os grandes centros em busca de um sonho que não existe”, assegura o novo empresário rural, que em 2011 associou-se à Coopalm. “Do futuro, só tenho a certeza de que estarei envolvido com agricultura”, garante. Seu pai aposta nesse caminho: “Fico muito feliz em ter meu filho trabalhando na terra. É do campo que a gente consegue tudo”.

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, revelou que 98,7% dos municípios do país contam com ações ou programas que fortalecem a produção dos agricultores familiares. São iniciativas como o Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade – PDCIS, da Fundação Odebrecht. Com atuação concentrada em 11 municípios com baixos Índices de Desenvolvimento Humano, o Programa PDCIS tem o desafio de tornar a região próspera, de forma socioeconômica e ambientalmente sustentável, fixando os jovens na zona rural, integrados a suas famílias.

Roseane Conceição, 17 anos, filha de Ramiro Conceição e Railda dos Santos, está no terceiro ano de formação da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), instituição que integra o Programa PDCIS, e sonha em tornar-se uma empresária rural. “Há dois anos, se me perguntassem o que queria para o futuro, não saberia responder. Hoje, tenho tudo certo na minha cabeça: continuar na roça com minha família e investir cada vez mais para aumentar nossos cultivos e renda”, conta.

Na propriedade, localizada na comunidade Riachão do Chorão, município de Presidente Tancredo Neves (BA), eles possuem áreas de banana, mandioca e aipim, com produção escoada para beneficiamento e comercialização a partir da Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves, por meio da cooperação de Ramiro. Roseane também coloca em prática os conhecimentos sobre as técnicas do campo e garante uma renda extra com um projeto produtivo. O projeto, apoiado pelo Programa Tributo ao Futuro, da Fundação Odebrecht, consiste no plantio de culturas diversas, que permitem a obtenção de renda e o reinvestimento em novos ciclos produtivos. “Com o lucro, quero ampliar minha área e continuar investindo”, afirma a jovem.

Para o pai, a relação com a filha ficou mais próxima depois de sua ida à Casa Familiar Rural. “Conversamos muito sobre as novidades do campo e das técnicas agrícolas que ela aprende. É um ensinamento para toda a família e também para a nossa comunidade”, afirmou. Do exemplo de Roseane, as irmãs mais novas também sonham em estudar na instituição de ensino quando atingirem a idade certa. Elas querem seguir uma referência evidenciada pelas palavras da jovem quando fala da CFR-PTN: “Valores, aprendemos desde criança. Mas na Casa Familiar, isso é reforçado. Vou levar para sempre o espírito de servir, que nos faz pensar sempre em conjunto, no outro”, finaliza.

Segundo pesquisa do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, cerca de 84% dos jovens agricultores brasileiros não trocariam a vida rural por uma oportunidade de trabalho nas grandes cidades. Esse número, crescente a cada ano, é uma realidade para os irmãos Claudilson e Kaliane Silva Santos, moradores da comunidade de Mata do Sossego, Igrapiúna (BA). Estudantes do curso de Educação Profissional Técnica em Agronegócio integrado ao Ensino Médio da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), eles levam conhecimentos para a família e começam a planejar o futuro como empresários rurais na região em que vivem.

Com uma educação contextualizada ao campo, vivenciada por meio da Pedagogia da Alternância - onde o jovem passa uma semana em período integral na instituição de ensino e duas na propriedade da família, aplicando os novos conhecimentos - os estudantes precisam ter disciplina e foco para a realização das atividades. Para Claudilson, “uma das coisas mais importantes que aprendemos na CFR-I é o planejamento. Temos metas de estudo e estabelecemos prioridades”. Essa organização, de acordo com os pais dos jovens, Dona Zenilda e Seu Claudio, é o que vem fazendo a diferença em suas vidas na agricultura. Além disso, segundo Kaliane, as técnicas ensinadas permitem alcançar resultados melhores em produtividade. “Com o ensino sobre o manejo dos perfilhos de pupunha, a compostagem para produção de adubo orgânico, melhoramos nossa produção e ainda influenciamos positivamente muitas pessoas na comunidade a trabalhar da melhor forma”, afirmou.

A família possui três hectares de palmito de pupunha, beneficiado e comercializado pela Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), com produção média anual de 16 mil hastes por hectare. O cultivo é o principal meio de sustento e foi o que, segundo Seu Claudio, garantiu a sua sustentabilidade na zona rural. “Antes, eu trabalhava nas propriedades dos outros. Hoje, tenho minha própria terra e uma renda garantida todo mês”, disse. A família também tem uma área de cacau e uma horta idealizada e mantida pelos irmãos, que serve para consumo e complemento da renda. Tudo realizado, segundo Seu Claudio, “em conjunto”.

Quando perguntados sobre o futuro, os jovens irmãos já sabem aonde querem estar: no mesmo lugar, mas como técnicos formados e engenheiros agrônomos. O sonho, que já está em construção por meio das oportunidades geradas pela CFR-I e Coopalm, instituições que fazem parte do Pacto de Governança da Fundação Odebrecht através do PDCIS - Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade, é perceptível na fala de Kaliane: “Não vou mais parar de estudar e quero ajudar a desenvolver cada vez mais a minha região, ao lado da minha família”. 

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