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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Ariel Santos
Ariel Santos
Meu sonho é ser um agricultor

A casa de muro azul na beira da estrada é a morada de Ariel Santos. Com 17 anos, é ali que ele dorme com o irmão mais novo, Arickson. Seus pais, José Vitorino e Ana Santos, preferem dormir na casa de madeira que fica ao lado, no topo de uma encosta da propriedade da família. A mãe do menino explica o motivo: “é lá que eu tenho meu forno e o sinal da minha televisão”.

Ariel vem traçando planos para se sustentar a partir do que cultiva e, também, melhorar as condições de vida da família. “Meu sonho é ser um agricultor. Quero ter meu próprio terreno com minha lavoura, expandir a produção e, com o tempo, levar meus produtos para vender em outros lugares”, conta. O jovem já está no caminho para alcançar esse objetivo. Com os pais e o irmão, planta abóbora, milho, feijão, coentrinho, salsa, alface e cebolinha.

O sorriso no rosto é amplo ao falar sobre o que mais gosta de produzir. “A pimenta. Ela tem uma produção boa e dá uma ‘rendazinha’ a mais do que outros tipos de cultura”, salienta. Sem duvidar, Ariel conta que pretende permanecer na zona rural, e “nunca desistir do meu futuro. Permanecer tropeçando, me levantando”.
 

Conheça a história de outros jovens apoiados

Acompanhe o emocionante depoimento da jovem educadora Valdiane Soares da Silva, 24 anos.

“Fiz a formação de Agente de Desenvolvimento Local – ADL, no período de 2000 a 2002, promovida pelo Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA, na Bacia do Goitá (PE). A iniciativa fazia parte do Programa Aliança com o Adolescente para o Desenvolvimento Sustentável do Nordeste.

Este programa marca minha vida até os dias atuais. Foi uma formação diferenciada, uma formação para a vida, como já dizia Paulo Freire “é preciso perceber a educação na perspectiva da libertação e da humanização de homens e mulheres”.

Então, falar da minha trajetória no Projeto Aliança e no SERTA é falar de história, ou melhor, é a resignificação da história. E como “... a história não deve ser pensada apenas como resgate do passado, mas sim utilizada como marco referencial a partir do qual as pessoas redescobrem valores e experiências. Reforçam vínculos presentes. Criam empatia com a trajetória e podem refletir sobre as expectativas dos planos futuros” (Karen Worcman).

Falando em história, as aprendizagens foram muitas: desenvolvimento pessoal, informática e comunicação, direito e cidadania, agricultura orgânica, juventudes e políticas públicas, entre outras, que não cabem numa folha de papel. O tempo passa, a gente cresce, amadurece e aí chegar à hora de sermos profissionais reconhecidos e valorizados na região, no município.

Hoje, sou referência onde chego, as pessoas me reconhecem e ainda dizem “ah, você tem um olhar crítico sobre o mundo, você é do SERTA”. Também tive a oportunidade de cursar universidade, fiz Letras, estou concluindo especialização em Leitura e Produção Textual. Sou educadora do SERTA, coordeno o setor de Monitoramento e Avaliação. Enfim, o Projeto Aliança faz parte da minha história e se eu cheguei até aqui foi porque alguém acreditou e investiu em mim. Obrigada por tudo!”

“Sou agricultor e gosto de viver no campo”, diz, com satisfação, Sandoval Santos, 27 anos. O jovem vive na comunidade da Serra da Bananeira, em Presidente Tancredo Neves (BA) e seus olhos brilham ao falar sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos. Ele conta que antes não tinha perspectivas de continuar no campo e, em 2005, a visita de representantes da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) à sua comunidade fez toda a diferença. “Apresentaram um projeto novo na região. Aceitei o desafio e hoje posso ver que fiz a escolha certa”, diz.

A CFR-PTN oferece educação técnica integrada ao Ensino Médio e sua metodologia é baseada na Pedagogia da Alternância: o jovem passa uma semana em período integral, com aulas na sala (teóricas) e no campo (práticas), e duas na propriedade junto com suas famílias, aplicando novos conhecimentos.

Na instituição de ensino, Sandoval aprendeu sobre administração rural, cooperativismo, manejo de solos, irrigação, drenagens, além dos mais diversos cultivos e implantou dois hectares de banana e mandioca. A área de plantio da minha família era pequena e, quando terminei o curso, já havia utilizado todos os hectares disponíveis. Precisava de mais terra para plantar”, explica.

Com o Fundo de Acesso à Terra (FAT), mecanismo que visa proporcionar assistência técnica e financeira a ex-alunos da CFR-PTN, Sandoval encontrou oportunidade para se desenvolver como agricultor e cuidar de seus projetos agrícolas. “As dificuldades foram muitas e a falta de rentabilidade sempre foi um desafio, mas, plantando em áreas maiores, é viável. Tenho certeza de que posso viver do campo”, diz.

Ele é um dos sete selecionados para a primeira etapa da iniciativa criada pela própria instituição em parceria com a Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan). As instituições fazem parte do Pacto de Governança do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), da Fundação Odebrecht. “Vimos que cada jovem tinha, em média, apenas cinco hectares para produzir e isso estava influenciando-os a sair do campo”, conta Juscelino Macedo, então Líder do Negócio Mandioca e Fruticultura.

Para Jeane Oliveira, 23 anos, a experiência na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) contribuiu bastante para seu crescimento pessoal e profissional. Na Casa, apesar da formação ser voltada para a agricultura, Jeane aprendeu algo muito maior e “que ninguém pode tirar”: os valores morais.

Conheça sua história:

No inicio, foi difícil para comunidade aceitar minha decisão. Foi preciso quebrar paradigmas, ser flexível, paciente e, aos poucos, fui conquistando a confiança de todos. Como sempre, tive o imenso apoio da minha mãe, que sempre me encoraja para lutar pelos meus objetivos. Está sempre ao meu lado e a tenho como minha fonte de inspiração.

Sou formada na primeira turma da CFR-PTN e uma das primeiras coisas que aprendi foi conhecer melhor o município em que vivo e a região do Baixo Sul da Bahia. Isso foi muito importante, pois permitiu saber que somos muito mais do que um pontinho no mapa. Fazemos parte de uma região riquíssima em valores materiais e imateriais.

Tenho crescido pessoal e profissionalmente nas experiências vividas com as comunidades por meio da apresentação de seminários e palestras. Dessa forma, pude transmitir o conhecimento sobre agricultura para minha família e comunidade. Comecei a perceber que eles passaram a ter realmente interesse em aprender o que eu ensinava.

Fiz um curso do Sebrae chamado “Saber a Empreender”, ainda em formação na CFR-PTN, e fiquei em primeiro lugar na categoria “Administração de Empresa”. Descobri mais uma atividade em que eu poderia me desenvolver. Dessa forma, em 2007, comecei um estágio na Área Administrativa da Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan). Durante seis meses, aprendi muitos conceitos, passei a gostar ainda mais e queria me aprofundar. Depois fiz um estágio na Organização de Conservação de Terras, no setor Administrativo-financeiro, por quatro meses. Em janeiro de 2008, voltei para a Coopatan, não mais como estagiária, para atuar na Área Financeira. Foi uma experiência incrível, consegui superar limites pessoais e conquistei meu espaço.

Desde abril de 2009, fui transferida para a equipe da Associação Guardiã da APA do Pratigi, onde continuo atuando na área de Administração Financeira, Fiscal e Contábil. Isso foi um incentivo para ingressar na Faculdade de Ciências Contábeis. Gosto muito do que faço e sempre me dedico, buscando me aperfeiçoar.

Participo também da Comunidade dos Formados, uma nova expectativa para os jovens egressos. Estou na Comissão Pró-Diretória e acredito nessa iniciativa. Acredito que a juventude unida vai ganhar força e aposto na ideia de sermos parceiros.
Com certeza esse não é o fim da historia, pois ainda terei muito que aprender, ensinar e conquistar!

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