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Edição 139 - Um esforço pelas próximas gerações

APA do Pratigi é o foco da ação do Programa no Baixo Sul.

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Texto: Vivian Barbosa

Fernanda da Silva: missão de conscientizar


Fotos: Almir Bindilatti

O Baixo Sul da Bahia é uma das áreas de maior biodiversidade do Brasil. Sua riqueza natural tem atraído olhares de especialistas e instituições de todo o mundo. É nessa região que foi implantado o primeiro centro de pesquisas localizado em zona rural apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Fundação Odebrecht: o Núcleo de Estudos e Práticas em Governança Participativa e Desenvolvimento Comunitário.

O território do Baixo Sul chegou a estar entre os mais importantes do país, abrigando, há cerca de 100 anos, o maior pólo da indústria têxtil nacional. Apesar de esquecido pelos livros de história, sempre foi lembrado pelas suas magníficas paisagens e pelo valor de seus recursos hídricos, flora e fauna.

Ao todo, 615.600 hectares, divididos em 11 municípios, compõem o Baixo Sul da Bahia, que integra ainda cinco áreas de proteção ambiental (APA), algumas delas associadas ao Corredor Central da Mata Atlântica. Somente a APA do Pratigi reúne 63 mil hectares de remanescentes.

“Esse número, porém, já foi muito maior. O trabalhador do campo, sem condições de se sustentar com dignidade, destrói a mata para desenvolver agricultura e pecuária”, observa Fernanda da Silva, egressa do projeto Casa Familiar Rural (CFR) sediado em Presidente Tancredo Neves. Estima-se que, em 1970, a área de Mata Atlântica preservada fosse 48% maior.

Aos 19 anos, Fernanda acredita que, se todos fizerem sua parte, essa realidade pode mudar. Depois de passar três anos em formação na CFR, Fernanda transformou-se não apenas em uma agente do desenvolvimento de sua comunidade. “Hoje, sou uma defensora da natureza. Minha missão é levar essa consciência para aqueles que estão sendo beneficiados pela Casa”, diz. Ela desenvolve um projeto de educação ambiental com cerca de 30 jovens. Em conjunto, eles analisam, diagnosticam e propõem soluções ecologicamente corretas para os cultivos realizados nas pequenas propriedades de suas famílias.

Todo esforço é válido quando o assunto é garantir às próximas gerações o direito a um meio ambiente saudável. Segundo o ambientalista Rui Rocha, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) e Diretor do Instituto Floresta Viva, centenas de clareiras na mata são visíveis em um rápido sobrevôo pela APA do Pratigi. “O desmatamento está associado a uma agricultura itinerante. Os roçados são pequenos, mas se espalham pelas serras, afetando as nascentes dos rios.”

Foco da ação do Modelo de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul, a APA do Pratigi foi constituída em abril de 1998, na época cobrindo apenas a faixa litorânea. Em novembro de 2001, sua poligonal foi alterada passando a incluir os vales e cordilheiras, transformando-a na única APA no Brasil a envolver um ecossistema das nascentes ao estuário. A Associação Guardiã da APA do Pratigi (Agir), Organização da Sociedade Civil (Oscip) apoiada pela Fundação Odebrecht, é o instrumento de integração social entre as comunidades deste território e de coordenação de atividades com foco na promoção do desenvolvimento sustentável.

Nessa APA convivem, em harmonia, cerca de 450 diferentes espécies florestais. “A proposta do uso adequado desses recursos naturais evidencia necessidades relativas à geração de trabalho e renda justa para sua população”, afirma Joaquim Cardoso, Presidente do Conselho da Organização de Conservação de Terras (OCT), Oscip também parceira da Fundação Odebrecht. “Algumas estratégias já estão em execução, como a criação de lagos para produção de peixes, o que pode aumentar a renda de cada agricultor. Também estamos implantando corredores ecológicos e recuperando as matas ciliares e nascentes”, reforça Cardoso. Para geração de receita, estão sendo realizados estudos para o aproveitamento do potencial hidrelétrico da região por meio da produção de energia limpa e renovável.

Interligando essas ações, a Estrada-Parque é o elo dos três ecopolos que compõem a APA do Pratigi. Resultante de caminhos históricos usados desde os jesuítas, na segunda metade do século XVI, a Estrada-Parque tem sua conservação e ampliação sendo realizada em parceria com o Governo da Bahia. “Representa a infra-estrutura básica de comunicação e geração de riquezas, permitindo a integração do homem e seus negócios”, garante Cardoso.

O que move todas essas iniciativas pode ser resumido em uma palavra: equilíbrio. Estabelecer a convivência sinérgica entre o ser humano e o meio ambiente é a principal meta que se sonha alcançar.


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