Comunicação

10h39

Projeto CO2 Neutro Pratigi permite compensar emissão de gás carbônico

Iniciativa gera renda para agricultores familiares e já recuperou 155 hectares com espécies nativas da Mata Atlântica em Área de Proteção Ambiental no Baixo Sul da Bahia, além de recuperar 97 nascentes.

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Calcular o quanto se libera de gás carbônico na atmosfera e amenizar essa emissão por meio de compensações. Essa é a proposta do Programa “Carbono Neutro Pratigi”. Coordenado pela Organização de Conservação da Terra (OCT), a iniciativa permite que qualquer pessoa ou empresa meça os impactos de suas ações no meio ambiente e busque compensá-las.

Para isso, basta acessar o site da OCT e informar quantas viagens aéreas a pessoa realiza por ano, qual o combustível utilizado em seu veículo, se faz a separação do resíduo que pode ser reciclado, entre outros dados. O resultado é exibido em números de árvores e valores em reais de quanto custaria o plantio. Assim, é possível financiar o serviço para que a Organização o realize.

Os recursos adquiridos financiam o reflorestamento de nascentes localizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi, localizada no Baixo Sul da Bahia. As mudas são plantadas em propriedades de agricultores familiares da região, sendo que cada produtor ganhará R$ 1 por unidade plantada. Dessa forma, o trabalhador poderá receber mais de R$ 1.500 ao ano, como Pagamento pelo Serviço Ambiental prestado, já que é possível dispor de até 1.666 árvores por hectare. “Estamos criando uma oportunidade a partir de um projeto socioambiental, fazendo com que todos se sintam responsáveis em contribuir”, pontua Volney Fernandes, Líder de Serviços Ambientais da OCT.

Uma dessas nascentes está localizada na propriedade do agricultor Jeovan Nascimento, 41 anos, morador da comunidade Juliana, município de Piraí do Norte (BA). Por permitir a geração de um serviço ambiental, como o plantio de espécies nativas ao redor da nascente, Jeovan está sendo remunerado. “Meus filhos e netos precisam conhecer o que é uma floresta”, assegura. “Meu pai encontrou a região devastada e fez um pasto, mas o gado não dá lucro aqui, porque chove muito. Quando apareceu a oportunidade da OCT, ele liberou áreas para a gente trabalhar”, completa.

Ao todo, já foram restaurados 155 hectares com espécies nativas da Mata Atlântica e Sistemas Agroflorestais (SAFs) – método de cultivo que reúne diferentes culturas, como cacau, seringueira e árvores frutíferas. Também já foram conservadas e recuperadas 97 nascentes nas áreas do projeto.

Além do pagamento via o site da OCT para os serviços ambientais (CO2 Neuro Pratigi) há outros parceiros que também contribuem com a recuperação das áreas como a CAR - Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional da Bahia, a Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, Oi Futuro e Fundo Nacional do Meio Ambiente.
A OCT realiza também outras ações que viabilizam o planejamento integrado da propriedade para a promoção do desenvolvimento da comunidade com base em uma economia de baixo carbono. Uma delas é a regularização ambiental, para a qual fornece assistência técnica aos agricultores familiares. Cerca de 545 agricultores já foram beneficiados.

Sobre a OCT

A OCT é uma das instituições ligadas ao Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de APAs do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), apoiado pela Fundação Odebrecht e parceiros do poder público e iniciativa privada. Trabalha sob a vertente ambiental e concentra suas ações em atividades que contribuem para a conservação de fragmentos florestais e reflorestamento da APA do Pratigi. Está fomentando a implantação de Corredores Ecológicos, o que permitirá a criação de conexões entre fragmentos de Mata Atlântica localizados no Corredor Central da Mata Atlântica, uma área com extensão que vai da Bahia ao Espírito Santo. “Temos um desmatamento anual de cerca de 700 ha na região. Precisamos reverter esse cenário”, destaca Fernandes.

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