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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Ediálison Melo
Ediálison Melo
Passei a me conhecer melhor e pude perceber todos os meus valores

O olhar otimista e o sorriso largo revelam uma faceta antes escondida de Ediálison Melo, 17 anos. Quem o vê pela primeira vez não imagina as transformações que ocorreram desde o ano passado, quando ingressou no Projeto Trilhando Caminhos, executado pelo Instituto Direito e Cidadania (IDC) – apoiado pela Fundação Odebrecht através do Programa PDCIS. Seu papel como jovem protagonista ganhou vida e os sonhos de ser um agente da mudança agora são reais.

“Eu era muito tímido, tinha medo de expressar minhas emoções. Passei a me conhecer melhor e pude perceber todos os meus valores”, afirmou. Essa nova forma de enxergar sua realidade foi estimulada pelas oficinas promovidas pelo Trilhando Caminhos, que contribui para firmar os princípios éticos, políticos e humanitários que facilitam o acesso do adolescente a novos espaços de participação social. A iniciativa nasceu em 2010 e é executada com recursos captados por meio do Programa Tributo ao Futuro, da Fundação Odebrecht.

Morador da comunidade de Serra do Sal, em Presidente Tancredo Neves (BA), Ediálison passou a fazer mais por aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que ele. “Minha visão de mundo está completamente diferente. E não olho só para mim, mas para os outros”, ressaltou. Junto com colegas, criou uma campanha solidária para arrecadação de alimentos para um lar de idosos. Também foi o responsável por levar informações relacionadas à saúde bucal para crianças de uma escola do seu município.

Segundo Neméia Aiêxa, Coordenadora do Projeto, o adolescente deixou a timidez de lado e hoje é um dos mais ativos em sala e na comunidade. “Ele sempre traz ideias criativas e colaborativas. Está sempre disposto a contribuir, com ações protagonistas e solidárias”. Decidido em cursar faculdade de Odontologia e com o sonho de apoiar crianças e idosos em situações de vulnerabilidade, o adolescente faz parte de uma geração cada vez mais crítica e cidadã. “Sinto-me orgulhoso em poder ajudar a sociedade. É algo muito gratificante para mim”, conclui.

Conheça a história de outros jovens apoiados

“Sou agricultor e gosto de viver no campo”, diz, com satisfação, Sandoval Santos, 27 anos. O jovem vive na comunidade da Serra da Bananeira, em Presidente Tancredo Neves (BA) e seus olhos brilham ao falar sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos. Ele conta que antes não tinha perspectivas de continuar no campo e, em 2005, a visita de representantes da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) à sua comunidade fez toda a diferença. “Apresentaram um projeto novo na região. Aceitei o desafio e hoje posso ver que fiz a escolha certa”, diz.

A CFR-PTN oferece educação técnica integrada ao Ensino Médio e sua metodologia é baseada na Pedagogia da Alternância: o jovem passa uma semana em período integral, com aulas na sala (teóricas) e no campo (práticas), e duas na propriedade junto com suas famílias, aplicando novos conhecimentos.

Na instituição de ensino, Sandoval aprendeu sobre administração rural, cooperativismo, manejo de solos, irrigação, drenagens, além dos mais diversos cultivos e implantou dois hectares de banana e mandioca. A área de plantio da minha família era pequena e, quando terminei o curso, já havia utilizado todos os hectares disponíveis. Precisava de mais terra para plantar”, explica.

Com o Fundo de Acesso à Terra (FAT), mecanismo que visa proporcionar assistência técnica e financeira a ex-alunos da CFR-PTN, Sandoval encontrou oportunidade para se desenvolver como agricultor e cuidar de seus projetos agrícolas. “As dificuldades foram muitas e a falta de rentabilidade sempre foi um desafio, mas, plantando em áreas maiores, é viável. Tenho certeza de que posso viver do campo”, diz.

Ele é um dos sete selecionados para a primeira etapa da iniciativa criada pela própria instituição em parceria com a Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan). As instituições fazem parte do Pacto de Governança do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), da Fundação Odebrecht. “Vimos que cada jovem tinha, em média, apenas cinco hectares para produzir e isso estava influenciando-os a sair do campo”, conta Juscelino Macedo, então Líder do Negócio Mandioca e Fruticultura.

Determinado. Assim Manoel dos Santos, 28 anos, se define. Formado em Pedagogia, ele assumiu, em julho deste ano, a direção da Casa Jovem, Oscip integrada ao Programa DIS Baixo Sul. Sempre preocupado com o desenvolvimento pessoal e social, ele afirma com segurança que, entre os amigos de escola, foi o único que conseguiu mudar a própria vida, a da família e de toda a comunidade. “Vencemos quando acreditamos que é possível”.

Manoel já atuou no Instituto Direito e Cidadania (IDC), apoiando a estruturação dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, bem como dos Conselhos Tutelares. Seu trabalho visava potencializar a profissionalização desses Conselhos, capacitando os integrantes para atuarem de forma eficiente e eficaz na defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Sua trajetória na educação e formação de pessoas começou em 1999, ano em que participou do Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, realizado no Baixo Sul da Bahia com o apoio da Fundação Odebrecht. “A partir daí iniciei minha atuação enquanto jovem protagonista para promover o desenvolvimento da minha comunidade”.

Do Programa Aliança, Manoel destaca dois projetos que influenciaram diretamente sua vida – o Programa de Formação de Adolescentes Voluntários (Pfav) e o Conhecendo o Baixo Sul. O primeiro formou adolescentes protagonistas para atuarem como voluntários nos setores sociais básicos de suas comunidades, apoiando iniciativas por eles criadas e implementadas, enquanto o segundo realizou um amplo diagnóstico das características sócio-econômicas da região. “Atuei como articulador e mobilizador nas associações comunitárias. O que eu sou hoje, devo ao Pfav e ao Conhecendo o Baixo Sul porque nesses programas eu comecei a pensar no meu projeto de vida”.

Manoel afirma que tudo o que conquistou se deve ao fato de ter, em algum momento, definido um objetivo, o que o possibilitou a seguir em frente, sem se desviar da sua trajetória. Destaca que, em primeiro lugar, as pessoas devem saber o que desejam e acreditar que é possível e, a partir daí, mover montanhas para conseguir superar as dificuldades e vencer as barreiras.

“Não é fácil você sair de uma situação, seja ela qual for, e focar em objetivos, sonhos, resultados financeiros ou não. O que importa no final é que você está mudando a sua maneira de ver, de pensar, de agir. A gente deve pensar grande, de forma que todos saiam ganhando”.

A Fundação Odebrecht foi criada em 1965, mas foi em 1988 que elegeu o jovem como foco de sua contribuição, estimulando a formação de cidadãos responsáveis, conscientes e participativos. A partir de 1999, a Fundação Odebrecht passou a integrar o programa "Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste", cuja atuação concentrava-se em regiões com baixos Índices de Desenvolvimento Humano.

Foram escolhidas três regiões nordestinas com baixos índices de desenvolvimento humano: Baixo Sul, na Bahia; Médio Jaguaribe, no Ceará; e Bacia do Goitá, em Pernambuco. No município de Presidente Tancredo Neves, na Bahia, desenvolveram-se vários projetos para educação de jovens. O Programa de Formação de Adolescentes Voluntários (PFAV) foi um deles.

Juscelino Macedo, então com 16 anos, ingressou em uma turma com outros 35 jovens, buscando um rumo para sua vida. “Eu vivia na zona rural, não tinha perspectiva. Iniciei a formação porque, como diz aquele ditado, para quem está no mato, qualquer lugar é caminho”, brinca. “Com o programa, descobri o meu potencial, comecei a me valorizar e perceber que era capaz. Ganhei autoconfiança”, acrescenta Juscelino.

Ele não parou mais. Participou de outros projetos implantados pela Fundação Odebrecht, como o Jovem Raiz, Jovem Empresário, Programa de Formação de Adolescentes Protagonistas e, por fim, ajudou a criar a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), que é apoiada pela Fundação por meio do Programa DIS Baixo Sul. Atualmente, Juscelino trabalha na prefeitura de seu município como chefe de tributos. “Tudo o que sou, agradeço à Fundação. Sempre busquei base naquilo que aprendi na teoria, nos programas, e na prática, com a cooperativa. Enquanto membro do poder público, posso dizer que a Fundação Odebrecht é uma grande parceira do município”, afirma.

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