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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
José Marcos Santos
José Marcos Santos
Estou aprendendo a ser um cidadão melhor

O sorriso de José Marcos Santos é largo. Na propriedade onde mora com o pai, Josenilton Santos, localizada no alto de uma colina no município de Igrapiúna, no Baixo Sul baiano, o jovem vem se desenvolvendo enquanto agricultor. “Aqui, cultivamos bastante coisa. De tudo um pouquinho tem”, diz, listando as produções de cacau, banana, mandioca e cravo.

Sob o olhar do pai, um misto de orgulho e admiração, José Marcos deixa claro que, para ele, não basta guardar o que aprende para si. “Gosto de compartilhar com meus vizinhos. Sempre mostro a eles novas técnicas de adubação”, exemplifica o jovem.

Sentado à frente da casa de madeira onde vive, ele fala da importância de ir atrás dos seus sonhos. “Estou aprendendo muita coisa sobre agricultura e, também, sobre como ser um cidadão melhor. Pretendo ter uma propriedade minha e continuar a ajudar as pessoas da minha comunidade. Quero ter meus negócios e ser um microempreendedor”, reforça.
 

Conheça a história de outros jovens apoiados

Por meio das Casas Familiares que fazem parte do Programa PDCIS, a Fundação Odebrecht vem apostando em uma nova geração de jovens agricultores, influenciada pelo conhecimento contextualizado colocado a sua disposição. São adolescentes como Jemima Oliveira Dias, de 15 anos, aluna da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I). Em seu segundo ano de formação, ela já está integrada aos processos produtivos da família e leva novas tecnologias à comunidade do Conduru, em Camamu (BA), onde reside. 

“Sou a primeira da minha região a estudar em uma escola rural. Quis agarrar essa oportunidade por saber que podia levar conhecimento para lá”, afirmou Jemima. Desde o primeiro ano na CFR-I, a adolescente participa mais ativamente da vida da comunidade por meio de Seminários Rurais. Tratam-se de palestras sobre temas relacionados a produção no campo que proporcionam a diversas famílias orientações para melhorar o rendimento dos cultivos. Em 2015, 280 Seminários Rurais foram realizados por alunos de Casas Familiares, impactando diretamente mais de 8.100 pessoas.

Na propriedade da família, que possui cultivos de cacau, dendê, palmito de pupunha, cravo e guaraná, essa transferência de novos aprendizados por Jemima é também colocada em prática. A CFR-I adota a Pedagogia da Alternância, onde os jovens passam sete dias em período integral na instituição de ensino, com aulas na sala e no campo, e 15 em suas propriedades, aplicando os conhecimentos, sob o acompanhamento e a orientação de monitores especializados. “É um ensino diferente de tudo que já tive. Aprendi como fazer a poda de cacau, por exemplo, e ajudar o meu pai na roça. Consigo ver a forma correta de plantar e sei que isso irá fazer toda a diferença nos nossos resultados”, disse.

Mesmo ainda na metade da formação como Técnica em Agronegócio, a adolescente pretende repassar cada vez mais experiências em prol do desenvolvimento da região. “No futuro penso em ser agrônoma e crescer junto com minha família e vizinhos. A CFR-I está abrindo essa porta para que eu atinja os meus objetivos’, completou.

“Eu era um adolescente sem perspectiva de futuro e hoje consigo contribuir com o crescimento da minha família e das comunidades locais”, conta José Renildo Correia, 19 anos. Para ele, essa mudança é resultado do seu aprendizado na Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), onde ingressou três anos atrás. O morador da comunidade São Benedito, em Nilo Peçanha (BA), conheceu a instituição de ensino por meio de sua mãe, que o incentivou a participar da seleção.

O jovem está no 3º ano do Curso de Educação Profissional Técnico em Florestas integrado ao Ensino Médio e é um dos idealizadores do Projeto Protagonismo Juvenil, no qual oito estudantes da Cfaf promovem palestras, seminários e ações de reflorestamento para conscientização ambiental nas comunidades do município. “Além disso, realizamos limpeza de nascentes e rios, plantios de mudas de essências florestais e frutíferas, implantamos hortas em escolas e ao todo já foram envolvidas mais de mil pessoas”, afirma.

Além de atuar em conjunto com outros estudantes da Cfaf, o jovem desenvolve práticas produtivas na Fazenda Fonte da Prata em parceria com seu irmão, Jason Arquias, 17 anos, também estudante da Casa Familiar. Complementam a renda da família, o cultivo da banana em consórcio com culturas de ciclo curto (feijão e milho) e a implantação de um apiário – conjunto de colmeias utilizadas para criação de abelhas e colheita de mel ou polinização de culturas agrícola, que contribui com a reprodução de frutos e sementes. “Todas essas atividades aprendi ao longo desses anos”.

Quando questionado sobre o que pensa para o seu futuro, Renildo é claro: “Meu sonho é me desenvolver no que faço junto com meu irmão. Além disso, quero continuar disseminando conhecimento para as comunidades locais, ampliar o apiário e consolidar a parceria com meu irmão para continuarmos no campo”, finaliza.

A Cfaf é uma das instituições de ensino ligadas ao Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela Fundação Odebrecht em parceria com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais. 

Foi com o apoio dos pais, agricultores do município de Teolândia (BA), que Ivanete Santos, 23 anos, ingressou na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN). Durante sua passagem pela Casa, ajudou a constituir a Associação de Agentes de Desenvolvimento Local, foi a primeira presidente e hoje faz parte do quadro de membros fundadores. Atualmente, é estudante de Agronomia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Confira a história de Ivanete:

Meu pai recebeu uma ficha de inscrição da CFR-PTN na associação que frequentava. Preenchi, passei por todas as fases de seleção e consegui entrar na Casa. Vi que o que se ensinava era para a vida toda. Tínhamos acesso a conhecimentos, em maioria sobre agricultura, mas fazia parte também a educação cidadã. Falava-se muito em valores, desde então adotei a frase: “Quem não vive para servir não serve para viver".

Decidi que melhoraria minha região e que para isso precisava estudar mais. Após me formar pela Casa, em 2008, prestei vestibular na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Hoje estou no terceiro semestre do curso de Engenharia Agronômica e faço estágio voluntário no Projeto “Manejo e Uso de Plantas Medicinais em Comunidades Rurais do Recôncavo da Bahia”.

Quando sai da CFR-PTN já tinha decidido que trabalharia com agricultura familiar. Só não sabia que carreira seguir. Nunca sonhei que quando crescesse seria uma Agrônoma, aprendi a admirar o curso observando os monitores da Casa, em especial, Quionei de Araújo, que foi quem mais me incentivou. Pretendo me formar e voltar capacitada para servir à minha região.

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