Apoie Nossa Causa

Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Claudilson e Kaliane Silva
Claudilson e Kaliane Silva
Temos metas de estudo e estabelecemos prioridades

Segundo pesquisa do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, cerca de 84% dos jovens agricultores brasileiros não trocariam a vida rural por uma oportunidade de trabalho nas grandes cidades. Esse número, crescente a cada ano, é uma realidade para os irmãos Claudilson e Kaliane Silva Santos, moradores da comunidade de Mata do Sossego, Igrapiúna (BA). Estudantes do curso de Educação Profissional Técnica em Agronegócio integrado ao Ensino Médio da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), eles levam conhecimentos para a família e começam a planejar o futuro como empresários rurais na região em que vivem.

Com uma educação contextualizada ao campo, vivenciada por meio da Pedagogia da Alternância - onde o jovem passa uma semana em período integral na instituição de ensino e duas na propriedade da família, aplicando os novos conhecimentos - os estudantes precisam ter disciplina e foco para a realização das atividades. Para Claudilson, “uma das coisas mais importantes que aprendemos na CFR-I é o planejamento. Temos metas de estudo e estabelecemos prioridades”. Essa organização, de acordo com os pais dos jovens, Dona Zenilda e Seu Claudio, é o que vem fazendo a diferença em suas vidas na agricultura. Além disso, segundo Kaliane, as técnicas ensinadas permitem alcançar resultados melhores em produtividade. “Com o ensino sobre o manejo dos perfilhos de pupunha, a compostagem para produção de adubo orgânico, melhoramos nossa produção e ainda influenciamos positivamente muitas pessoas na comunidade a trabalhar da melhor forma”, afirmou.

A família possui três hectares de palmito de pupunha, beneficiado e comercializado pela Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), com produção média anual de 16 mil hastes por hectare. O cultivo é o principal meio de sustento e foi o que, segundo Seu Claudio, garantiu a sua sustentabilidade na zona rural. “Antes, eu trabalhava nas propriedades dos outros. Hoje, tenho minha própria terra e uma renda garantida todo mês”, disse. A família também tem uma área de cacau e uma horta idealizada e mantida pelos irmãos, que serve para consumo e complemento da renda. Tudo realizado, segundo Seu Claudio, “em conjunto”.

Quando perguntados sobre o futuro, os jovens irmãos já sabem aonde querem estar: no mesmo lugar, mas como técnicos formados e engenheiros agrônomos. O sonho, que já está em construção por meio das oportunidades geradas pela CFR-I e Coopalm, instituições que fazem parte do Pacto de Governança da Fundação Odebrecht através do PDCIS - Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade, é perceptível na fala de Kaliane: “Não vou mais parar de estudar e quero ajudar a desenvolver cada vez mais a minha região, ao lado da minha família”. 

Conheça a história de outros jovens apoiados

Aos 14 anos, Vitor Souza ingressava no projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação, em Porto Seguro, onde nasceu e mora. “Aprendi muito. Principalmente a valorizar mais a minha vida e meus amigos”, revela o jovem. Atualmente, ele trabalha como comunicador em uma rádio de sua cidade. “Gostaria de dizer, para quem for ler este meu depoimento, que acredite de verdade em seus sonhos. Um dia eles se realizam”.

Conheça a história de Vitor:

“A minha participação no projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação teve início em 2000. Durante um ano, tive a oportunidade de conviver com outros jovens e conheci alguns educadores que marcaram minha vida.

O projeto me ajudou a valorizar mais a minha vida e perceber os amigos que precisavam de uma palavra de conforto. Muitos jovens não conseguem reconhecer o quanto a nossa vida é valiosa e passei a disseminar isso. Ingressei no Grupo de Apoio e prevenção a AIDS (Gapa) da Bahia. Participei de algumas capacitações e me dei conta de como a prevenção é fundamental para a juventude.

Foram quatro anos de muito aprendizado e trabalho na minha cidade, Porto Seguro, e em Salvador, onde aconteciam encontros com outros jovens. Cada um tinha uma maneira de pensar e isso promovia várias discussões. Estudávamos como abordar determinados assuntos nas comunidades.

Nessas idas e vindas, fui convidado a representar o Extremo Sul da Bahia em um evento em Lima, no Peru. Vive momentos fantásticos: dez dias discutindo maneiras de fazer a diferença. Foi uma lição de vida, por isso, quero continuar a ajudar outras pessoas com a minha experiência”. 

Natural do município de Piraí do Norte (BA), Érica Gonçalves Nascimento tem 21 anos. Aos 18, completou sua formação como Técnica em Florestas pela Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), uma das instituições apoiadas pela Fundação Odebrecht através do Programa PDCIS. “Desde que entrei na Casa Familiar, mudei minha perspectiva de vida. Cada experiência foi um aprendizado e ainda hoje sou beneficiada por todo o conhecimento adquirido”, declarou a jovem.

Segundo Érica, a unidade de ensino foi uma oportunidade para aflorar o seu espírito de liderança e senso crítico. “A Cfaf me proporcionou tanto a parte técnica como a parte humana, com a comunicação interpessoal. E quando este relacionamento é harmonioso, contributivo, espontâneo, gera-se satisfação e progresso”, afirmou.

Sobre o protagonismo juvenil - decisão de fazer com o jovem e não para o jovem, entendendo-o como parte da solução e não como problema, ela é enfática: “Para mim, o jovem protagonista é aquele que se compromete em querer fazer a diferença em seu meio”. Com essa percepção e apostando na agricultura, Érica foi mudando a realidade da sua família. “Ao acreditar que seu projeto produtivo é o seu negócio, sua área de produção cresce, a renda aumenta e o sucesso é garantido”, completou.

Em 2013, ano de sua formação na Cfaf, a jovem foi uma das vencedoras do Prêmio PDCIS de Fotografia, realizado pela Fundação Odebrecht, que mobilizou estudantes das instituições ligadas ao Programa PDCIS. Érica representou o seu orgulho em viver no campo com a imagem de uma lavoura de cacau. “A arte no campo é semear, plantar, produzir e colher. São ações como esta que fazem com que os agricultores da região gerem a renda familiar”, disse na época.

A vontade de permanecer no campo e contribuir para o desenvolvimento de sua família e da comunidade onde vive é o que move Sandro Assunção. Morador de Itiúba, distrito do município baiano de Taperoá, o jovem de 17 anos diz que sua visão mudou quando ingressou na Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), onde cursa o Ensino Médio aliado à habilitação técnica em Sistemas Agroflorestais. “Com o que estou aprendendo, quero colaborar com a mudança da realidade local, me tornando um agente de desenvolvimento do futuro”, conta.

O jovem ressalta seu amadurecimento pessoal e profissional, ao longo dos três anos de formação que está completando na Cfaf, e acredita que o reconhecimento da comunidade é essencial. ”A partir do momento em que difundimos o conhecimento, o agricultor passa a nos admirar e ver que realmente queremos colaborar com todos”.

Filho de agricultores, sua formação propicia melhorias e boas práticas na propriedade onde vive com sua família, além de contribuir com o progresso dos demais moradores. “Com o crescimento da agricultura local, mais jovens vão permanecer no campo. Temos muito a aprender com os produtores mais experientes e muito para oferecer também”, avalia.

Uma das técnicas difundidas e aplicadas por Sandro em sua propriedade é a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), tecnologia social desenvolvida pela Fundação Banco do Brasil, que promove uma agricultura sustentável e alimentação saudável para as famílias rurais. A produção tem como foco a horticultura, que tem seus produtos comercializados, contribuindo para ampliar a renda de produtores. ”As técnicas que aprendemos durante as alternâncias na Cfaf melhoram a produtividade no campo. Além disso, os agricultores da comunidade ficam alegres e satisfeitos quando a gente chega com novas experiências e repassa o que aprendemos”, ressalta.

Sandro também se preocupa com o meio ambiente. Um exemplo disso foi a mobilização que promoveu em seu município, para preservar um riacho local, que estava quase secando. “Utilizei o diálogo para explicar a importância de manter as nascentes vivas, demonstrando na teoria como é possível plantar sem destruir a natureza e conservando as águas”, conta.

Daqui para frente, o jovem quer continuar trabalhando junto com a comunidade e prosseguir nos estudos. “Antes eu pensava como muitos jovens, que querem se formar e sair do campo, mas hoje sei que não quero mais fugir da minha realidade, mas transformá-la. Quero viver de forma tranquila e sustentável no lugar onde nasci”, finaliza.

Quando criança, Daniel Martins de Lima lia todas placas de trânsito pelas quais passava, espalhadas nas rodovias. Hoje, aos 16 anos e aluno do terceiro ano de formação da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), ele conserva o hábito da leitura – no ano passado, Daniel foi o estudante que mais leu livros na instituição.

“Sempre tive a influência da leitura”, afirma. “Desde os seis anos, eu já praticava bastante”. Em 2017, ele chegou ao total de 50 títulos lidos. Esse ano, conta orgulhoso, já foram 15. Entre as obras, varia bastante: vai de clássicos, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, até os mais joviais, como a série Divergente, de Veronica Roth, e livros dos autores brasileiros como Pedro Bandeira e Thalita Rebouças – sem esquecer, claro, das obras técnicas sobre agricultura, das quais também gosta muito.

“Quando lemos, entramos em outro universo e vivemos muitas aventuras”, diz. Pernambucano, ele veio morar na Bahia depois que o pai faleceu. Passou um tempo em Salvador, mas logo a mãe foi para o Baixo Sul da Bahia, onde “comprou uma rocinha”. É na comunidade de Ponte de Pedro Nunes, em Taperoá (BA), que Daniel hoje mora com ela, o padrasto, o irmão e um primo. E também foi pela mãe que ficou sabendo sobre a Casa Familiar. “Sou apaixonado pelo campo e pela vida rural”, conta. “A CFR-PTN é um lugar que dá oportunidades aos jovens. Aqui, podemos obter bons resultados para que possamos ter qualidade de vida”.

É na própria instituição que Daniel tem acesso aos livros e onde passou também a recomendar títulos aos colegas. “Indico para que eles também tenham esse entrosamento com a literatura”, salienta. “Muitos jovens não têm esse gosto. Mas, quando você começa, cria um hábito. Melhora a fala e a escrita”.

Na Casa, a prática é constantemente estimulada pelo projeto “Biblioteca Escolar: espaço de interação e construção do conhecimento”, construído e mediado pela pedagoga e então secretária da CFR-PTN Naiara Mota, desde 2015. O projeto oferece às turmas opções de livros, oficinas, círculos de leitura, exposição de livros e cine cultura. “São atividades que visam a formação integral do educando. Vislumbramos que eles possam ver a leitura não só como uma tarefa escolar, mas como algo natural do cotidiano”, afirma Quionei Araújo, Diretor da CFR-PTN.

A iniciativa colabora para que os índices nacionais de leitura melhorem. Hoje, o quadro no País ainda é um problema. Segundo relatório do Banco Mundial, de 2018, a estimativa é que demore 260 anos para que o Brasil alcance o nível educacional de países desenvolvidos. Daniel, enquanto isso, faz a sua parte. “Eu sempre prefiro ficar com os livros”, categoriza.

Receba nossas novidades:
Basta informar seu nome e melhor e-mail!
2018 - 2019. Fundação Odebrecht. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital