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Edição 136 - Reflexões para a construção de um mundo melhor

Congresso do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas reúne líderes em Salvador para debater experiências locais e transformações globais

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Abertura do Congresso: o globo, de mão em mão, representando os cuidados que se deve ter com o planeta


Texto: Vivian Barbosa


Fotos: Motta Rozados

De mão em mão, um globo terrestre inflável, com cerca de 1  metro de diâmetro, percorreu o grande salão do Pestana Hotel, em Salvador, que comportava mais de 750 pessoas. A forma cuidadosa como cada um conduzia o globo representava a atenção que devemos ter com o planeta. Essa dinâmica marcou a abertura do 5º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado, realizado na capital baiana, pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).

Foram três dias de debates, 57 palestrantes nacionais e internacionais e mais de 250 postos de trabalho gerados em um evento que reuniu lideranças ligadas a governos, empresas, organizações da sociedade civil, universidades e imprensa, entre 2 e 4 de abril. O congresso teve como patrocinadores-anfitriões a Fundação Odebrecht, sócio-fundadora do GIFE, e a Braskem, associada ao grupo desde outubro de 2007.

A escolha da capital baiana para sediar, pela primeira vez, o evento foi resultado de um extenso debate entre os membros do conselho da instituição. “A Bahia tem características especiais, considerando o tema do encontro [Experiências Locais, Transformações Globais]. O estado pode ser visto como uma síntese dos desafios e potenciais brasileiros”, explica Fernando Rossetti, Secretário-geral do GIFE. “Buscamos fazer o congresso com a Bahia e não para a Bahia. É um privilégio dizer que tivemos uma platéia qualificada. Aqueles que assistiram aos debates poderiam estar no lugar dos palestrantes”.

ESPÍRITO DE SERVIR

Em seu discurso de boas-vindas aos congressistas, Maurício Medeiros, Presidente-executivo da Fundação Odebrecht, enfatizou que a Fundação colocou a serviço do GIFE um dos mais belos princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) - o espírito de servir. “Ao servir ao GIFE, estamos servindo à causa que nos une, que é contribuir para a construção de um mundo melhor, com base na justiça, no respeito e na solidariedade. Foi por acreditar e persistir nesta causa que nos unimos ao GIFE há 18 anos, antes mesmo da sua constituição formal, em 1995. Acreditamos que somente seremos bem-sucedidos se nos articularmos, criando parcerias em torno de objetivos comuns”, defende Medeiros.

Para Humberto Garrido, Responsável pelo Programa de Responsabilidade Social da Braskem, o apoio ao congresso reafirma o posicionamento da empresa na vanguarda das instituições que têm como meta a transformação social. “A Braskem, em seis anos de existência, conseguiu sair de uma atuação local e se tornar uma empresa com presença significativa no Brasil e com atuação internacional. Por isso, temos um compromisso muito forte com a área social”.

Garrido conta que a associação com o GIFE objetivou integrar a Braskem a um grupo que congrega os maiores investidores sociais privados do país. “Nossa empresa é jovem e para nós é importante o aprendizado a partir das experiências de outras instituições”.

PRIORIDADE PARA OS JOVENS

Os resultados do Censo GIFE 2007-2008 foram divulgados durante o Congresso. A quarta edição do censo mostrou que os associados investiram R$ 1,15 bilhão em ações sociais no ano de 2007. Atualmente, o GIFE tem 112 institutos, fundações ou empresas a ele associados.

A população jovem foi o segmento priorizado. Ao todo, 96% dos 80 membros do grupo que responderam à pesquisa trabalham, não exclusivamente, com o público de 15 a 24 anos, apoiando iniciativas nas áreas de educação, formação para o trabalho e geração de renda. Com o objetivo de discutir o amadurecimento das práticas para a juventude e evidenciar os principais obstáculos para quem atua nessa área, uma das mesas do evento trouxe a temática “Escala, Impacto Social e Juventude”. O debate foi coordenado por Marta Castro, Responsável por Relações Institucionais da Fundação Odebrecht.

A palestra de abertura do 5º Congresso GIFE foi proferida por Robert Dunn, Presidente do Synergos Institute e fundador do Business for Social Responsability. Considerado um líder global no campo da responsabilidade social de empresas e das políticas públicas de apoio ao setor, Dunn fez constatações sobre o atual estágio do investimento social privado - uso voluntário e planejado de recursos privados em projetos de interesse público – além de traçar tendências para a atuação social empresarial.

Dunn salientou que por muito tempo a prática da responsabilidade social esteve ligada a obrigações como conservar o meio ambiente e pagar impostos. Com o investimento em projetos sociais, as empresas buscam acompanhar as doações e estabelecer parcerias, colaborando para mudanças efetivas. “É papel de todos contribuir na busca pela paz. Se cada um respeitar seus valores e permanecer em consonância com aqueles que sonham o mesmo, vamos fazer a esperança ficar viva”.

IDÉIAS PARA SUPERAR DESAFIOS GLOBAIS

André Carvalho, pesquisador, da Fundação Getúlio Vargas: “As empresas precisam pensar estrategicamente como ser sustentáveis, protegendo a essência de seus negócios sem deixar de pensar em novas tecnologias que não afetem o amanhã”.

Anna Maria Peliano, socióloga, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): “O entendimento das empresas sobre como atuar no âmbito social tem evoluído. Busca-se ampliar as áreas de atuação e articular parcerias. O desafio é garantir modelos sustentáveis e melhores resultados”.

Elkanah Odembo, cientista social, do Centre for the Promotion of Philanthropy and Social Responsability (Quênia): “Precisamos ter um senso de emergência com relação à pobreza. As fundações e institutos empresariais precisam se mobilizar. O setor privado é parte da nossa solução e não do problema”.

Flávio Comin, economista, da Universidade de Cambridge (Reino Unido): “Precisamos estar em sintonia com o mundo e acompanhar a evolução de paradigmas, como a necessidade de mergulhar no desenvolvimento humano e no desenvolvimento sustentável”.

Ingrid Srinath, CEO do Child Rights and You (Índia): “É possível construirmos um mundo novo, mas para isso é preciso pensar globalmente e agir localmente para alcançarmos reais transformações”.

Ricardo Voltolini, jornalista, da Idéia Socioambiental: “Estamos evoluindo na discussão conceitual. As empresas já conseguem falar de investimento social privado como algo que precisa ser planejado, avaliado, provocar impactos concretos de transformação social e envolver comunidades, partindo de diagnósticos claros”.

Rory Francisco-Tolentino, Diretora-executiva da Asia Pacific Philanthropy Consortium (Filipinas): “É papel do setor privado incentivar a criação de políticas públicas. O desafio para a filantropia empresarial é contribuir para uma maior distribuição da riqueza, diminuindo as desigualdades sociais”.

Ruth Cardoso, antropóloga, da Comunitas: “O Estado não está passando uma parcela da sua obrigação para o Terceiro Setor. O Estado tem de prover condições para o Terceiro Setor se desenvolver ainda mais. A relação tem que ser de parceria”.

Mathew Nelson, Diretor do Council on Foundations (EUA): “Cidadãos e empresas estão convidados a pensar qual seu papel diante dos desafios globais como a fome e questões ambientais; Pensar como cada um pode contribuir para fazer um mundo melhor”.


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