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19h08

Programa forma jovens e os mantêm em suas cidades

A Fundação Odebrecht, em parceria com o governo da Bahia, Sebrae e Embrapa, reestruturou, no Baixo Sul da Bahia, a cadeia produtiva da mandioca, quebrando o ciclo da pobreza em 11 municípios.

“Eu sempre pensei que, quando crescesse, iria embora. Não via futuro profissional paramim. Mas mudei de idéia. Hoje sei que temos condições de desenvolver tecnologia, gerar renda e preservar o meio ambiente aqui mesmo na comunidade, mantendo nossas raízes”.

O relato de João Pinto, 18 anos, reflete a mudança de comportamento e – da realidade – de 1.800 famílias da região de Tancredo Neves, no sudeste da Bahia. Ele pertence ao grupo de 70 jovens que há dois anos participa do curso de formação  profissional oferecido pela Casa Familiar Rural. As atividades são baseadas na “pedagogia da alternância”, que mescla períodos de uma semana em regime integral com aulas teóricas e práticas e duas semanas de aplicação dos conhecimentos na propriedade familiar, sob a orientação de monitores. Quando volta para casa, os jovens como João Pinto, levam para sua família novos conhecimentos sobre a principal fonte de renda na região: o plantio da mandioca.

A Casa Familiar Rural é um dos elos que compõem os investimentos na cadeia produtiva da mandioca realizado pelo DIS Baixo Sul – Programa de Desenvolvimento Integrado do Baixo Sul da Bahia. Inaugurado em 2003, é resultado de uma parceria entre a Fundação Odebrecht (www.fundacaoodebrecht.org.br), o governo do Estado da Bahia e diversas entidades, como o Sebrae e a Embrapa.

Fundação disponibiliza recursos técnicos

Às vésperas de completar 40 anos, a Fundação Odebrecht concentra hoje todos os seus recursos técnicos e financeiros no programa. Cerca de R$ 24 milhões já foram investidos na região.

Norberto Odebrecht, 85 anos, fundador da entidade e da empresa que leva o seu nome, justifica: “Os jovens deixam seus municípios por falta de oportunidade profissional e pessoal. Eles são pobres porque produzem menos do que o necessário para uma vida digna, mesmo trabalhando muito. As cadeias produtivas são uma chance de essas famílias terem acesso à tecnologia e agregarem valor aos produtos”.

A Fundação Odebrecht pretende agora consolidar o que considera um modelo eficaz e replicável, inspirador de políticas públicas. Para Norberto Odebrecht, o diferencial do programa da Fundação é a integração de quatro tipo de “capitais”: o produtivo (conjunto de recursos para a geração de trabalho e renda para os habitantes da região), o humano (escolas para educação rural), o social (ações para facilitar o acesso à cidadania, como a documentação básica) e o ambiental (projetos que visem ao uso sustentável da natureza).

População lucra conservando a natureza

Em Tancredo Neves, a reestruturação da cadeia produtiva da mandioca (que inclui a formação de uma cooperativa) fez com que a produção dos agricultores passasse de 8 para 25 toneladas da raiz por hectare.Um dos segredos para a expansão é o fim do desperdício – além do uso tradicional do produto, a mandioca pode dar origem a mais de 200 produtos. E pode servir também de ração para peixes, como já ocorre na cadeia produtiva da Aqüicultura, no município de Cairu. Outro elo formado pelo Programa DIS Baixo Sul.

“A natureza está sendo destruída, mas estamos aprendendo a conservá-la. Antes do programa não tínhamos noção de quanto ganhávamos com a venda dos peixes. Hoje consigo controlar meus gastos, fazer planos”, comemora o vice-presidente da Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aqüicultores (Coopemar), Orlando da Hora Santos.

Roque Fraga, biólogo da Coopemar, conta que o diferencial do trabalho é a profissionalização: “Nossa idéia é sermos respeitados no mercado, eliminando intermediários. A criação de tilápias em tanques-rede é uma opção à pesca extrativista, suficiente para a subsistência. São 22 famílias envolvidas diretamente na produção.”

A Cadeia Produtiva da Aqüicultura, assim como as outras, é um instrumento para a quebra do ciclo da pobreza no Baixo Sul, regiãocom11 municípios e 270 mil habitantes. “Não basta dar o peixe nem ensinar a pescar”.

Precisamos aprender como criá-lo e como preservar sua espécie”, completa o pescador Orlando Santos, casado, pai de 3 filhos.

Fonte:
Jornal da Tarde, 28 de novembro de 2005.
Repórter: Luanda Nera.

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