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Edição 149 - Nova batalha na fortaleza

Construção do século 17, Fortaleza do Morro de São Paulo, na Bahia, passa por restauração

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texto: Gabriela Vasconcellos
foto: Almir Bindilatti
 

Imagem aérea da Fortaleza
do Morro de São Paulo

A Fortaleza do Morro de São Paulo está localizada na Ilha de Tinharé, no município arquipélago de Cairu. É um importante destino turístico da Costa do Dendê, na Bahia. Sua construção foi iniciada em 1630 e só foi finalizada no século seguinte. Palco de batalhas no período do Brasil Colonial, protegia o acesso à Baía de Todos os Santos e à Baía de Tinharé, além de assegurar o abastecimento de Salvador. Considerada um dos maiores complexos fortificados do Brasil, com 678 m de extensão, sua muralha se deteriorou ao longo dos anos pela ação do mar. Por isso, em janeiro de 2010, teve início ali uma intervenção de caráter emergencial.

Concluída em julho, a primeira etapa da obra contemplou a restauração de 450 m da muralha. Os recursos, no valor de R$ 2,8 milhões, foram obtidos por meio de uma parceria entre o Ministério da Cultura – Lei de Incentivo à Cultura, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Ides (Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia), organização ligada ao Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul, instituído pela Fundação Odebrecht. O foco do Ides é fomentar, na região, o Etnodesenvolvimento e o Turismo Sustentável. O projeto recebeu apoio, ainda, da Secretaria do Patrimônio da União, Secretaria do Turismo do Estado da Bahia e Prefeitura Municipal de Cairu. Uma segunda etapa, que prevê a restauração total da muralha, está em fase de negociação.

Eduardo Mendes, Gerente de Patrimônio Histórico e Acervos do BNDES, salienta: “As pessoas passam em frente dos monumentos e nem sabem o valor que eles têm. É preciso alavancar a capacidade de oferta e, com isso, contribuir para que o local tenha um fluxo de visitantes durante todo o ano”.

A primeira intervenção mobilizou cerca de 60 trabalhadores de Salvador e do Baixo Sul. “O procedimento é considerado simples, mas é realizado em situação adversa, pois está sujeito a influência da maré”, explica Marcos Galindo, arquiteto e coordenador da obra.

Fiscalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Ministério da Cultura, a obra é realizada ao mesmo tempo em que se busca, ao máximo, conservar a estrutura original do monumento. “Se observarmos a extensão e o fato de a Fortaleza ter sido objeto de dois tombamentos federais, percebemos a importância que tem para o Brasil”, ressalta o arquiteto do Iphan Francisco Santana, que acompanha e orienta tecnicamente a ação.

Após a restauração, o espaço será destinado à visitação pública e utilizado para a apresentação de manifestações culturais quilombolas, com ênfase na promoção do Agroecoturismo. Esse é um modelo de turismo agrícola, ecológico e sustentável que está sendo implantado no Baixo Sul, por meio de ações apoiadas pela Fundação Odebrecht em parceria com a Sociedade Civil, o Poder Público e a iniciativa privada. “O Ides está promovendo um trabalho de Educação Patrimonial para fortalecer a cultura que existe na região”, ressalta Liliana Leite, Diretora Executiva do instituto. “Nosso desafio é ir além de um programa de turismo”, afirma.


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