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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Bruno Santos
Bruno Santos
Vi uma forma de poder continuar trabalhando no campo

Na comunidade de Ouro Preto, no município baiano de Presidente Tancredo Neves, Bruno Santos mora com os pais e cinco irmãos. Aos 15 anos, ele tem se transformado a partir da educação. “Na minha escola, vi uma forma de poder continuar trabalhando no campo, que é o que gosto”, conta.

O interesse de Bruno é na produção agrícola. “Meu sonho é me formar em técnico em Agropecuária e viver na zona rural. Vou estudar cada vez mais e me empenhar completamente na agricultura”. Na propriedade da família, cultiva cacau, mandioca, aipim e banana. Tem como vontade se associar a uma cooperativa para, assim, garantir um preço de mercado melhor para o que produz.

A idade, segundo Bruno, não é um problema: o jovem já se vê como um empresário rural. Para ele, é importante buscar a qualidade dos seus cultivos e, também, compartilhar o que estuda. “O que ele aprende na escola, passa para a gente”, diz seu pai, Antonio. Bruno conta que envolve ainda a comunidade nessa rede pelo desenvolvimento. “É uma forma de dividirmos o que aprendemos e incentivá-los”.
 

Conheça a história de outros jovens apoiados

No boletim escolar, excelentes notas. Na produção de cacau que cultiva junto com a mãe, tudo que aprende em sala de aula é posto em prática, a exemplo de um método de plantio que alia o aumento da produtividade com a conservação dos recursos naturais. Carolaine dos Santos, 17 anos, ingressou em 2017 na Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), no curso de Educação Profissional Técnica em Agronegócio integrado ao Ensino Médio, e já mostra que está a poucos passos de se tornar uma jovem empresária rural, líder em sua comunidade, do Varjão, em Camamu (BA).

“Meu sonho é ser uma grande produtora na minha região. Por isso, quero fazer tudo certo desde o início, com a utilização das técnicas apropriadas”, afirma a jovem. Carolaine aprendeu que por meio do plantio de diversas culturas em uma mesma área, o chamado Sistema Agroflorestal, os riscos de degradação da atividade agrícola seriam minimizados, otimizando os resultados. Além do cacau, passou a plantar banana-da-terra, seringueira, cravo e guaraná. “A ideia é que nossa área se pareça ao máximo com uma floresta, com muitas variedades de cultivos. Com a renda da colheita que for finalizada primeiro, podemos financiar as demais”, explica.

Junto com a visão de negócio, a vontade de conservar o meio ambiente a fez montar uma pequena associação em sua comunidade, com colegas da CFR-I, para discussão sobre melhorias na agricultura com respeito aos recursos naturais. “Quando começamos a conhecer formas de adubação e de cuidados com os plantios, resolvemos nos unir para entender de que forma podíamos influenciar agricultores a parar de usar agrotóxicos”, exalta. Na sua área, ela já deixou de usar componentes químicos e pretende fazer cursos sobre técnicas naturais de fertilizar a terra, como a biocalda.

Para a Assessora Pedagógica da CFR-I, Tailã Mendes, a adolescente, além de aluna exemplar, já é uma referência de liderança para os produtores da sua comunidade. “Desde a primeira semana de aulas, ela se destacava pela vontade em crescer no campo e pela facilidade em assimilar os conteúdos teóricos. Todos, monitores e estudantes, estão aprendendo muito com ela também”, disse. Carolaine ainda levará dois anos para a formação como Técnica em Agronegócio, mas sabe que seu futuro está sendo construído desde agora. “Não vou parar de estudar nunca. Farei de tudo para que minha comunidade cresça comigo”, completou.

Morador da cidade de Maraú, Marcos Vinícius Santos, 27 anos, fez parte do Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, em 1999. Atualmente, é Turismólogo, professor concursado e faz parte do Conselho Municipal de Turismo, além de liderar o grupo de Jovens e Missionários da Igreja. Segundo Marcos, os conhecimentos que adquiriu durante sua passagem pela Aliança foram decisivos para se tornar quem é hoje.

Confira o depoimento deste jovem protagonista:

No primeiro contato com a equipe coordenadora, percebi que a proposta era rica e transformadora. A partir desse dia, tive a certeza de que não seria mais o mesmo. O conhecimento que o Programa Aliança com o Adolescente arraigou em nossas vidas foi e está sendo muito útil. Coloco-me na terceira pessoa, pois tenho contato com quase todos os jovens que participaram desta iniciativa. Precisávamos de uma orientação que nos desse suporte para externar nosso potencial de agentes protagonistas e foi exatamente o que encontramos.

Muitos estudos, viagens e oficinas foram realizadas. Nosso primeiro grande trabalho, o “Projeto Lixo no lugar Certo, Saúde para Maraú”, foi um sucesso. Conseguimos mobilizar todas as escolas da sede do município e cinco da zona rural com ações educativas.

Hoje, posso afirmar que faço a diferença na minha comunidade. Curso Geografia, sou professor concursado e faço parte do Conselho Municipal de Turismo, além de liderar o grupo de Jovens e Missionários na Igreja. Estou sempre engajado nas atividades culturais e sociais de Maraú. Acredito que a minha formação, enquanto cidadão, está sustentada em três bases: família, Programa Aliança com o Adolescente e Igreja.

Aos 14 anos, Vitor Souza ingressava no projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação, em Porto Seguro, onde nasceu e mora. “Aprendi muito. Principalmente a valorizar mais a minha vida e meus amigos”, revela o jovem. Atualmente, ele trabalha como comunicador em uma rádio de sua cidade. “Gostaria de dizer, para quem for ler este meu depoimento, que acredite de verdade em seus sonhos. Um dia eles se realizam”.

Conheça a história de Vitor:

“A minha participação no projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação teve início em 2000. Durante um ano, tive a oportunidade de conviver com outros jovens e conheci alguns educadores que marcaram minha vida.

O projeto me ajudou a valorizar mais a minha vida e perceber os amigos que precisavam de uma palavra de conforto. Muitos jovens não conseguem reconhecer o quanto a nossa vida é valiosa e passei a disseminar isso. Ingressei no Grupo de Apoio e prevenção a AIDS (Gapa) da Bahia. Participei de algumas capacitações e me dei conta de como a prevenção é fundamental para a juventude.

Foram quatro anos de muito aprendizado e trabalho na minha cidade, Porto Seguro, e em Salvador, onde aconteciam encontros com outros jovens. Cada um tinha uma maneira de pensar e isso promovia várias discussões. Estudávamos como abordar determinados assuntos nas comunidades.

Nessas idas e vindas, fui convidado a representar o Extremo Sul da Bahia em um evento em Lima, no Peru. Vive momentos fantásticos: dez dias discutindo maneiras de fazer a diferença. Foi uma lição de vida, por isso, quero continuar a ajudar outras pessoas com a minha experiência”. 

Micaías Paiva de Oliveira, hoje com 24 anos, visualizou novas perspectivas para seu futuro ao ingressar no Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste. A iniciativa foi fruto de uma parceria entre Fundação Odebrecht, Instituto Ayrton Senna, Fundação Kellogg e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES).

Filho de pais separados, Micaías conviveu com a pobreza e a fome por muitos anos, vendendo picolé, banana e mel medicinal nas comunidades vizinhas. Entre idas e vindas, e em busca de melhores condições de vida, despertou a vontade de aprender informática e se tornar um profissional conhecido em sua cidade. Conseguiu fazer seu primeiro curso na área com a ajuda do avô, que percebeu na informática um bom investimento para o futuro do neto.

Hoje ele é um exemplo de jovem protagonista que sonhou alto e fez a vida acontecer. Confira sua história:

“Em 1999, quando eu tinha 15 anos, surgiu a oportunidade de participar da Aliança com o Adolescente. Coloquei todas as minhas expectativas neste Programa, porque acreditava que lá eu me tornaria um bom Agente de Desenvolvimento Local. Fiz minha inscrição e fui selecionado.

Em março de 2000, as ações foram iniciadas. Com o decorrer do tempo, estávamos participando de projetos nas áreas de direito e cidadania, arte e cultura, agricultura orgânica e informática. Tínhamos que passar por todos, mas me identificava mais com ‘informática’. Recebi todo apoio para iniciar meu projeto de vida. Idealizava prestar serviços em informática ao meu município fazendo manutenção de micro-computadores, operação de sistemas, trabalhando como designer, dando aulas.

A Aliança com o Adolescente foi o pontapé inicial da minha nova vida. Nele conhecemos nossos direitos e deveres enquanto cidadãos, e descobrimos que nossos sonhos podem se tornar realidade se formos os protagonistas das nossas histórias. Antes do encerramento do projeto, fui convidado para trabalhar na área de informática da Prefeitura Municipal de Pombos, onde estou até hoje. Atualmente não sou mais um digitador, e, sim, Coordenador dos Programas Sociais, responsável por desenvolver ações que visam a melhoria da qualidade de vida das famílias carentes. Fui o primeiro jovem do meu município (Pombos) a cursar uma Faculdade de Ciência da Computação (Bolsa Kellogg), aumentado muito a minha auto-estima.

Orgulho-me de minha história, pois sei que, quem conhecê-la aprenderá que tudo é possível para aquele que acredita!”.

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