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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Jaíne da Conceição
Jaíne da Conceição
Estou conseguindo mudar minha vida para melhor

As táboas que formam a casa de Jaíne da Conceição, 15, estavam pintadas de verde. Da janela da sala, a jovem contempla a horta da família à sua frente, e reflete sobre seu futuro. “Graças às oportunidades que tenho, estou conseguindo mudar minha vida para melhor”, diz.

É na comunidade da Caeira, no município baiano de Nilo Peçanha, que Jaíne mora com os pais e o irmão. A sobrinha, à tiracolo, a acompanha quando está em casa. Para ela, contribuir com a vida familiar é essencial. “Gosto de estar na minha horta e ajudar meu pai no que posso. Sempre ajudei”. Na propriedade da família, planta guaraná, cacau, pupunha, hortaliças e seringueira.

Jaíne também reafirma sua paixão pelos estudos. Na escola, as matérias das quais mais gosta são Artes e Biologia. Para ela, a educação é o caminho para alcançar um dos seus principais objetivos: “ajudar a minha família”.
 

Conheça a história de outros jovens apoiados

A relação com a terra é de longa data. Desde que tinha 12 anos, Marcelo Roma tem contato com o campo. Filho de agricultor e morador da comunidade de Gendiba, localizada no município baiano de Presidente Tancredo Neves, aos 23 anos, o jovem já trilhou o seu caminho: “Sou um empresário rural e tive a chance de mudar minha história. É um momento de focar no trabalho e no desenvolvimento no campo”, acredita.

Roma é ex-aluno da Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN). Foi em 2012 que concluiu a habilitação técnica em Agropecuária integrada ao Ensino Médio, formação que teve como base a Pedagogia da Alternância: uma semana em período integral, com aulas na sala e no campo, e duas na propriedade de sua família, aplicando os novos conhecimentos. Durante os três anos na CFR-PTN, aprendeu sobre administração rural, cooperativismo, manejo de solos, irrigação, drenagens, além dos mais diversos cultivos.

No segundo ano de formação, o jovem desenvolveu dois projetos educativo-produtivos focados nos plantios de banana e mandioca. “Trabalhava em parceria com um fazendeiro da região, pois a área da minha família é pequena, apenas dois hectares que estão quase que completamente ocupados”. Os insumos necessários para o cultivo foram fornecidos com o apoio do Tributo ao Futuro.

Roma foi superando os obstáculos que surgiam. “No segundo plantio, ampliei meus projetos reinvestindo os recursos do primeiro: o cultivo de banana aumentou de um para três hectares. O de mandioca, de um para cinco. Sempre foi meu sonho trabalhar na agricultura, mas antes de ingressar na Casa estava desestimulado, porque não tinha rentabilidade”.

Os plantios lhe garantiram retorno financeiro. Mas a falta de terra continuou sendo um obstáculo, até que, uma iniciativa da CFR-PTN em parceria com a Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), da qual é associado, possibilitou a ampliação dos seus cultivos. O Fundo de Acesso à Terra (FAT) é um mecanismo que visa proporcionar assistência financeira a pequenos produtores para que tenham condições de cuidar de seus projetos agrícolas e possam viver exclusiva e integralmente de sua renda gerada no campo. A princípio, sete jovens foram contemplados com a iniciativa e estão sendo apoiados na aquisição de terra. Roma é um deles.

Em três meses, ele superou as metas, antecipando suas plantações. “Estourei o meu orçamento e decidi investir o que tinha. Com o apoio de um jovem parceiro, que também estudou na CFR-PTN, estamos trabalhando porque desejamos um futuro melhor. Queremos mostrar para o mundo que não adianta ter preconceito com os produtores rurais. A gente move a cidade, move o mundo”, acredita Roma.

Agora o jovem faz planos de finalizar o plantio e adquirir novas áreas para melhorar sua renda, que atualmente é de cerca de R$ 2 mil com os cultivos desenvolvidos em terras de terceiros. “Gostaria que o jovem agricultor tivesse mais oportunidades, como a que tive. Uma chance de mudar a história. Realizei o sonho de ter uma propriedade, que posso chamar de minha. Meu foco agora é aqui. Sou dono do meu negócio”, assegura.

Determinado. Assim Manoel dos Santos, 28 anos, se define. Formado em Pedagogia, ele assumiu, em julho deste ano, a direção da Casa Jovem, Oscip integrada ao Programa DIS Baixo Sul. Sempre preocupado com o desenvolvimento pessoal e social, ele afirma com segurança que, entre os amigos de escola, foi o único que conseguiu mudar a própria vida, a da família e de toda a comunidade. “Vencemos quando acreditamos que é possível”.

Manoel já atuou no Instituto Direito e Cidadania (IDC), apoiando a estruturação dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, bem como dos Conselhos Tutelares. Seu trabalho visava potencializar a profissionalização desses Conselhos, capacitando os integrantes para atuarem de forma eficiente e eficaz na defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Sua trajetória na educação e formação de pessoas começou em 1999, ano em que participou do Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, realizado no Baixo Sul da Bahia com o apoio da Fundação Odebrecht. “A partir daí iniciei minha atuação enquanto jovem protagonista para promover o desenvolvimento da minha comunidade”.

Do Programa Aliança, Manoel destaca dois projetos que influenciaram diretamente sua vida – o Programa de Formação de Adolescentes Voluntários (Pfav) e o Conhecendo o Baixo Sul. O primeiro formou adolescentes protagonistas para atuarem como voluntários nos setores sociais básicos de suas comunidades, apoiando iniciativas por eles criadas e implementadas, enquanto o segundo realizou um amplo diagnóstico das características sócio-econômicas da região. “Atuei como articulador e mobilizador nas associações comunitárias. O que eu sou hoje, devo ao Pfav e ao Conhecendo o Baixo Sul porque nesses programas eu comecei a pensar no meu projeto de vida”.

Manoel afirma que tudo o que conquistou se deve ao fato de ter, em algum momento, definido um objetivo, o que o possibilitou a seguir em frente, sem se desviar da sua trajetória. Destaca que, em primeiro lugar, as pessoas devem saber o que desejam e acreditar que é possível e, a partir daí, mover montanhas para conseguir superar as dificuldades e vencer as barreiras.

“Não é fácil você sair de uma situação, seja ela qual for, e focar em objetivos, sonhos, resultados financeiros ou não. O que importa no final é que você está mudando a sua maneira de ver, de pensar, de agir. A gente deve pensar grande, de forma que todos saiam ganhando”.

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