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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Juscelino Macedo
Juscelino Macedo
Confiança, valorização e perspectiva

A Fundação Odebrecht foi criada em 1965, mas foi em 1988 que elegeu o jovem como foco de sua contribuição, estimulando a formação de cidadãos responsáveis, conscientes e participativos. A partir de 1999, a Fundação Odebrecht passou a integrar o programa "Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste", cuja atuação concentrava-se em regiões com baixos Índices de Desenvolvimento Humano.

Foram escolhidas três regiões nordestinas com baixos índices de desenvolvimento humano: Baixo Sul, na Bahia; Médio Jaguaribe, no Ceará; e Bacia do Goitá, em Pernambuco. No município de Presidente Tancredo Neves, na Bahia, desenvolveram-se vários projetos para educação de jovens. O Programa de Formação de Adolescentes Voluntários (PFAV) foi um deles.

Juscelino Macedo, então com 16 anos, ingressou em uma turma com outros 35 jovens, buscando um rumo para sua vida. “Eu vivia na zona rural, não tinha perspectiva. Iniciei a formação porque, como diz aquele ditado, para quem está no mato, qualquer lugar é caminho”, brinca. “Com o programa, descobri o meu potencial, comecei a me valorizar e perceber que era capaz. Ganhei autoconfiança”, acrescenta Juscelino.

Ele não parou mais. Participou de outros projetos implantados pela Fundação Odebrecht, como o Jovem Raiz, Jovem Empresário, Programa de Formação de Adolescentes Protagonistas e, por fim, ajudou a criar a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), que é apoiada pela Fundação por meio do Programa DIS Baixo Sul. Atualmente, Juscelino trabalha na prefeitura de seu município como chefe de tributos. “Tudo o que sou, agradeço à Fundação. Sempre busquei base naquilo que aprendi na teoria, nos programas, e na prática, com a cooperativa. Enquanto membro do poder público, posso dizer que a Fundação Odebrecht é uma grande parceira do município”, afirma.

Conheça a história de outros jovens apoiados

Segundo pesquisa do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, cerca de 84% dos jovens agricultores brasileiros não trocariam a vida rural por uma oportunidade de trabalho nas grandes cidades. Esse número, crescente a cada ano, é uma realidade para os irmãos Claudilson e Kaliane Silva Santos, moradores da comunidade de Mata do Sossego, Igrapiúna (BA). Estudantes do curso de Educação Profissional Técnica em Agronegócio integrado ao Ensino Médio da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), eles levam conhecimentos para a família e começam a planejar o futuro como empresários rurais na região em que vivem.

Com uma educação contextualizada ao campo, vivenciada por meio da Pedagogia da Alternância - onde o jovem passa uma semana em período integral na instituição de ensino e duas na propriedade da família, aplicando os novos conhecimentos - os estudantes precisam ter disciplina e foco para a realização das atividades. Para Claudilson, “uma das coisas mais importantes que aprendemos na CFR-I é o planejamento. Temos metas de estudo e estabelecemos prioridades”. Essa organização, de acordo com os pais dos jovens, Dona Zenilda e Seu Claudio, é o que vem fazendo a diferença em suas vidas na agricultura. Além disso, segundo Kaliane, as técnicas ensinadas permitem alcançar resultados melhores em produtividade. “Com o ensino sobre o manejo dos perfilhos de pupunha, a compostagem para produção de adubo orgânico, melhoramos nossa produção e ainda influenciamos positivamente muitas pessoas na comunidade a trabalhar da melhor forma”, afirmou.

A família possui três hectares de palmito de pupunha, beneficiado e comercializado pela Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), com produção média anual de 16 mil hastes por hectare. O cultivo é o principal meio de sustento e foi o que, segundo Seu Claudio, garantiu a sua sustentabilidade na zona rural. “Antes, eu trabalhava nas propriedades dos outros. Hoje, tenho minha própria terra e uma renda garantida todo mês”, disse. A família também tem uma área de cacau e uma horta idealizada e mantida pelos irmãos, que serve para consumo e complemento da renda. Tudo realizado, segundo Seu Claudio, “em conjunto”.

Quando perguntados sobre o futuro, os jovens irmãos já sabem aonde querem estar: no mesmo lugar, mas como técnicos formados e engenheiros agrônomos. O sonho, que já está em construção por meio das oportunidades geradas pela CFR-I e Coopalm, instituições que fazem parte do Pacto de Governança da Fundação Odebrecht através do PDCIS - Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade, é perceptível na fala de Kaliane: “Não vou mais parar de estudar e quero ajudar a desenvolver cada vez mais a minha região, ao lado da minha família”. 

“Mãe, quando eu tiver a idade certa, vou estudar na Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf)”, dizia Álvaro de Almeida, 17 anos, quando ainda nem tinha chegado aos 14. Cumpriu a própria palavra e, ao final do 9º ano do ensino fundamental, participou de processo seletivo e foi selecionado para estudar na Cfaf, no município de Nilo Peçanha, região do Baixo Sul da Bahia. Na manhã do dia 19 de janeiro de 2015, o jovem finalmente pode, com orgulho, iniciar seus estudos na unidade de ensino.

Quem inspirou Álvaro a cursar o Ensino Médio integrado à Educação Profissional Técnica em Florestas foram seus primos. Para eles, a agricultura é como uma tradição familiar. “Eles me contavam como era estudar na Casa Familiar, a estrutura. Diziam que não tinha como entrar lá e não evoluir”. Na comunidade de São Francisco, em Nilo Peçanha, onde vive com a família, o adolescente percebia o crescimento de outros estudantes da Cfaf através de práticas como os Seminários Rurais, palestras realizadas pelos alunos do primeiro ano de formação que impulsionam a troca de experiências e difusão de conhecimentos junto à comunidade. “Depois que entravam na Casa, eles falavam até de um jeito novo. Eu via a transformação neles”, ressalta Álvaro.

Vindo de uma região ribeirinha, onde o forte é a aquicultura, o adolescente não tinha tanto contato com a agricultura. “A família de meu pai é de produtores rurais, mas ele não levou isso para mim. Antes, achava que, para plantar, era só deixar a semente na terra, mas tem muitos passos, é uma ciência: é preciso preparar o solo, capinar, afofar a terra...”. Agora, Álvaro tem uma pequena horta, onde planta alface, coentrinho, salsa, cebolinha e repolho, tudo para consumo e venda. Desde que começou a implantar essas culturas, sempre apoiado pelo pai, sua relação com a família e comunidade melhorou. “Na escola, a gente estuda o curso técnico, mas também aprende valores que nos ensinam a conviver melhor em sociedade”.

Hoje, Álvaro se vê como um daqueles estudantes que tanto admirava quando criança. “Além de apresentar técnicas na comunidade, ensinei a minha família inteira a manter uma horta. Depois dessa minha iniciativa, todos passaram a consumir o que plantam, sem agrotóxicos. O que vai para a mesa sai da terra de cada um”, disse. “As pessoas dizem que tem um gosto diferente. Até faço propaganda: aqui não tem agrotóxico!”.

Mesmo com a pouca idade, Álvaro, que está no último ano de formação, tem se tornado referência entre seus amigos, família e vizinhos. Com ações que ajudam a capacitar e integrar a sua comunidade, ele passou a ser visto como multiplicador de conhecimento, sempre disposto a ensinar e compartilhar experiências. Para o futuro, pensa em adquirir uma propriedade maior e investir em culturas que precisam de mais espaço para crescer, como cacau e seringueira. Descobriu um interesse incessante pelas florestas, principal fonte de estudo na Cfaf. “Percebi que tenho muito interesse em biologia, lidar com as plantas, com a natureza, com as árvores”. O gosto por aprender também tem se desenvolvido e promete nunca ter fim. “Tem gente que me vê como professor, gosto muito de biologia. Talvez eu possa ir por esse caminho. Gosto de tudo o que envolve o ser vivo”.

Elisangela Costa Santos, 18 anos, é da comunidade de Lagoa Santa, município de Ituberá (BA). Aluna do 2º ano de formação da Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), ela entrou na instituição após ver o exemplo de amigos que já estudaram lá. Para ela, o primeiro ano de formação já foi um grande divisor de águas em sua vida, um mundo repleto de novidades e conhecimento. “Comecei a ver a forma de lidar com o solo e, através de uma pesquisa realizada na minha comunidade, descobri os reais problemas do local. Com esses dados, apresentei meu primeiro seminário rural, onde toda a comunidade participou”, disse.

Os ensinamentos da Casa Familiar também estão sendo postos em prática por meio de uma horta. “Implantei um projeto de hortaliças, onde aplico as técnicas adquiridas. Como é totalmente orgânica, consigo consumir os alimentos que produzo, que são de qualidade, e até vendo para minha comunidade. Todos adoram!”.

Preocupada com o meio ambiente, Elisangela também promove ações multiplicadoras visando melhorias para os rios, as matas ciliares e recuperação de áreas degradadas. “Busco sempre ajudar os pequenos agricultores a melhorar a produtividade de forma sustentável”, disse. Na instituição de ensino, a jovem participa do curso de apicultura, como forma de ajudar os vizinhos e como plano para o futuro. “Tenho a oportunidade de levar para minha comunidade os benefícios que as abelhas trazem aos seres humanos. Pretendo implantar em minha propriedade o cultivo e ser uma apicultora bem-sucedida e protagonista”, concluiu.

“Sou agricultor e gosto de viver no campo”, diz, com satisfação, Sandoval Santos, 27 anos. O jovem vive na comunidade da Serra da Bananeira, em Presidente Tancredo Neves (BA) e seus olhos brilham ao falar sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos. Ele conta que antes não tinha perspectivas de continuar no campo e, em 2005, a visita de representantes da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) à sua comunidade fez toda a diferença. “Apresentaram um projeto novo na região. Aceitei o desafio e hoje posso ver que fiz a escolha certa”, diz.

A CFR-PTN oferece educação técnica integrada ao Ensino Médio e sua metodologia é baseada na Pedagogia da Alternância: o jovem passa uma semana em período integral, com aulas na sala (teóricas) e no campo (práticas), e duas na propriedade junto com suas famílias, aplicando novos conhecimentos.

Na instituição de ensino, Sandoval aprendeu sobre administração rural, cooperativismo, manejo de solos, irrigação, drenagens, além dos mais diversos cultivos e implantou dois hectares de banana e mandioca. A área de plantio da minha família era pequena e, quando terminei o curso, já havia utilizado todos os hectares disponíveis. Precisava de mais terra para plantar”, explica.

Com o Fundo de Acesso à Terra (FAT), mecanismo que visa proporcionar assistência técnica e financeira a ex-alunos da CFR-PTN, Sandoval encontrou oportunidade para se desenvolver como agricultor e cuidar de seus projetos agrícolas. “As dificuldades foram muitas e a falta de rentabilidade sempre foi um desafio, mas, plantando em áreas maiores, é viável. Tenho certeza de que posso viver do campo”, diz.

Ele é um dos sete selecionados para a primeira etapa da iniciativa criada pela própria instituição em parceria com a Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan). As instituições fazem parte do Pacto de Governança do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), da Fundação Odebrecht. “Vimos que cada jovem tinha, em média, apenas cinco hectares para produzir e isso estava influenciando-os a sair do campo”, conta Juscelino Macedo, então Líder do Negócio Mandioca e Fruticultura.

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