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Edição 167 - No Centro de uma Filosofia

Há 25 anos, a Fundação Odebrecht elegia o jovem como o foco da sua atuação

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texto Gabriela Vasconcellos
foto Fernando Vivas

Edivan Alcântara: “Na agricultura familiar
somos donos do nosso negócio”

O amor pela terra sempre acompanhou Edivan Alcântara, 22 anos. Caçula de cinco irmãos, ele foi o único a permanecer no campo, ao lado dos pais. “Tinha o sonho de viver da agricultura”, diz o morador da comunidade Alto da Prata, município de Presidente Tancredo Neves (BA). Ele não se arrependeu.

Edivan conta que o incentivo da família e a vocação para o trabalho na terra o motivaram a ingressar na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) em 2008. Nessa unidade de ensino, ele cursou a habilitação técnica em Agropecuária e, em três anos, aprendeu administração rural, cooperativismo, manejo de solos, irrigação, drenagens e cultivos diversos. “Estudava e colocava em prática o que aprendia. Na agricultura familiar somos donos do nosso negócio”, argumenta.

Durante o segundo ano de curso, Edivan implantou seu primeiro projeto educativo-produtivo: 0,4 hectare de banana na pequena propriedade da família. A atividade integra a formação oferecida pela Casa Familiar e conta com o programa Tributo ao Futuro, que apoia iniciativas certificadas pela Fundação Odebrecht por meio de destinações de imposto de renda de integrantes da Organização Odebrecht. “Meu segundo projeto produtivo foi um dos 10 melhores da CFR-PTN. Com o lucro dessas plantações, consegui recursos para comprar um pedaço de terra. Assim fui crescendo na agricultura.”

Edivan tornou-se assistente educador da Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) e da CFR-PTN, instituições ligadas ao Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela Fundação Odebrecht e parceiros da iniciativa pública e privada. “Apoio os jovens em formação e os cooperados no desenvolvimento dos cultivos”, relata.
Apesar de todas as conquistas, o jovem ainda precisava superar a escassez de terra de sua família, o que levou os irmãos a viver em centros urbanos. “Eles não encontraram oportunidades.” Para Edivan, foi diferente. Em 2013, uma iniciativa da CFR-PTN, em parceria com a Coopatan, da qual também é associado, possibilitou a aquisição de terra e ampliação dos seus cultivos. Por meio do Fundo de Acesso à Terra, um projeto-piloto que proporciona assistência financeira a pequenos produtores, ele e outros seis jovens recebem apoio na execução de projetos agrícolas, para que possam viver exclusiva e integralmente da renda gerada no campo.

“Realizei o sonho de ampliar minha área para 20 hectares”, ressalta Edivan, empresário rural que projeta dobrar sua renda em um ano. Hoje é de R$ 1.300,00. Ele está convicto de que o trabalho ao lado dos pais e em sua propriedade é o caminho. “Chegar aonde quero só depende de mim.”

Protagonismo Juvenil

Histórias como a de Edivan reforçam o espírito da missão da Fundação Odebrecht, que há 25 anos elegeu esse público como foco de sua atuação. A decisão de fazer com o jovem e não para o jovem, entendendo-o como parte da solução e não como problema, foi posteriormente conceituada, sistematizada e denominada Protagonismo Juvenil, filosofia que hoje é um patrimônio do Terceiro Setor.

“Um dos nossos pilares está materializado na consciência de que a família é a célula mater da geração da riqueza moral e material da sociedade e de que, nela, os jovens desempenham o papel de agentes da transformação”, afirma Mauricio Medeiros, Presidente Executivo da Fundação.

Taisa da Luz, 17 anos, compartilha dessa crença. Aluna da Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf), onde está concluindo o curso técnico em florestas integrado ao Ensino Médio, ela encontrou uma alternativa para mudar sua realidade. “Transformamos em trabalho e renda algo que a natureza nos dá”, conta a moradora da comunidade quilombola de Jatimane, localizada em Nilo Peçanha (BA). “O futuro é o que estamos fazendo agora”, acrescenta.

Ela está participando do projeto Joias do Quilombo, apoiado pelo Instituto Oi Futuro, e seu desafio é confeccionar peças como brincos, colares, anéis e braceletes a partir do coco da piaçava. As técnicas de artesanato foram ensinadas por instrutores capacitados da Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (Cooprap), em parceria com o Instituto Mauá. Cfaf e Cooprap são instituições que também integram o PDCIS. “Sempre podemos aprender coisas novas. Oportunidades precisam ser criadas.”

Os exemplos de Edivan e Taisa são seguidos por Davison Silva, 15 anos. Ele iniciou sua formação em 2013 na Casa Familiar Rural de Igrapiúna, unidade de ensino que faz parte do PDCIS, em busca de técnicas para aperfeiçoar os cultivos que já realiza com o pai. “Eu me considero um agricultor e vou estudar para utilizar todo meu conhecimento”, enfatiza o morador da comunidade Domingos Cruz, no município de Camamu.

Seu pai, Antonio da Silva, 38 anos, aposta nessa parceria. “Tenho a prática, e ele, a técnica. Davison está aprendendo e me ensinando bastante. Deixei de usar o adubo químico por influência dele”, comenta. Davison sonha tornar-se, assim como Edivan, uma referência em sua região. “Quero servir ao campo.” 


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