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21h00

Fundação muda economia em 11 cidades

Programa da Odebrecht quer influenciar crescimento e reverter piores IDHs do país

A Fundação Odebrecht desembarcou há dois anos no Baixo Sul da Bahia com um projeto dos mais ambiciosos: transformar o perfil econômico dos 11 municípios que ostentam os mais baixos IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. A primeira providência foi localizar as vocações regionais das comunidades onde vivem cerca de 260 mil pessoas.

No caso de Presidente Tancredo Neves, é a cultura da mandioca que está sendo revitalizada; em Jatimane, comunidade de quilombolas, a cadeia produtiva da piaçava passa pela fase de implantação; em Torrinhas, a pesca predatória está sendo substituída pela criação de tilápias, que poderá favorecer outras quatro comunidades. Há também a cadeia produtiva da pupunha, do cacau, da ostra, da seringueira.

Todas as culturas têm como referencial a Casa Familiar Rural. É uma propriedade com a função de escola no campo, onde jovens entre 14 e 21 anos estudam a teoria aplicada à prática, recebem educação formal e retornam para casa a cada 15 dias com a tarefa de ensinar aos pais o que aprenderam.

Em Tancredo Neves, uma fazenda de 108 alqueires é o cenário onde a Fundação Odebrecht, em convênio e com o apoio da prefeitura, do governo do Estado, Ministério da Agricultura e Caixa Econômica Federal, instalou as primeiras turmas de jovens aprendizes da cultura da mandioca. Selecionados pelo critério da liderança, eles seguem à risca a TEO (Tecnologia Empresarial Odebrecht), caracterizada pela garimpagem de autênticos líderes. Essas figuras, que Norberto Odebrecht classifica como "seres humanos diferenciados", atuam em equipe, valorizam a cooperação e transformam os liderados num conjunto competente, equilibrado e multiplicador.

Em Tancredo Neves, os jovens têm quatro anos para estudar tudo sobre a cultura da mandioca. A formação profissional inclui aprendizado suficiente para transformar agricultura de subsistência em economia de geração de renda, trabalho, conhecimento aplicado e negócios. Grandes negócios, se depender da perspectiva de Joana Almeida, a coordenadora pedagógica de Tancredo Neves.

Joana lembra bem o trabalho que deu convencer os pais desses jovens a abrir mão dos filhos durante algum tempo. "Muitos se recusavam e nos acusavam de querer levar os filhos para longe", conta. "Hoje eles entendem que o objetivo do projeto é justamente comprometer o jovem com a terra e oferecer condições para que ele se desenvolva e desenvolva a região".

A educação pelo trabalho, a base da filosofia Odebrecht, pode transformar várias culturas em novos agronegócios. Na Casa Familiar Rural, 70 jovens aprendem a diferença entre dezenas de espécies de mandioca e a identificar o tipo apropriado a cada solo. Aprendem que mandioca pode ser aproveitada como farinha, fécula, amido, goma, base de alimento infantil e ração animal. A mandioca é uma riqueza, define Núbia Braga. Aos 20 anos, Núbia faz planos para quando ela e seus colegas terminarem o curso. "Vamos comprar uma propriedade financiada, plantar, colher e beneficiar nossa mandioca para vender com valor agregado em esquema de cooperativa", diz.

Esse esquema de aprendizado é reproduzido também em Torrinhas, na Casa Familiar do Mar, onde os jovens vão à escola para estudar e aprender a criar peixes. A liderança é do biólogo ambiental Roque Fraga, que dá assistência aos pescadores assim que os alevinos chegam aos tanques berçários. O ciclo de crescimento e engorda é de 20 semanas. As tilápias alcançam entre 800g e 900g. Cada produtor tem seus criadouros demarcados e todos fazem parte da cooperativa que envia o produto para beneficiamento (corte em filés e congelamento) em Ilhéus (BA).

Das tilápias são aproveitados hoje apenas 33%. Mas a comunidade faz planos de chegar a 100%, quando tiver sua própria usina de beneficiamento, o que pode acontecer já em meados do próximo ano. "É possível aproveitar pele, espinhas, cabeça, vísceras; a tilápia é o próprio boi da água", diz Fraga.

Esse modelo de cooperativa familiar tem aumentado a renda da comunidade de Torrinhas. Até dois anos atrás, quando começou a ser reproduzido, era raro algum pescador apurar mais de R$ 100 mensais. Hoje, são raros os que ganham menos de R$ 600. Com a cadeia funcionando, o meio ambiente preservado e um produto de qualidade aceito no mercado internacional, Fraga acredita que a criação de tilápias pode salvar a região. "Só precisamos cuidar para afastar os atravessadores, os intermediários, para que a venda seja feita de forma justa e que o lucro maior fique para os produtores".


Para Norberto Odebrecht, função do empresário é servir à comunidade
 
Norberto Odebrecht recorre ao alemão castiço para revelar a maior herança que recebeu dos pais: bildung. A palavra pode ser traduzida como formação, mas a essência remete à herança cultural que, enriquecida e apurada, vai reproduzindo gerações melhores. Bildung, para Odebrecht, resume também a cultura de sua empresa, um conglomerado que ele vem formando e aperfeiçoando desde a primeira metade do século passado e que é a grande herança que deixa para os cerca de 26 mil funcionários já na terceira geração e espalhados por todos os continentes. "Cada empresa tem a responsabilidade de introduzir no organograma uma cultura que possa ser passada às futuras gerações", diz. Essa cultura, segundo ele, garante a perenidade dos negócios.

Perpetuar os negócios é conseqüência da decisão de servir e não ser servido, uma fórmula que Norberto Odebrecht utiliza desde os anos 1940, quando herdou do pai uma construtora e uma imensa carteira de dívidas. Em compensação, lembra, a Emilio Odebrecht & Cia. tinha um time de mestres de obras treinados na filosofia do servir, que garantia qualquer empréstimo. Confiante na competência dos funcionários, Odebrecht estabeleceu um pacto com Banco da Bahia: pagaria as dívidas, sim, desde que o banco recomendasse sua empresa aos clientes. "Comecei minha vida profissional devendo uma fortuna, mas tinha uma equipe tão boa que consegui pagar em seis anos uma dívida que só pagaria em 90", conta. "O sistema financeiro de hoje não permitiria que eu fizesse isso".

Estabelecido o pacto com o banco, ele fez outro com os mestres de obras: entregar as encomendas antes do prazo. O acordo foi a ponte para mais um acerto, desta vez com os clientes: obras de melhor qualidade em menos tempo e por um custo menor. "Isso também faz parte da máxima do servir", explica o doutor Norberto, como é chamado. Servir, diz, é a função social do empresário. "Encontrar pessoas com talento e identificar protagonistas devem ser as metas do empresário; é preciso localizar pastores que conduzam os rebanhos".

Identificar lideranças também é parte integrante de um trabalho mais ambicioso, que o empresário importou da Organização Odebrecht para a Fundação Odebrecht. A Fundação chega aos 40 anos com uma reviravolta nas intenções e firmeza no propósito de desenvolver o Baixo Sul da Bahia - região de solo fértil, água abundante e uma beleza natural admirável, mas com uma população em sua maioria vivendo na pobreza e em meio a uma degradação ambiental inenarrável. Foi nessa região, no município de Valença, que a Odebrecht construiu a primeira obra, na época uma grande alavanca para os negócios. Justamente por isso, doutor Norberto quer retribuir às comunidades daqueles onze municípios o que essa obra representou para sua empresa.

Para o Baixo Sul da Bahia, Odebrecht levou a mesma filosofia. Aos 85 anos, ele continua acreditando que os projetos sociais devem funcionar em ligação direta com a cultura familiar, para cultivar e reproduzir gerações cada vez melhores. "A criança deve aprender que vida é trabalho, que lazer é trabalho e que tudo isso deve ser aprendido na prática", diz. "A teoria deve estar sempre a serviço da prática".

Um ingrediente dessa receita, segundo Odebrecht, é a formação de líderes educadores - "só assim não perderemos o rumo do desenvolvimento sustentável". Contando com esses líderes, diz ele, as famílias terão melhor educação e produzirão mais. "Com a produção de um lado e o consumo de outro, transforma-se trabalho em planejamento e músculos em cérebro", resume. Em algumas cadeias produtivas da região essa receita vem se materializando. "Mas ainda precisamos do parceiro social, que leve o produto ao consumidor", diz. "Na operação de compra e venda, precisa haver justiça; do contrário, o atravessador entra e deixa o pobre mais pobre".

Tal como em suas empresas, Odebrecht introduziu no Baixo Sul da Bahia a lógica da cooperação. "Vamos crescer em cima de nossas próprias estruturas", aconselha. "É assim que nossos projetos vão gerar riqueza moral e material". Essa filosofia de servir acompanha cada um dos integrantes das cadeias produtivas. Só assim, acredita, cada geração passará para a outra uma herança cultural enriquecida.

Fonte: Valor Econômico - 17 de novembro de 2005 -
Repórter: Silvia Torikachvili

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