11h01

Uma Nova Classe Média Rural

Por meio da Coopalm associados recebem orientação técnica e financeira e se tornam líderes do próprio negócio

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Logo cedo, Francisco Bonfim dos Santos, 45 anos, levanta para trabalhar. Com o facão em mãos, inicia sua atividade selecionando e cortando hastes de palmito. Ao fim do dia, entrega sua produção, que chega a mil unidades por mês, à Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm) para que seja beneficiada e comercializada. Com a venda do produto final, Francisco acumula renda média mensal de R$ 800, que vem investindo em projetos pessoais. “Morava em uma casa de taipa que, quando chovia, acumulava muitas pingueiras. Depois de me cooperar, pude construir meu novo lar e ainda comprei uma moto. O próximo passo é adquirir um caminhão, que vai facilitar o escoamento da produção”, completa.

Morador da comunidade Vale do Riachão, em Piraí do Norte (BA), Francisco é associado desde 2006, dois anos após a criação da Coopalm. “Por ter me tornado cooperado, hoje sou líder do meu próprio negócio. Tenho esperanças de que, com o plantio da pupunha, vou continuar realizando meus sonhos e os da minha família. A ideia é acreditar e lutar para que a vida fique cada vez melhor”.

A Coopalm, com sede em Ituberá (BA), reúne 531 associados e tem o objetivo de orientar técnica e financeiramente os agricultores familiares. Além disso, a cooperativa tem contribuído para a inclusão social dos produtores, possibilitando o surgimento de uma nova classe média rural. “Para quem nunca teve salário, com a pupunha o dinheirinho é garantido. Hoje tenho meu próprio terreno e já comprei um carro”, conta Ivaldino dos Santos, 72 anos, um dos sócios-fundadores da cooperativa e morador da comunidade do Areão, em Nilo Peçanha (BA).

Com apoio da Ambial, indústria parceira, as hastes entregues à Coopalm são beneficiadas, o que agrega valor ao palmito. Esse processo tem certificados ISO 9001 (Gestão da Qualidade), ISO 14001 (Gestão Ambiental), ISO 22000 (Segurança Alimentar), além do selo Agricultura Familiar (estadual e federal) e Rainforest Alliance Certified. Esta última é internacional e auxilia o consumidor a identificar produtos agrícolas de origem responsável, que observam a conservação dos recursos naturais e as condições socioeconômicas de produtores e suas famílias.

Junto com a Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), a Coopalm contribui para o desenvolvimento da região por meio da Aliança Cooperativa Estratégica do Palmito. Estabelece-se, assim, um ciclo equilibrado, em que a casa familiar cuida da educação profissional de jovens, visando à formação de novos empresários rurais, e a cooperativa acolhe os cooperados do futuro, assistindo-os quanto às técnicas de produção e acesso a mercados. “A Coopalm contribui com assistência técnica de qualidade e viabiliza um produto certificado, o que garante o aumento da renda e a melhoria da condição de vida das famílias”, afirma Fábio Maia, líder da Aliança.

Resultados
A Coopalm, que também conquistou a certificação ISO 9001, apresentou faturamento
de R$ 12,7 milhões em 2010. Entre 2008 e 2011, o palmito produzido pela cooperativa, sob a marca Cultiverde, saltou do 48º lugar para o mais vendido no Brasil. O produto vem sendo comercializado por parceiros de grandes redes de varejo, como Pão de Açúcar, Extra e Walmart (Sudeste e Nordeste), Casa Santa Luzia, Bom Marche, Armazém Santa Maria e Supermercados Mambo (São Paulo), GBarbosa, Nordestão, Bonanza e Arco-Íris (Nordeste), Perini e Ebal (Bahia), Super Maia (Brasília) e Mundo Verde (Brasil e Portugal). Também já foi vendido para outros países, como Estados Unidos, França e Austrália.

Em Destaque!
O assentamento Margarida Alves traz em seu nome a homenagem a uma lutadora
da terra. Pioneira em defender os direitos dos trabalhadores rurais no Brasil, Margarida faleceu em 1983, deixando sua marca como mulher forte e corajosa. E é essa determinação que caracteriza os moradores do assentamento localizado em Ituberá (BA). Enxergando esse potencial, a Coopalm passou a atuar no local desde 2009, apoiando os produtores a desenvolverem técnicas de plantio que apresentassem um resultado satisfatório. Dessa forma, até o momento, mais de 10 mil hastes de palmito de pupunha foram colhidas, gerando renda média mensal superior a R$ 750 aos agricultores. Atualmente, 18 moradores integram à Coopalm, sendo que 15 deles já estão produzindo. “Com os primeiros cortes, consegui 215 hastes de palmito. No futuro, minha meta de produção é de 400 hastes por mês”, conta, sorridente, o produtor Ananias de Sena.

Você Sabia?
Em 2010, a Coopalm conquistou o Prêmio Cooperativa do Ano, sendo reconhecida na categoria “Gestão para a Qualidade”. Na época, foram avaliados 114 projetos inscritos por 91 cooperativas. Já no ano seguinte, a cooperativa apresentou outro resultado positivo ao ser vencedora do Prêmio ECO 2011 na modalidade “Práticas de Sustentabilidade”.

 

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