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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Silenilda Santos
Silenilda Santos
Sonho realizado

Jovem da primeira turma da Casa Familiar Rural de Presidente Tancedo Neves (CFR-PTN), Silenilda Oliveira dos Santos, 23 anos, mora na comunidade do Julião e hoje faz parte do quadro de colaboradores da Casa. Agradecida por conhecer a instituição, afirma que é muito feliz por contribuir para o crescimento daquilo que um dia foi um sonho.

Confira o depoimento dessa jovem protagonista:

A Casa teve e tem uma representação muito grande em minha vida. Talvez por eu ser mulher e filha de agricultores que não tiveram condições financeiras para investirem nos estudos. Meus pais se separaram quando eu tinha 10 anos. Por isso, tive que começar a trabalhar muito cedo para ajudar minha mãe.

Eu tinha muita dificuldade para me relacionar com outras pessoas. Assim como alguns jovens da Casa, pensava em concluir o ensino médio e ir para grandes cidades em busca de emprego. Porém, a Casa Familiar Rural me proporcionou algo diferente: ensinou a cuidar de mim, cuidar do que é meu, da minha família, da minha propriedade e até mesmo da minha comunidade.

Hoje faço parte do quadro de colaboradores da CFR-PTN e sou muito feliz, pois sei que estou contribuindo para o crescimento daquilo que um dia foi um sonho. Depois da convivência na Casa, passei a desenvolver meu lado profissional e a enxergar as pessoas à minha volta como importantes para meu crescimento. Estou cursando a Faculdade de Ciências Contábeis e quero continuar colaborando para o desenvolvimento da CRF-PTN e de outros jovens. E dessa forma, mostrar o que sei e o que posso fazer para melhor servir meu município e minha comunidade.

Conheça a história de outros jovens apoiados

Dos 16 anos já vividos por Vitória Souza Santos, sete foram assistindo sua família a construir uma vida digna e feliz no campo, por meio da agricultura. Desde 2008, o pai, Vitor Santos, cultiva palmito de pupunha e o beneficia e comercializa por meio da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), da qual é associado. Com o exemplo, que veio também do irmão agricultor, formado em 2012 pela Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), a jovem começa a ajudar a família a expandir a produção e a buscar novos rumos.

Vitória é aluna do segundo ano de formação da CFR-PTN, instituição de ensino que faz parte do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade – PDCIS, da Fundação Odebrecht. Lá, ela e os colegas aprendem sobre administração rural, cooperativismo, manejo de solo, irrigação, drenagem, além da matriz curricular do Curso Técnico Profissional Integrando ao Ensino médio.

No meio de um caminho de três anos do aprendizado contextualizado, Vitória já começa a produzir os seus próprios cultivos em seu Projeto Educativo-Produtivo de mandioca e banana-da-terra. “Sou muito feliz por estudar em um local onde posso colocar em prática cada passo aprendido com nossos próprios projetos. Esse conhecimento é também levado aos meus pais e a minha comunidade”, conta. Após a formação, ela poderá cooperar-se à Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) e agregar valor à sua produção.

Com a evolução da filha, Seu Vitor já planeja apostar também nesses novos cultivos. “Além do palmito de pupunha, estamos começando a pensar na mandioca e banana-da-terra, já que são os cultivos que ela está produzindo. Quem sabe também não começamos a plantar abacaxi?”, afirma. Segundo o pai, mesmo com o pouco tempo de Vitória na instituição, ela já o ensina novas técnicas e mostra que tem vocação para o trabalho no campo. Para Quionei Araújo, Diretor da CFR-PTN, essa interação entre os pais e filhos agricultores é fundamental. “Quando o jovem permanece com sua família, ela se desenvolve junto com ele e todos ganham”, diz.

Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, OXÊNTE (Grupo de Adolescentes Voluntários), Movimento de Intercâmbio Artístico e Cultural pela Cidadania, Rede de Protagonismo Juvenil, Projeto Pequeno Artilheiro, Instituto Aliança e Programa Jovens Baianos da Fundação Luís Eduardo Magalhães. Muitos foram os caminhos que a jovem Rosana Uildes, 27 anos, trilhou antes de desembarcar no projeto Casa Jovem, no Baixo Sul da Bahia.

Rosa, como é chamada pelos amigos, tem na formação de jovens a sua grande motivação. Paixão que nasce por meio de uma semente plantada em 1996, quando participou de um dos programas apoiados pela Fundação Odebrecht junto ao Liceu de Artes e Ofícios da Bahia. “Aos 15 anos, ingressei no Programa de Aprendizes do Liceu. Esse ponto de partida foi extremamente significativo para a minha trajetória. Com meus pais aprendi valores e princípios, como o de servir e lutar pelos meus objetivos. Já no Liceu, conheci o que significa educação pelo trabalho e tive contato com adolescentes e jovens que desenvolviam projetos sociais nas suas comunidades”, conta.

“Soteropolitana, baiana, brasileira, casada, voluntária, pedagoga e aprendiz sempre”. São essas as palavras usadas por Rosa, que estudou em escola e universidade públicas, para se definir. Em 2001, o grupo coordenado por ela, OXÊNTE, recebeu o Prêmio Jovens Voluntários pelo projeto Eureka, que desenvolvia ações de formação para a cidadania nas escolas públicas de Salvador. Já em 2006, quando atuou no Programa Jovens Baianos, Rosa realizou um dos seus maiores sonhos. “Dediquei todo o meu tempo, criatividade e experiência na formação de jovens e líderes, que atuassem nas suas comunidades”, afirma.

Em 2007, ela aceitou o convite da Fundação Odebrecht e retornou a esta instituição para desenvolver ações junto a adolescentes e jovens da zona rural. “Até então, tinha apenas experiências no território urbano. Sempre movida por desafios, aceitei o convite e estou desbravando o Baixo Sul da Bahia, atuando no Projeto Casa Jovem em Igrapiúna. Espero também aqui dar a minha contribuição, mergulhando de corpo e alma e fazendo a diferença, num novo cenário, mas sempre formando novos protagonistas, líderes do seu destino”.

“Se eu não tivesse participado desse projeto e não tivesse tido a oportunidade de trabalhar com essas pessoas, eu não seria quem sou”. A frase é da jovem Virgínia Melo, 26 anos, estudante de Teologia. Ela participou, em 1995, do projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação quando morava em Santa Cruz de Cabrália, região sul da Bahia.

Casada e, atualmente, morando na cidade de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, Virgínia contou sua trajetória na página de jovens egressos, em comemoração aos 20 anos de Protagonismo Juvenil.

“Em 1995, fui escolhida para participar do projeto ‘Quem ama preserva’, uma ação educacional feita com jovens na luta pela preservação das instituições de ensino. Por meio desse projeto, a Fundação Odebrecht lançou um desafio para os responsáveis pelo projeto (na época) de escolherem quatro jovens, um de cada cidade do sítio, que tivessem o perfil desejado para desenvolver uma iniciativa de cunho social em Eunápolis, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Belmonte e Prado. Então, fui selecionada e comecei a ser capacitada para desenvolver esse novo projeto.

Surgiu, então, o Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação. Nós trabalhávamos com a população mais carente e tínhamos um objetivo: espalhar o vírus do IRPS, que significava Ingresso, Regresso, Permanência e Sucesso de todas as crianças na escola.

Foi um projeto muito intenso e um desafio grande, pois nunca tinha feito nada neste sentido e, confesso, cheguei a achar algumas vezes que não conseguiria. Mas foi uma experiência inesquecível que me ensinou a ver as coisas de outra forma, com outros olhos. Em cada obstáculo ultrapassado, surgia uma força maior para enfrentar os próximos.

Eu cresci e só tenho a agradecer às pessoas que estiveram mais próximas de nós, todo o tempo, ensinando, acompanhado e aconselhando. Os educadores foram peças-chave, seres humanos maravilhosos que nos deram a base, nos ensinaram muito. Se eu não tivesse participado desse projeto e não tivesse tido a oportunidade de trabalhar com essas pessoas, eu não seria quem sou”.

Elisangela Costa Santos, 18 anos, é da comunidade de Lagoa Santa, município de Ituberá (BA). Aluna do 2º ano de formação da Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), ela entrou na instituição após ver o exemplo de amigos que já estudaram lá. Para ela, o primeiro ano de formação já foi um grande divisor de águas em sua vida, um mundo repleto de novidades e conhecimento. “Comecei a ver a forma de lidar com o solo e, através de uma pesquisa realizada na minha comunidade, descobri os reais problemas do local. Com esses dados, apresentei meu primeiro seminário rural, onde toda a comunidade participou”, disse.

Os ensinamentos da Casa Familiar também estão sendo postos em prática por meio de uma horta. “Implantei um projeto de hortaliças, onde aplico as técnicas adquiridas. Como é totalmente orgânica, consigo consumir os alimentos que produzo, que são de qualidade, e até vendo para minha comunidade. Todos adoram!”.

Preocupada com o meio ambiente, Elisangela também promove ações multiplicadoras visando melhorias para os rios, as matas ciliares e recuperação de áreas degradadas. “Busco sempre ajudar os pequenos agricultores a melhorar a produtividade de forma sustentável”, disse. Na instituição de ensino, a jovem participa do curso de apicultura, como forma de ajudar os vizinhos e como plano para o futuro. “Tenho a oportunidade de levar para minha comunidade os benefícios que as abelhas trazem aos seres humanos. Pretendo implantar em minha propriedade o cultivo e ser uma apicultora bem-sucedida e protagonista”, concluiu.

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