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Edição 126 - A certeza de um destino

Contratos de parceria impulsionam a comercialização dos produtos das cooperativas do Programa DIS Baixo Sul.

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O aqüicultor Agnaldo Silva

Texto: Vivian Barbosa


Fotos: Almir Bindilatti

O aqüicultor Agnaldo Silva acorda todos os dias às 5h30 da manhã. “O sol ainda tá esquentando”, diz. Antes das 7 horas, ele já está no porto do estuário de Torrinhas (a 320 km de Salvador, no município-arquipélago de Cairu), pegando a canoa para sua primeira tarefa: alimentar as tilápias que cultiva em tanques-rede. Agnaldo chega a fazer isso cinco vezes ao dia. “Só termino às cinco da tarde. Uma vez por mês, faço a limpeza dos tanques, e uma vez por semana vou à Cooperativa pegar a prescrição da ração.”

Agnaldo tem 52 anos e integra a Coopemar – Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aqüicultores do Baixo Sul da Bahia, que lidera a Cadeia Produtiva da Aqüicultura na região. Antes de se associar à cooperativa, Agnaldo praticava a pesca predatória e complementava a renda com a extração da piaçava. “Eu ganhava pouco. O marisco acabou e eu tinha dificuldade para sustentar meus seis filhos. Hoje, em três meses de trabalho, já posso fazer a despesca e recebo quase R$ 1.800,00.”

Os filés das tilápias estuarinas de Agnaldo e dos aqüicultores de Torrinhas, Tapuias, Alves e Canavieiras – comunidades de Cairu – estão à venda em lojas da Cesta do Povo, em Salvador e no interior do estado. A comercialização se tornou possível com a assinatura de um contrato de parceria entre a Coopemar e a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em maio deste ano. A Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm) e a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) também são parceiras.

As cadeias produtivas da Mandioca, Aqüicultura e Palmito são projetos do DIS Baixo Sul – Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul da Bahia, uma parceria entre o Governo do Estado, a Associação dos Municípios do Baixo Sul (Amubs), a Fundação Odebrecht e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides).

Além da Cesta do Povo, os produtos do DIS Baixo Sul estão à venda em algumas lojas do Bompreço (em parceria com a Wal-Mart), G. Barbosa, Hiper Ideal, Mercantil Rodrigues, Perini e pequenas redes de supermercados. No entanto, o modelo almejado para a comercialização desses produtos transcende o convencional. A meta é que o consumidor pague mais por produtos com garantia de origem, reconhecendo nisso um apoio ao processo de desenvolvimento de uma região. Essa nova lógica de comercialização é conhecida como Comércio Justo.

Um importante passo em busca desse modelo está sendo dado com a negociação do primeiro lote de palmito de pupunha da Coopalm para exportação por meio da Alter Eco, empresa francesa importadora e distribuidora de produtos do Comércio Justo. “É uma oportunidade de agregarmos valor ao nosso produto. Saímos da venda convencional para a consciente. Pelo Comércio Justo, o consumidor saberá que está pagando um pouco mais para beneficiar unidades-família e fortalecer a agricultura familiar”, diz Emile Machado, Diretora Executiva da Cadeia Produtiva do Palmito.

As cadeias trabalham agora na diversificação de seus produtos. Já foram desenvolvidas compotas de abacaxi e de jaca e ostra enlatada. “Apostamos também em outros produtos como a farofa pronta, purê instantâneo de mandioca, patê de tilápia e a sopa creme de palmito em lata. Estamos na fase de testes e trabalhando para disponibilizar esses produtos no mercado”, explica Jorge Luz, Diretor Comercial do Ides.

Confiante nos avanços, o aqüicultor José Santos, que está sendo capacitado na Coopemar, não esconde sua ansiedade. “Quero receber logo meus tanques e criar meus peixes. Já aprendi a alimentá-los na hora e na medida certa. Tenho 43 anos e a vida toda pratiquei pesca predatória, mas só agora estou aprendendo a pescar de verdade.”

Loja em Nilo Peçanha vende peças de artesanato

Em maio foi inaugurada a loja da Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da APA do Pratigi (Cooprap), em Nilo Peçanha, no Baixo Sul da Bahia. Nela são comercializadas peças de artesanato feitas à base da fibra da piaçava, como bolsas, sousplats (suportes para pratos) e biojóias. “Mais de 60 cooperados já estão na linha de produção e outros 100 em fase de capacitação”, afirma Maria Helena Costa, designer e instrutora do curso, que beneficia 12 comunidades da região.

A loja funciona em espaço cedido pela Prefeitura de Nilo Peçanha, no mercado municipal. Uma unidade maior será construída no trevo de Cairu (em terreno também cedido pela Prefeitura, na BA-001): a Deli Produtos do Pratigi.

Outros centros de resultado irão integrar a Cadeia Produtiva da Piaçava. Hortas comunitárias estão sendo implantadas em quatro comunidades.

A meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão, está na fase de multiplicação de colméias. Já a produção de defumados teve seu projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (Secomp), Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Sebrae.


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