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Conheça histórias de jovens protagonistas que participaram de projetos apoiados pela Fundação Odebrecht ao longo dos seus mais de 50 anos.
Mairí dos Santos
Mairí dos Santos
Podemos escolher permanecer no campo

Na mesa da cozinha, suco de graviola, aipim recentemente cozido, um bolo caseiro e pasteis de carne eram oferecidos por Maria Inês dos Santos. Orgulhosa, a mãe de Mairí dos Santos conta que boa parte dos quitutes foram preparados com o que a família cultiva na propriedade, localizada no município baiano de Presidente Tancredo Neves.

A jovem Mairí, de 16 anos, fala do seu desejo de aprender a melhor maneira de trabalhar no campo. “Meu sonho é ser uma engenheira agrônoma. Quero trazer mais informações para minha família e para a comunidade, ajudar a melhorar a qualidade de quem mora aqui”, conta. Ao lado dos pais e dos cinco irmãos, cultiva produtos como cacau, mandioca, aipim, banana, urucum, goiaba e cupuaçu.

O seu produto preferido para plantio é a banana. A menina diz que foi uma das frutas que sempre ajudou os pais a cultivar. Hoje, ela leva para a família novos manejos para esse e as demais culturas da propriedade. Para Mairí, ter acesso à um bom ensino faz a diferença em sua vida. “Podemos escolher permanecer no campo”, salienta.
 

Conheça a história de outros jovens apoiados

A vontade de permanecer no campo e contribuir para o desenvolvimento de sua família e da comunidade onde vive é o que move Sandro Assunção. Morador de Itiúba, distrito do município baiano de Taperoá, o jovem de 17 anos diz que sua visão mudou quando ingressou na Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), onde cursa o Ensino Médio aliado à habilitação técnica em Sistemas Agroflorestais. “Com o que estou aprendendo, quero colaborar com a mudança da realidade local, me tornando um agente de desenvolvimento do futuro”, conta.

O jovem ressalta seu amadurecimento pessoal e profissional, ao longo dos três anos de formação que está completando na Cfaf, e acredita que o reconhecimento da comunidade é essencial. ”A partir do momento em que difundimos o conhecimento, o agricultor passa a nos admirar e ver que realmente queremos colaborar com todos”.

Filho de agricultores, sua formação propicia melhorias e boas práticas na propriedade onde vive com sua família, além de contribuir com o progresso dos demais moradores. “Com o crescimento da agricultura local, mais jovens vão permanecer no campo. Temos muito a aprender com os produtores mais experientes e muito para oferecer também”, avalia.

Uma das técnicas difundidas e aplicadas por Sandro em sua propriedade é a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), tecnologia social desenvolvida pela Fundação Banco do Brasil, que promove uma agricultura sustentável e alimentação saudável para as famílias rurais. A produção tem como foco a horticultura, que tem seus produtos comercializados, contribuindo para ampliar a renda de produtores. ”As técnicas que aprendemos durante as alternâncias na Cfaf melhoram a produtividade no campo. Além disso, os agricultores da comunidade ficam alegres e satisfeitos quando a gente chega com novas experiências e repassa o que aprendemos”, ressalta.

Sandro também se preocupa com o meio ambiente. Um exemplo disso foi a mobilização que promoveu em seu município, para preservar um riacho local, que estava quase secando. “Utilizei o diálogo para explicar a importância de manter as nascentes vivas, demonstrando na teoria como é possível plantar sem destruir a natureza e conservando as águas”, conta.

Daqui para frente, o jovem quer continuar trabalhando junto com a comunidade e prosseguir nos estudos. “Antes eu pensava como muitos jovens, que querem se formar e sair do campo, mas hoje sei que não quero mais fugir da minha realidade, mas transformá-la. Quero viver de forma tranquila e sustentável no lugar onde nasci”, finaliza.

Micaías Paiva de Oliveira, hoje com 24 anos, visualizou novas perspectivas para seu futuro ao ingressar no Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste. A iniciativa foi fruto de uma parceria entre Fundação Odebrecht, Instituto Ayrton Senna, Fundação Kellogg e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES).

Filho de pais separados, Micaías conviveu com a pobreza e a fome por muitos anos, vendendo picolé, banana e mel medicinal nas comunidades vizinhas. Entre idas e vindas, e em busca de melhores condições de vida, despertou a vontade de aprender informática e se tornar um profissional conhecido em sua cidade. Conseguiu fazer seu primeiro curso na área com a ajuda do avô, que percebeu na informática um bom investimento para o futuro do neto.

Hoje ele é um exemplo de jovem protagonista que sonhou alto e fez a vida acontecer. Confira sua história:

“Em 1999, quando eu tinha 15 anos, surgiu a oportunidade de participar da Aliança com o Adolescente. Coloquei todas as minhas expectativas neste Programa, porque acreditava que lá eu me tornaria um bom Agente de Desenvolvimento Local. Fiz minha inscrição e fui selecionado.

Em março de 2000, as ações foram iniciadas. Com o decorrer do tempo, estávamos participando de projetos nas áreas de direito e cidadania, arte e cultura, agricultura orgânica e informática. Tínhamos que passar por todos, mas me identificava mais com ‘informática’. Recebi todo apoio para iniciar meu projeto de vida. Idealizava prestar serviços em informática ao meu município fazendo manutenção de micro-computadores, operação de sistemas, trabalhando como designer, dando aulas.

A Aliança com o Adolescente foi o pontapé inicial da minha nova vida. Nele conhecemos nossos direitos e deveres enquanto cidadãos, e descobrimos que nossos sonhos podem se tornar realidade se formos os protagonistas das nossas histórias. Antes do encerramento do projeto, fui convidado para trabalhar na área de informática da Prefeitura Municipal de Pombos, onde estou até hoje. Atualmente não sou mais um digitador, e, sim, Coordenador dos Programas Sociais, responsável por desenvolver ações que visam a melhoria da qualidade de vida das famílias carentes. Fui o primeiro jovem do meu município (Pombos) a cursar uma Faculdade de Ciência da Computação (Bolsa Kellogg), aumentado muito a minha auto-estima.

Orgulho-me de minha história, pois sei que, quem conhecê-la aprenderá que tudo é possível para aquele que acredita!”.

“Se eu não tivesse participado desse projeto e não tivesse tido a oportunidade de trabalhar com essas pessoas, eu não seria quem sou”. A frase é da jovem Virgínia Melo, 26 anos, estudante de Teologia. Ela participou, em 1995, do projeto Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação quando morava em Santa Cruz de Cabrália, região sul da Bahia.

Casada e, atualmente, morando na cidade de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, Virgínia contou sua trajetória na página de jovens egressos, em comemoração aos 20 anos de Protagonismo Juvenil.

“Em 1995, fui escolhida para participar do projeto ‘Quem ama preserva’, uma ação educacional feita com jovens na luta pela preservação das instituições de ensino. Por meio desse projeto, a Fundação Odebrecht lançou um desafio para os responsáveis pelo projeto (na época) de escolherem quatro jovens, um de cada cidade do sítio, que tivessem o perfil desejado para desenvolver uma iniciativa de cunho social em Eunápolis, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Belmonte e Prado. Então, fui selecionada e comecei a ser capacitada para desenvolver esse novo projeto.

Surgiu, então, o Pacto do Sítio do Descobrimento pela Educação. Nós trabalhávamos com a população mais carente e tínhamos um objetivo: espalhar o vírus do IRPS, que significava Ingresso, Regresso, Permanência e Sucesso de todas as crianças na escola.

Foi um projeto muito intenso e um desafio grande, pois nunca tinha feito nada neste sentido e, confesso, cheguei a achar algumas vezes que não conseguiria. Mas foi uma experiência inesquecível que me ensinou a ver as coisas de outra forma, com outros olhos. Em cada obstáculo ultrapassado, surgia uma força maior para enfrentar os próximos.

Eu cresci e só tenho a agradecer às pessoas que estiveram mais próximas de nós, todo o tempo, ensinando, acompanhado e aconselhando. Os educadores foram peças-chave, seres humanos maravilhosos que nos deram a base, nos ensinaram muito. Se eu não tivesse participado desse projeto e não tivesse tido a oportunidade de trabalhar com essas pessoas, eu não seria quem sou”.

Prêmio Jovens Voluntários, Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, Programa de Formação de Adolescentes Voluntários e Programa de Promoção do Voluntariado Jovem. Natália Mendes, 23 anos, participou de quatro projetos apoiados pela Fundação Odebrecht quando adolescente. Acompanhe o relato desta educadora social:
 
“Conheci a Fundação Odebrecht por meio do apoio que foi dado ao Instituto Elo Amigo, no inicio de sua atuação, em 2001-2002. Entrei para receber a formação Pessoal, Social e Empresarial do Programa Aliança com o Adolescente.

Comecei a ver o mundo com outros olhos e sentir a força que tinha, enquanto jovem, de promover mudanças. Participei de movimentos estudantis, a fazer manifesto por uma Universidade para minha região. Passei a entender e discutir Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável. E a paixão por tudo isso tomou conta da minha vida, dos meus planos. Foi como entrar num caminho sem volta, pois não era mais a mesma pessoa, não podia continuar fazendo as mesmas coisas.

Participei do Programa de Adolescentes Voluntários, onde foi criado o MOVER - Movimento de Jovens Voluntários do Semi-Árido Cearense. Jovens dos cinco municípios aprenderam a elaborar projetos e os executavam nas suas comunidades. Foram muitas idéias e o desejo de mudança era tanto que entravamos pela noite, planejando e sonhando com dias melhores.

Eu, particularmente, idealizei e executei vários projetos: Campanha para Doação de Sangue, Projeto Semana Feliz e Projeto Sábado Feliz. Coordenei ações de Cinema no Bairro em parceria com SESC. Investi em minha formação e participei de curso de Mobilização Social - Lideranças Comunitárias. Apoiei a realização de Seminários de Juventude e Trabalho, Políticas Públicas para Juventude e Conferências do Plano Nacional da Juventude.

Em 2005, conclui o Técnico em Desenvolvimento Social com habilitação em Desenvolvimento de Comunidades, quando ganhei, junto com outras colegas, a premiação nacional do Técnico Empreendedor 2007 na categoria projeto na área de inclusão social. Hoje, estou trabalhando no Instituto Elo Amigo, como Educadora Social no Projeto Educação Ambiental no Semi-Árido. Estou cursando a faculdade de Serviço Social. Aqui está um pouco da minha história, do meu progresso. E isso tudo começou numa formação que eu achava que ia ser só mais um curso, que a gente começa e logo termina. Ao contrário, essa formação causou uma transformação na minha vida, de futuro, de sonhos e de planos".

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