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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Elisabete Sousa
Elisabete Sousa
Quis entrar aqui porque estou em busca de um futuro melhor

Mesmo nascida em uma família de produtores rurais, Elisabete Sousa, 15 anos, é a primeira a estudar sobre a agricultura. Quando chegou na idade de decidir onde cursar o Ensino Médio, não teve dúvidas: inscreveu-se na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), localizada no Baixo Sul da Bahia. “Quis entrar aqui porque estou em busca de um futuro melhor. Além disso, já tinha um interesse grande em agropecuária. Meus pais sempre me apoiaram nessa escolha”, lembrou.

Na percepção de Elisabete, mulheres agricultoras ainda são minoria na comunidade das Três Jueranas, município de Valença, onde vive. “Ainda há um preconceito, muitas vezes por parte da família, que acha que a mulher não vai dar conta. Quando eu disse que queria ser agricultora, algumas pessoas disseram: ‘você aguenta?’. Eu sei que aguento”, ressaltou.

Elisabete viaja cerca de duas horas para chegar à escola, onde passa uma semana estudando em período integral. Suas 10 colegas de turma são parceiras, correndo atrás, diariamente, de reconhecimento e crescimento. “As amigas que fiz aqui também têm muito interesse em estudar cada vez mais e se tornarem empresárias rurais. Não tem diferença entre menino e menina”, contou.

Quando pensa nos próximos passos, uma palavra vai à sua mente: independência. “Quero fazer faculdade de agronomia, ter meu próprio recurso, plantar na minha área... ”, completou.

Conheça a história de outros jovens apoiados

Determinado. Assim Manoel dos Santos, 28 anos, se define. Formado em Pedagogia, ele assumiu, em julho deste ano, a direção da Casa Jovem, Oscip integrada ao Programa DIS Baixo Sul. Sempre preocupado com o desenvolvimento pessoal e social, ele afirma com segurança que, entre os amigos de escola, foi o único que conseguiu mudar a própria vida, a da família e de toda a comunidade. “Vencemos quando acreditamos que é possível”.

Manoel já atuou no Instituto Direito e Cidadania (IDC), apoiando a estruturação dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, bem como dos Conselhos Tutelares. Seu trabalho visava potencializar a profissionalização desses Conselhos, capacitando os integrantes para atuarem de forma eficiente e eficaz na defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Sua trajetória na educação e formação de pessoas começou em 1999, ano em que participou do Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, realizado no Baixo Sul da Bahia com o apoio da Fundação Odebrecht. “A partir daí iniciei minha atuação enquanto jovem protagonista para promover o desenvolvimento da minha comunidade”.

Do Programa Aliança, Manoel destaca dois projetos que influenciaram diretamente sua vida – o Programa de Formação de Adolescentes Voluntários (Pfav) e o Conhecendo o Baixo Sul. O primeiro formou adolescentes protagonistas para atuarem como voluntários nos setores sociais básicos de suas comunidades, apoiando iniciativas por eles criadas e implementadas, enquanto o segundo realizou um amplo diagnóstico das características sócio-econômicas da região. “Atuei como articulador e mobilizador nas associações comunitárias. O que eu sou hoje, devo ao Pfav e ao Conhecendo o Baixo Sul porque nesses programas eu comecei a pensar no meu projeto de vida”.

Manoel afirma que tudo o que conquistou se deve ao fato de ter, em algum momento, definido um objetivo, o que o possibilitou a seguir em frente, sem se desviar da sua trajetória. Destaca que, em primeiro lugar, as pessoas devem saber o que desejam e acreditar que é possível e, a partir daí, mover montanhas para conseguir superar as dificuldades e vencer as barreiras.

“Não é fácil você sair de uma situação, seja ela qual for, e focar em objetivos, sonhos, resultados financeiros ou não. O que importa no final é que você está mudando a sua maneira de ver, de pensar, de agir. A gente deve pensar grande, de forma que todos saiam ganhando”.

Foi com o apoio dos pais, agricultores do município de Teolândia (BA), que Ivanete Santos, 23 anos, ingressou na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN). Durante sua passagem pela Casa, ajudou a constituir a Associação de Agentes de Desenvolvimento Local, foi a primeira presidente e hoje faz parte do quadro de membros fundadores. Atualmente, é estudante de Agronomia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Confira a história de Ivanete:

Meu pai recebeu uma ficha de inscrição da CFR-PTN na associação que frequentava. Preenchi, passei por todas as fases de seleção e consegui entrar na Casa. Vi que o que se ensinava era para a vida toda. Tínhamos acesso a conhecimentos, em maioria sobre agricultura, mas fazia parte também a educação cidadã. Falava-se muito em valores, desde então adotei a frase: “Quem não vive para servir não serve para viver".

Decidi que melhoraria minha região e que para isso precisava estudar mais. Após me formar pela Casa, em 2008, prestei vestibular na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Hoje estou no terceiro semestre do curso de Engenharia Agronômica e faço estágio voluntário no Projeto “Manejo e Uso de Plantas Medicinais em Comunidades Rurais do Recôncavo da Bahia”.

Quando sai da CFR-PTN já tinha decidido que trabalharia com agricultura familiar. Só não sabia que carreira seguir. Nunca sonhei que quando crescesse seria uma Agrônoma, aprendi a admirar o curso observando os monitores da Casa, em especial, Quionei de Araújo, que foi quem mais me incentivou. Pretendo me formar e voltar capacitada para servir à minha região.

Antonio Nascimento Santos, 64 anos, chegou à região em 1996, ao lado de sua esposa e dos filhos, em busca de trabalho. “Não tinha onde fazer meus cultivos, aqui foi onde conseguimos. Naquela época, minha maior vontade era ter um pedaço de terra”, relembra. Com a chegada da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm) ao assentamento, em 2009, o agricultor encontrou uma oportunidade de crescimento. Com a plantação de palmito de pupunha, Antonio é só esperança. Em até dois anos, colherá, mensalmente, cerca de 750 hastes, o que lhe renderá R$ 1.100 por mês, somente com essa cultura.

Antonio não trabalha sozinho. Com o filho caçula, Antonio Nascimento Santos Filho, o único dos três que permaneceu no assentamento, não divide apenas o nome: compartilha também o amor pela terra. “Agricultura é a minha vida. É o meu negócio”, afirma Antonio Filho, 24 anos, educando da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I) – unidade de ensino que, assim como a Coopalm, faz parte do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), apoiado pela Fundação Odebrecht.

Antonio Filho está concluindo a formação de três anos. Durante esse período, teve acesso à capacitação em muitas áreas, como administração rural, solos, culturas perenes e beneficiamento de produtos de origens animal e vegetal, além de noções sobre cooperativismo, educação ambiental e protagonismo juvenil. As novas técnicas aprendidas, aliadas à assistência da Coopalm, têm contribuído para ampliar a produtividade da família.

“É possível viver bem na zona rural e se desenvolver sem a necessidade de migrar para os grandes centros em busca de um sonho que não existe”, assegura o novo empresário rural, que em 2011 associou-se à Coopalm. “Do futuro, só tenho a certeza de que estarei envolvido com agricultura”, garante. Seu pai aposta nesse caminho: “Fico muito feliz em ter meu filho trabalhando na terra. É do campo que a gente consegue tudo”.

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