Comunicação

19h00

Referência na comunidade

Moradoras do Baixo Sul da Bahia, Santília, Valdete, Zenilda e Elza, são movidas pelo trabalho. Exemplos de empresárias rurais, essas mulheres uniram e fortaleceram suas famílias e aumentaram suas rendas

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Moradoras do Baixo Sul da Bahia, Santília, Valdete, Zenilda e Elza, são movidas pelo trabalho. Tornaram-se empresárias rurais de uma região onde as riquezas naturais e o potencial agrícola convivem com a pobreza e o analfabetismo que limitam o desenvolvimento. Por meio do trabalho, como a produção de artesanato, cultivo de palmito, criação de peixes e até mesmo como proprietárias de restaurante, esse grupo de mulheres tornou-se referência em suas comunidades, uniram e fortaleceram suas famílias e aumentaram suas rendas.

Assim como 273 outras mulheres da região, todas participam de projetos e iniciativas que fazem parte do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS). Apoiado pela Fundação Odebrecht e parceiros do poder público e iniciativa privada, o PDCIS tem como desafio tornar próspera e dinâmica uma área rural com grande patrimônio ambiental, fixando os jovens talentos no campo.

O Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia promove o desenvolvimento concomitante dos capitais produtivo (geração de trabalho e renda), humano (educação do campo de qualidade), social (construção de uma sociedade mais justa e solidária) e ambiental (conservação dos recursos naturais). Contempla em uma única iniciativa os Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, propugnados pela Organização das Nações Unidas – ONU e subscritos por 192 países.

Santília dos Santos
Aos 49 anos, Santília reescreveu a história de sua comunidade, unindo a palha e a fibra de piaçava. Moradora da comunidade quilombola de Lagoa Santa, localizada em Ituberá (BA), multiplicou a renda da família com a produção de artesanato e influenciou as vizinhas. “Todo mês elas percebiam o dinheiro que entrava. Isso fez com que todas resolvessem aderir”, conta a artesã Santília, que é associada à Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (Cooprap), desde sua criação em 2005.

A Cooprap faz parte da Aliança Cooperativa da Piaçava, que reúne a Casa Familiar Agroflorestal (CFAF), a Indústria Cidadã – que produz vassouras de piaçava – e parceiros sociais, como Walmart, Tok&Stok, GBarbosa e Ebal. Cooprap e CFAF fazem parte do PDCIS.

Santília conta com o apoio das filhas. Maria Aparecida dos Santos, 15 anos, é educanda da CFAF e produz, junto com a mãe, peças como cestas, bolsas, bandejas, entre outras. “Desejo ser uma grande empresária rural, trabalhar com piaçava e não sair da minha comunidade”, diz a jovem. “É um orgulho, sou feliz por crescer com a minha região”, afirma Santília.

Valdete do Nascimento
Aos 47 anos, Dona Dete, como é conhecida, acorda às 5h30 e segue para sua plantação onde permanece até o fim da tarde cuidando do cultivo de palmito e da criação de peixes. Moradora do Assentamento Mata do Sossego, localizado em Igrapiúna, Baixo Sul da Bahia, começou a participar do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), por meio do qual contribui para a conservação do meio ambiente. “Vou iniciar o reflorestamento na minha propriedade, principalmente em volta de duas nascentes que tenho aqui. Elas podem secar e para que isso não aconteça, decidi ajudá-las”.

O PSA é coordenado pela Organização de Conservação da Terra (OCT), instituição que faz parte do PDCIS. A iniciativa possibilita a plantação e a manutenção, por um período de 24 meses, de espécies nativas da Mata Atlântica nas Áreas de Preservação Permanente, sem ônus para os proprietários.

Além de tornar-se produtora de água, implantou um hectare de diferentes culturas, como cacau, seringa e frutíferas, método conhecido como Sistema Agroflorestal (SAF). Dona Dete consegue ainda tempo para estudar. Em 2011, concluiu o Ensino Médio no Colégio Estadual Casa Jovem, unidade de ensino que integra o PDCIS e também está localizada em Igrapiúna. “O que fazemos hoje é importante para o presente e o futuro. Sei que precisamos preservar para mais tarde não sofrermos as consequências, como ficarmos sem água. O resto, deixo por conta do destino.”

Zenilda do Rosário
Moradora da comunidade quilombola de Jatimane, localizada em Nilo Peçanha (BA), transformou o dom da culinária em renda. Primeiramente, comercializava bebidas e pratos simples em um pequeno restaurante, mas com o tempo, precisou expandir o negócio.

O Restaurante Quilombola Pedro Sorriso cresceu e tornou-se referência na região. O nome é uma homenagem ao marido, que morreu há quatro anos. “Pedro atendia todos os clientes com um grande sorriso”. A cozinheira está contando atualmente com consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para reestruturar o restaurante. “Aprendi um pouco em cada reunião. Recebi muitas dicas e já estou colocando em prática”. A parceria com o Sebrae foi viabilizada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides) – instituição que faz parte do PDCIS.

“Estou me preparando para receber bem os visitantes. Com o turismo crescente aqui na região poderemos ampliar ainda mais”. Sua filha Pedrina do Rosário, uma das três filhas da cozinheira, acredita no sucesso do negócio. “Sei que temos muito para caminhar, mas o meu sentimento hoje é de realização. Nosso restaurante irá se desenvolver”, garante a jovem, que além de ajudar a mãe é responsável pela Área de Comunicação do Ides e concluiu seus estudos na Casa Familiar Agroflorestal em 2008. 

Elza Teles
Associada a Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), Elza Teles, de 30 anos, tem quatro filhos – todos estudaram ou ainda estudam em unidades de ensino do PDCIS. Elza e o marido, Lourivaldo Grima, são associados da Coopalm desde 2004 e têm uma renda superior a R$ 1.500 por mês apenas com a produção de palmito. “Toda a minha família é beneficiada e acredito que estamos transformando nosso futuro”, afirma. A produtora mora com a família no Assentamento Mata do Sossego, localizado no município de Igrapiúna (BA).
 

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