Comunicação

11h38

Gente de Fibra

Associados da Cooprap estão reescrevendo a história de suas comunidades

Em mãos habilidosas, os cocos, palhas e fibras de piaçava se transformam. Cada novo formato é resultado de um toque diferente, concebido pelo artesão, que se encanta ao ver o trabalho finalizado. Todas as peças são únicas. Os responsáveis por dar forma a cestas, bolsas, bandejas, luminárias, entre outras, são os associados da Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (Cooprap) - instituição que busca impulsionar o desenvolvimento de comunidades quilombolas, por meio da geração de trabalho e renda. Essa gente de fibra está reescrevendo a história de 20 comunidades do Baixo Sul da Bahia.

São 178 associados que, de acordo com suas vocações, atuam ainda na elaboração de biojoias, colheita e beneficiamento da fibra de piaçava – material comercializado e utilizado na confecção de vassouras na Indústria Cidadã, fábrica implantada em Nilo Peçanha (BA) pelo Governo do Estado e administrada pela Cooprap. Santilia dos Santos, 49 anos, é uma delas. A moradora da comunidade quilombola Lagoa Santa, em Ituberá (BA), multiplicou a renda da família com a produção de artesanato e influenciou as vizinhas. “Todo mês, elas viam o dinheirinho que entrava. Isso fez com que todas resolvessem aderir”, conta a artesã, que integra a Cooperativa desde sua criação em 2005.

Foi em sua propriedade a instalação do primeiro catadouro. A unidade visa agregar valor à fibra de piaçava e promover aumento da renda familiar, pois permite cortar as fibras no tamanho apropriado, penteá-las e arrumá-las em diferentes bobinas. Para Carlos Rabello, Líder da Aliança, esse é o futuro da Cooperativa. “O processo refinado contribui para a valorização do material ao chegar à fábrica de vassouras para ser comercializado, conferindo maior remuneração ao trabalho”, assegura. Atualmente, quatro catadouros funcionam no Baixo Sul. A iniciativa é fruto da ação conjunta entre a Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf) e Cooprap, com o apoio do Tributo ao Futuro – programa que fomenta ações certificadas pela Fundação Odebrecht por meio de destinações de Imposto de Renda dos integrantes da Organização Odebrecht.

A família de Santilia comemora. “É uma oportunidade que conquistamos”, diz sua filha Maria Aparecida dos Santos, de 15 anos. Maria estuda na Cfaf e ao lado da mãe produz também artesanato. “Desejo ser uma grande empresária rural, trabalhar com piaçava e não sair da minha comunidade”, garante a jovem. “É um orgulho, sou feliz por crescer com a minha região”, afirma Santilia.

Em conjunto com a Indústria Cidadã e os parceiros sociais Walmart, Tok&Stok, GBarbosa e Ebal, a Casa Familiar e a Cooperativa, que em 2010 conquistou a ISO 9001, formam a Aliança Cooperativa Estratégica da Piaçava. ”Essa integração se configura em uma alternativa de renda digna para as famílias. Aliado a isso temos a formação daqueles que serão os cooperados do amanhã”, destaca Rabello.

Formação Continuada
Os associados da Cooprap contam com o apoio de um especialista, que visita as
propriedades garantindo a qualidade das fibras de piaçava. Outros dois técnicos acompanham a produção de artesanatos e biojoias, contribuindo para que os cooperados se aprimorem. “Estamos sendo capacitados. Aprendemos a inserir a prata, o que tornou as peças mais atraentes e bonitas”, destaca o associado Esdras Coutinho. O morador de Taperoá (BA) participou da confecção da primeira linha de biojoias lançada pela Cooprap.

Em Destaque!
De raízes quilombolas, a comunidade de Lagoa Santa guarda segredos e histórias. Seu nome descreve exatamente o principal atrativo do lugar: uma lagoa de água sagrada, que promete a cura e prevenção das mais diversas doenças. É possível ver o céu refletido em um espelho d’água, onde não se encontra uma só folha, apesar de ser rodeada por árvores. Dizem os moradores ser esse um de seus grandes mistérios. Às margens desse cenário exuberante, 35 mulheres se reúnem para produzir artesanato. Unindo a palha e a fibra da piaçava, elas dão forma a inúmeras peças. Todas são associadas à Cooprap. Maria da Conceição é um exemplo. Ao lado de sua filha, Meriane da Conceição, a quem ensinou o ofício de artesã, se reúne todas as noites. Mãe e filha comemoram os resultados dessa união. “Juntas, conseguimos construir uma nova moradia. Se não fosse o artesanato, ainda estaríamos na casa de taipa. Hoje temos uma casa feita de tijolos e com três quartos”, comemora Maria.

Você Sabia?
Em 2011, a Cooprap lançou sua primeira linha de biojoias. Chamada de APA do Pratigi, a coleção reúne 26 peças e está sendo divulgada em feiras de artesanato internacionais com o apoio da Apex-Brasil.

Receba nossas novidades:
Basta informar seu nome e melhor e-mail!
2018 - 2019. Fundação Odebrecht. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital