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Edição 114 - Ensinando para a realidade

Casa Familiar Rural, programa com a participação da Fundação Odebrecht, forma jovens empresários rurais.

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Jovens da Casa Familiar Rural

Tornar-se um grande produtor rural é o sonho de quase todo morador do município de Presidente Tancredo Neves, no Baixo Sul da Bahia. A cidade, de economia predominantemente agrícola, possui solo e condições climáticas favoráveis ao cultivo de vários tipos de cultura, como mandioca, cacau, guaraná e dendê. Apesar disso, Tancredo Neves é marcada pela pobreza, exclusão social e baixa qualidade de ensino. Os produtores trancredenses, por não terem acesso à educação e estarem alheios a novas tecnologias, utilizam técnicas de plantio obsoletas e ineficientes, que contribuem para perpetuar esse ciclo de estagnação econômica e social na cidade.

“Eu amo o lugar onde nasci, mas comecei a me sentir muito desmotivada e estava decidida a sair daqui”, conta Mariene da Silva Barbosa, 18 anos, que trabalha no cultivo de mandioca desde os 13 anos de idade. “Mas agora que eu estou participando da Casa Familiar Rural, minhas esperanças começaram a se renovar”. Mariene e outros 34 jovens fazem parte, desde março, da primeira turma da Casa Familiar Rural (CFR), uma escola agrícola diferenciada, voltada para a formação de empresários rurais capazes de transformar a realidade do lugar onde vivem.
A CFR é um dos projetos do Programa de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável do Baixo Sul, desenvolvido através de uma parceria entre o Governo da Bahia, a Associação dos Municípios do Baixo Sul (Amubs), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides) e a Fundação Odebrecht.

Adequando o ensino profissionalizante à realidade local, a Casa Familiar Rural dá uma nova visão de negócio rural para esses jovens. “O agricultor já traz consigo uma cultura, adquirida no dia-a-dia do trabalho, que nós reconhecemos e valorizamos. Vamos fazer com que eles ampliem esse conhecimento”, explica Joana Almeida, coordenadora pedagógica da Casa Familiar.
A CFR utiliza uma metodologia de ensino chamada Pedagogia da Alternância. Nesse modelo, o jovem passa uma semana na CFR, em regime de internato, e outros 15 dias em sua propriedade. A casa-sede fica na Fazenda Novo Horizonte, de 120 hectares, cedida em comodato pela Prefeitura de Presidente Tancredo Neves, com o apoio do Ministério da Agricultura e da Caixa Econômica Federal. No período em que estão na sede, os alunos têm aulas teóricas de matemática, português e biologia e, principalmente, aulas práticas sobre produção agrícola. “As contas eu acho um pouco difícil entender, mas a parte da roça é comigo”, diz Edson Santos, 20 anos.

Para as aulas práticas, a CFR contou com o apoio da Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Cooopatan), que custeou o plantio de mandioca em 12 hectares da Fazenda e transformou os alunos em cooperados. “Após a colheita, todo o dinheiro será revertido para os próprios alunos. Assim, eles já vão aprendendo a cuidar do primeiro negócio deles”, salienta Luciano Bonaccinni, Diretor-Executivo da Casa Familiar Rural. No campo, os jovens conhecem diversas espécies de mandioca e modernas técnicas de plantio para aumentar a produtividade e a qualidade da raiz. Essa tecnologia avançada é oferecida pela Embrapa, outro parceiro da CFR.

Nas duas semanas em que ficam em suas propriedades, os alunos aplicam e discutem o que aprenderam com seus pais e compartilham seus conhecimentos com a comunidade. Durante esse período, monitores da CFR visitam as propriedades para acompanhar os alunos. “Isso vem despertando o interesse dos vizinhos, que toda hora me perguntam como é que se faz para entrar na Casa Familiar Rural” conta Marcos Eduardo de Santana, 18 anos.

Os ciclos de alternância são temáticos, para possibilitarem o estudo aprofundado das vocações produtivas da região. Embora o foco seja a formação empresarial, assuntos como informática, ecologia, arte, cultura e saúde também fazem parte do plano de estudo. “Tão importante quanto nos formarmos como empresários, é nos formarmos como cidadãos”, destaca Mariene Barbosa, líder da turma. “Aqui eu estou ganhando visão de futuro, visão empresarial. Mas também estou aprendendo a buscar não só meu crescimento, mas o crescimento da minha região, da minha comunidade.”

OI Julho/Agosto 2004


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