Comunicação

17h11

Cooperativa é modelo para sustentabilidade

Fonte: Jornal A Tarde, 17 de novembro de 2008.

Fonte: Jornal A Tarde, 17 de novembro de 2008.
Repórter: Márcia Melo.
Editoria: Caderno Especial Eco Negócios, p.14.

A região do baixo sul do Estado da Bahia, composta por 11 municípios, abrange hoje uma população de cerca de 260 mil habitantes, onde 62% vivem na zona rural com renda média de até R$ 150 reais mensais, e 30% não possuem Carteira de Identidade. Essa realidade contrasta com a beleza natural da região, um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica do país, hoje patrimônio histórico-cultural que oferece boas condições ambientais para o desenvolvimento de diversas atividades produtivas, a exemplo da agricultura, pesca e turismo.

Na busca por transformar essa realidade, há cinco anos foi criado o Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul (DIS), uma parceria entre a Fundação Odebrecht, a Associação de Municípios do Baixo Sul , o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides) e o governo da Bahia.

Coordenado pela Ides, o projeto promove oportunidades de desenvolvimento integrado e sustentável através da conservação do meio ambiente, da educação rural e das cadeias produtivas (mandioca, aqüicultura, palmito e piaçava), que levam oportunidades de trabalho e renda para as comunidades dos municípios de Cairu, Camamu, Ibirapitanga, Igrapiúna, Ituberá, Maraú, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá e Valença.

OSCIPS Ao todo, são 13 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) e quatro cooperativas ligadas ao Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul da Bahia. A segurança empresarial do Programa é garantida pela empresa londrina de consultoria e auditoria PricewaterhouseCoopers.

De acordo com a Fundação Odebrecht, entre 2003 e 2008 foram investidos R$ 74 milhões, o que resultou num beneficio direto e indireto para cerca de 9.700 pessoas da região. A Cadeia Produtiva da Mandioca tornou possível a reestruturação de um cultivo consolidado. Quem lidera o processo é a Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan).

Ao todo, 315 cooperados estão integrados ao projeto.

As famílias cooperadas tiveram acesso à tecnologia da Embrapa, parceira do programa, que ajudou na implantação de um Campo de Experimentação no município de Presidente Tancredo Neves. Técnicas de manejo do solo, contenção de encostas, produção e beneficiamento garantiram maior qualidade e produtividade: a média passou de 9 para 20 toneladas por hectare t, com picos de 68 t/ha em algumas propriedades.

A fábrica de farinha, de propriedade dos cooperados, dispõe de avançada tecnologia. Ao contrário das que predominam na região, a fábrica funciona sem mão-de-obra infantil, com rigoroso controle de higiene e utiliza tecnologias limpas, como o uso de madeira renovável nos fornos e tratamento de resíduos. O produto final é comercializado em grandes redes varejistas, e já foi exportado para Angola.

PALMITO A Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul (Coopalm) integra 362 famílias que utilizam uma tecnologia originária do Equador e da Costa Rica, adaptada às características da região. O processo começa com a compra de sementes de qualidade, da variedade sem espinhos.

Essas sementes germinam na Biofábrica de Plântulas de Pupunha, implantada pelo Governo do Estado da Bahia, no município de Camamu, com capacidade para germinação de 11 toneladas de sementes, enviveiramento de 250 mil mudas e produção anual de 2,4 milhões de plântulas.

O cooperado Francisco dos Santos, 42 anos, casado e pai de quatro filhas, tinha terras improdutivas e decidiu revitalizá-las. Hoje cultiva cacau, cravo, mandioca, feijão e banana. Três hectares são destinados a uma plantação de palmito de pupunha, iniciada em 2006 com o incentivo da Coopalm. “Eu plantava, colhia e secava a roça de cacau de outras pessoas e ficava só com 10% do lucro. Hoje, no mês, consigo uma renda entre R$ 700 e R$ 800. Metade vem do palmito”, afirma.

As hastes, entregues à cooperativa, são beneficiadas na Ambial, indústria prestadora de serviços, parceira da Coopalm. Os palmitos são envazados nas modalidades inteiro, picado e aperitivo, totalizando 13 variedades. O produto tem certificados de Gestão da Qualidade (ISO 9001) e do sistema de gestão de segurança alimentar Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Atualmente, o palmito Cultiverde, que já foi exportado para a França, Estados Unidos, Angola e Alemanha pode ser encontrado na Bahia, em Sergipe, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro.

A Cadeia Produtiva da Aqüicultura, liderada pela Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aqüicultores do Baixo Sul da Bahia (Coopemar), atualmente beneficia 42 famílias e está viabilizando a criação de tilápias estuarinas em tanques-rede. Segundo Marcos Diniz, diretor da fundação Odebrecht e responsável pelas parcerias comerciais e sociais da DIS Baixo Sul, a produção chega a uma média de 22 toneladas de peixe congelado ao mês.

A receita mensal gerada pela Coopemar é de aproximadamente R$120 mil. A renda média mensal dos cooperados passou de R$ 200 para R$ 600. A mais nova cooperativa do Programa, das Produtoras e Produtores Rurais da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (Cooprap), lidera a Cadeia Produtiva da Piaçava, que envolve 64 famílias das comunidades quilombolas.

A Cooprap ainda reintroduziu na região o artesanato com base no coco, na palha e na fibra da piaçava, além de implantar uma fábrica de vassouras e integrar hortas comunitárias, a meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) e a produção de defumados.

A cooperada Cremilda dos Santos, 39 anos, moradora de Lagoa Santa, em Ituberá, há dois anos faz parte da Cooprap e garante uma renda extra de R$ 300 reais ao mês, produzindo peças com base na fibra da piaçava. “Não temos mais atravessadores. Produzimos e sabemos quanto vamos ganhar no final do mês”, diz.

O presidente executivo da Fundação Odebrecht, Mauricio Medeiros, explica que a proposta é também catalisar parceiros, o que facilita o acesso a grandes empresas e organizações pelas instituições locais. “Em 2006, o Banco Interamericano de Desenvolvimento aportou US$ 1,1 milhão no programa. Já em 2007 foi a vez da Organização das Nações Unidas (ONU) se tornar parceira da iniciativa”.

Jovens têm aulas na sala e no campo

Dentro das ações que integram o DIS Baixo Sul estão as Casas Familiares, que oferecem a mais de 1.200 jovens dos municípios de Presidente Tancredo Neves, Cairu, Nilo Peçanha e Igrapiúna o acesso à educação. Nessas casas, a metodologia utilizada é chamada de Pedagogia da Alternância, onde os jovens passam uma semana em regime de internato, com aulas na sala e no campo, e duas semanas em suas propriedades, aplicando os novos conhecimentos adquiridos, sob a orientação de monitores especializados.

Além das Casas Familiares o programa ainda conta com a Casa Jovem, localizada em Igrapiúna, que promove a capacitação de professores da rede pública de ensino com o desenvolvimento de uma tecnologia educacional voltada para o trabalho rural. No total, mais de 1.200 jovens são beneficiados diretamente pelo projeto.

CAPITAL AMBIENTAL O capital ambiental do baixo sul ainda recebe estímulos de organizações que concentram esforços nas articulações de políticas públicas e na mobilização de recursos que auxiliam na conservação do solo, da flora, da fauna e dos recursos hídricos, por meio de projetos sustentáveis e inclusivos, a exemplo da Organização de Conservação de Terras (OCT) e da Associação Guardiã da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (Agir), que permite a integração social entre as comunidades da região, que tem uma população de 83 mil habitantes, o equivalente a 26% do baixo sul da Bahia.

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