Comunicação

18h40

Convênio da Fundação Odebrecht com BID marca reconhecimento internacional de modelo de desenvolvimento sustentável

O objetivo é fortalecer e ampliar o alcance e do Programa Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul,

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides), a Fundação Odebrecht e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) formalizam no dia 13 de novembro um acordo de cooperação no valor de US$ 2,2 milhões.

O objetivo é fortalecer e ampliar o alcance e do Programa Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul, assim como replicá-lo pelo país como modelo bem-sucedido de desenvolvimento sustentável de comunidades de baixa renda em áreas de proteção ambiental.

Estarão presentes ao evento de assinatura do convênio, na sede do Ides em Tancredo Neves (BA), Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social, Norberto Odebrecht, presidente do Conselho Curador da Fundação Odebrecht, e Carlos Guimarães, representante do BID.O Programa DIS Baixo Sul foi criado em 2003 pela Fundação Odebrecht.

Ao aportar recursos, por meio do seu Fundo Multilateral de Investimentos, o BID reconhece o impacto positivo da experiência, a consistência dos resultados já obtidos e seu potencial de replicação em todo o país.O DIS Baixo Sul compreende quatro cadeias produtivas (mandioca, peixe, palmito e piaçava) organizadas em torno de cooperativas, duas experiências educacionais (as Casas Familiares Rural e do Mar e a Casa Jovem), uma entidade (Organização de Conservação de Terras) - que administra 86,5 mil hectares da Área de Proteção Ambiental do Pratigi - e o Instituto Direito e Cidadania, cuja finalidade é ampliar o acesso dos moradores dos 11 municípios a direitos básicos de cidadania.

Entre outros objetivos, o Programa fundamenta-se na idéia de promover o desenvolvimento sócio-econômico de comunidades de baixo IDH, localizadas em áreas de proteção ambiental. Para tanto, combina ações que organizam os pequenos produtores rurais em torno da melhoria da produtividade de seus negócios com educação rural de qualidade para crianças e jovens, uso sustentável dos recursos e incentivo ao exercício de direitos básicos de cidadania.

De acordo com Norberto Odebrecht, presidente da Fundação Odebrecht, trabalho, educação e melhor produtividade resultam em maior renda, mais capacidade de poupança e mais formação de riqueza - este é um raciocínio simples que pode desarmar a "armadilha da desigualdade". Os bons resultados do DIS Baixo Sul confirmam essa tese. E apresentam um novo modelo, eficaz, para ser replicado no desenvolvimento de muitas comunidades de baixa renda espalhadas pelo país.

Os recursos previstos no convênio deverão financiar:

- a melhoria da gestão dos negócios mediante a capacitação dos produtores para temas organizativos, produtivos, administrativos, financeiros e comerciais;
- o acesso dos produtores a novos mercados, a partir da melhoria da qualidade da oferta dos produtos e do aproveitamento de oportunidades de comercialização em mercados que valorizam o comércio justo e mais sensível aos temas sociais e ambientais;
- a sistematização do Programa, o seu monitoramento e a disseminação dos resultados, com o objetivo de difundir o modelo por meio de seminários e conferências dentro e fora do Brasil.
Segundo Norberto Odebrecht, um dos diferenciais do DIS Baixo Sul é a integração das dimensões econômica, social e política, representada na composição de alianças estratégicas entre o primeiro, o segundo e o terceiro setores.

Para ele, não há desenvolvimento possível sem a "amarração das três pontas". "Os jovens deixam os municípios em que vivem, no interior, por falta de oportunidade de realização pessoal e profissional. Suas famílias são pobres porque produzem menos do que o necessário para uma vida digna. Mesmo trabalhando muito, produzem pouco. Se tiverem a oportunidade de aumentar a produtividade de seu trabalho, elas podem produzir mais e melhor", destaca. "A renda crescente permite que passem a poupar. Ao investirem o que poupam, aumentam sua renda de modo sustentável, tornando-se moral e materialmente ricas", continua.

Ainda segundo ele, as cadeias produtivas constituem uma oportunidade para que as famílias se organizem em cooperativas, tenham acesso à tecnologia para melhor a produtividade dos cultivos (setor primário), possam agregar valor aos produtos por meio beneficiamento adequado (setor secundário) e consigam colocar esses produtos nas gôndolas dos supermercados dos grandes centros urbanos do país e do exterior (setor terciário), remunerando diretamente os produtores de forma justa. "Com isso, as famílias passam a ter condições de viver dignamente do seu trabalho", completou.

Capitais produtivos

Outro diferencial importante do DIS Baixo Sul, segundo Norberto Odebrecht, é a sinergia de quatro tipos de capitais: produtivo, humano, social e ambiental. O primeiro é o conjunto de recursos capazes de gerar oportunidades de trabalho e renda dignas para as comunidades. Nele encaixam-se as atuais cadeias produtivas da Mandioca, do Palmito e da Aqüicultura, representadas respectivamente pelas cooperativas Coopatan, Coopalm e Coopemar, e pela Cadeia Produtiva da Piaçava, em implantação.

Já o capital humano reúne valores, atitudes e conhecimentos que possibilitam que as pessoas de uma comunidade desenvolvam seu potencial, aproveitem oportunidades e vivam produtivamente do trabalho. Nele inserem-se as Casas Familiares Rurais e do Mar e a Casa Jovem, cuja finalidade é oferecer educação rural de qualidade e formação técnica e empresarial.

O capital social consiste na capacidade de uma comunidade partilhar objetivos comuns de longo prazo, produzir conexões sociais em torno desses objetivos e manter-se fiel a eles. A principal ação geradora de capital social no baixo Sul é o Instituto Direito e Cidadania (IDC) que tem como desafio fomentar a prática da cidadania e da democracia, por meio da conscientização das comunidades de seus direitos civis, do acesso à justiça e à documentação básica.

Por fim, o capital ambiental reúne os recursos advindos do meio ambiente local e do uso sustentável do legado da natureza. Em torno deste capital foi criada a Organização de Conservação de Terras (OCT) para conservar a área de proteção ambiental do Pratigi. O programa promove ainda a educação ambiental.

Fonte: Portal Ethos, 13 de novembro de 2006.
Acesso - www.ethos.org.br

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