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Edição 139 - Teoria e prática em equilíbrio

Casas Familiares, alicerçadas no modelo educacional da Pedagogia da Alternância, fortalecem o capital humano no Baixo Sul.

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Camila Ventura e João David Madureira: multiplicadores de conhecimento

Texto: Vivian Barbosa


Fotos: Eduardo Moody

Há pouco mais de um ano, Camila Ventura, de 20 anos, fez parte do grupo de 35 jovens que seriam selecionados para ingressar na Casa Familiar do Mar (CFM) de Cairu, município do Baixo Sul da Bahia.

A expectativa era grande: “Acreditava que esta oportunidade me traria desenvolvimento profissional e pessoal”, ela relembra.

O sonho de Camila era melhorar a vida da mãe e da avó, com quem mora, e contribuir de alguma maneira para o crescimento de sua comunidade.

Atualmente, Camila divide o tempo entre os projetos sociais que realiza em Barra dos Carvalhos, no município baiano de Nilo Peçanha, onde nasceu e cresceu, e as aulas teóricas e práticas oferecidas pela CFM. “Passo uma semana em regime de internato e duas na minha propriedade, aplicando o que aprendi com o acompanhamento de monitores”, orgulha-se.

O modelo educacional de origem francesa, chamado Pedagogia da Alternância, permite que os conhecimentos adquiridos na Casa Familiar sejam transferidos para a família e a comunidade, introduzindo novos padrões de qualidade e produtividade nos cultivos. “Já estudamos sobre ecossistemas costeiros, cooperativismo, horticultura, criação de moluscos e elaboração de projetos sociais. Estamos ansiosos para iniciar as aulas de artesanato nos próximos meses”, revela Camila.

Além da CFM, outros três projetos com a mesma metodologia de ensino – as Casas Familiares Rural de Presidente Tancredo Neves, Agroflorestal de Nilo Peçanha e Rural de Igrapiúna – fortalecem o capital humano dentro do Modelo de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul. Cerca de 270 jovens estão sendo formados como agentes do desenvolvimento local, aprendendo a ter visão empresarial e sendo estimulados a atuar como protagonistas de seu destino.

Colega de Camila, João David Madureira, 20 anos, afirma que sempre realizou ações sociais no Galeão, distrito de Cairu, onde mora com seus pais. “Mas as iniciativas eram isoladas e eu não tinha real noção do benefício que estava proporcionando. Com o aprendizado obtido, minha visão hoje é mais aguçada e consigo fazer planejamentos com mais eficiência”, diz João. Ele fundou e apóia o grupo de teatro Essenciart, além de coordenar um projeto de reflorestamento que já atrai estrangeiros interessados na prática do turismo ecológico. “Estou na CFM para adquirir conhecimentos e levá-los para minha comunidade. Diariamente, sou conscientizado desse importante papel”, destaca.

Nas Casas Familiares, a educação se realiza pelo trabalho e é adaptada à realidade do campo. Aprende-se geometria a partir do cálculo da área de plantações, ou geografia por meio da análise dos diferentes tipos de solo. “Ao ingressar na Casa, não compreendia por que a Fundação Odebrecht investia em iniciativas de apoio à juventude. Hoje, percebo que a instituição acredita em nosso potencial e que não nos falta talento. Apenas, oportunidades”, defende João.

Escola-modelo

O complexo educacional Casa Jovem, no município de Igrapiúna, completa o núcleo de ações que levam educação de qualidade para o campo. É formado pela Escola Municipal Casa Jovem, em parceria com a prefeitura local, e o Colégio Estadual Casa Jovem, administrado em conjunto pela Organização da Sociedade Civil (Oscip) Casa Jovem e a Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Atende cerca de mil crianças, jovens e adultos, oferecendo aulas do ensino fundamental ao ensino médio.

A Casa Jovem utiliza o método tradicional de ensino e estrutura-se para ser um modelo de educação pública na região do Baixo Sul, com enfoque na formação profissionalizante. Por meio da Oscip, e com o apoio da Fundação Odebrecht, os professores estão tendo acesso a cursos que promovem o desenvolvimento de uma tecnologia educacional orientada para as necessidades da população rural.

“Estamos contribuindo para que os jovens possam se fixar nos lugares onde nasceram e querem viver”, salienta Liliana Leite, Diretora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides), responsável por coordenar e integrar projetos ligados aos capitais humano e social no Baixo Sul. “No futuro, eles constituirão famílias estruturadas e sólidas, que poderão promover verdadeiras mudanças sociais, políticas e econômicas onde quer que estejam”, acredita a diretora.


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