12h18

Edição 170 - Contexto produtivo

Transformando a vida de famílias no Baixo Sul da Bahia

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Texto Gabriela Vasconcellos
Fotos Marcio Lima

No final da tarde, na propriedade de Martinho da Palma, o sol vai se escondendo atrás das palmeiras de pupunha. Seu terreno, levemente inclinado, permite a apreciação dos últimos raios de luz, que anunciam o fim daquele dia. O produtor rural de 63 anos retorna para casa, a poucos metros dos seus cultivos.

Ele nunca está sozinho. Morador da comunidade Areão, localizada em Nilo Peçanha (BA), Martinho trabalha em parceria com sua família. “O maior orgulho que tive na vida foi criar meus filhos na agricultura. Nunca tive vontade de sair daqui”, afirma. Juntos, eles cuidam do plantio de cravo, cacau e pupunha. Este último, de acordo com Martinho, é o que está lhe possibilitando reescrever sua história.


Martinho da Palma e família: conhecimentos compartilhados garantem produtividade e bem-estar no campo

“Faz nove anos que ajudei a criar a Coopalm [Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia] e que me associei a ela. Antes tocava a vida, mas era difícil. Hoje, tudo melhorou”, comemora o produtor, que completa: “Minha renda aumentou. No mês, consigo tirar até R$ 700,00 somente em um hectare de pupunha. Morava em uma casa que, quando chegava uma visita, tinha vontade de me esconder. Lutamos e construímos uma moradia digna”. Para ele, a união da família e o apoio da Coopalm possibilitaram a conquista desses resultados. “A cooperativa nos ensinou a trabalhar. No campo, contamos com os assistentes educadores que fazem a diferença com as técnicas que nos passam.”

Martinho defende a importância do conhecimento. Dois de seus filhos e uma neta são formados pela Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I) e aprenderam administração, cooperativismo, manejo de solos e diversas culturas. Sua filha Isabel da Palma, 20 anos, concluiu em 2013 o curso técnico em Agronegócio, que é integrado ao nível médio. “Sempre quis permanecer no campo e continuar perto da família. Para mim, ensinar meus pais é uma oportunidade única”, afirma. De acordo com Martinho, esse é o caminho. “Sempre a ouço e faço a colheita do jeito que ela diz. Por exemplo, antes fazia o corte muito próximo à base e ela me ensinou que isso matava a planta.”

Resultado dos projetos educativo-produtivos que desenvolveu durante a passagem pela CFR-I, Isabel implantou mais um hectare de pupunha. Os insumos necessários foram fornecidos para a jovem com o apoio do Tributo ao Futuro, programa que permite o investimento em ações que levam oportunidades de desenvolvimento profissional a talentos do Baixo Sul da Bahia, por meio de destinações de Imposto de Renda dos integrantes da Organização Odebrecht e parceiros. O lucro será reinvestido na ampliação dos cultivos.

Juntos, o agricultor Martinho, sua esposa, filhos e netos buscam o caminho para a sustentabilidade. “Toda a vida nós trabalhamos na agricultura. É uma felicidade viver na zona rural”, ele afirma.

Ciclo virtuoso

Das palmeiras da propriedade do agricultor Martinho para as águas em que Antônio dos Santos, 27 anos, cria milhares de tilápias em 73 tanques-rede, muda o cenário, mas as boas expectativas são as mesmas. Sua rotina começa cedo. Às 5 horas da manhã, ele está de pé para iniciar o ciclo de alimentação dos peixes. “Tudo de que preciso, aqui tem. Trabalho em harmonia com o campo e tenho a oportunidade de ver meu filho crescendo, aprendendo a atividade produtiva da família”, conta o morador de Igrapiúna (BA).

Associado à Cooperativa dos Aquicultores de Águas Continentais (Coopecon) desde a sua fundação, em 2010, Antônio já avalia os resultados. “Tinha uma renda de R$ 500,00. Depois de me associar à Coopecon, consegui triplicar esse valor”, relata. Agora ele também está se dedicando aos estudos. Decidiu, em junho de 2013, participar como ouvinte do Curso de Qualificação em Aquicultura, promovido pela Casa Familiar das Águas (CFA). A formação tem duração de um ano e aborda temas como tecnologia do pescado, cooperativismo e associativismo. “Não sabia como medir os parâmetros químicos da água. Estou aprendendo, e isso faz a diferença na minha produção. Com a teoria, desenvolvo melhor a prática”, ressalta.


Antônio dos Santos e família: laços fortalecidos e transmissão de conhecimentos às novas gerações

Em setembro de 2013, Antônio passou a ter mais um motivo para comemorar. A Unidade de Beneficiamento de Pescado (UBP), que agrega valor aos cultivos dos associados da Coopecon, foi certificada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Josedilson Daltro, Fiscal Federal Agropecuário do Mapa, reforça a importância dessa conquista. “Sem o SIF, o beneficiamento e a comercialização do produto de origem animal são proibidos. Essa certificação permite a venda interestadual e internacional. Para uma indústria entrar nesse seleto grupo é preciso atender a diversos pré-requisitos”, explica. Na Bahia, apenas 11 fábricas desse segmento possuem essa chancela do Mapa. “Entregando o peixe a UBP, ganhamos também no subproduto, ou seja, no que é transformado em óleo e farinha de peixe. É uma renda a mais para o cooperado”, destaca Antônio.

Desenvolvimento e crescimento integrado

Os produtores Antônio e Martinho não se conhecem, mas estão inseridos em uma mesma iniciativa: o Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela Fundação Odebrecht em parceria com instituições públicas e privadas nacionais e internacionais.

Eles representam as centenas de unidades-família beneficiadas pelo PDCIS, que busca, por meio de cooperativas e organizações civis, incentivar a geração de trabalho e renda, a educação do campo de qualidade e a construção de uma sociedade mais justa e solidária, alinhadas à conservação dos recursos naturais. Coopalm, Coopecon, CFR-I e CFA são exemplos de instituições que o integram.

Valdelice de Jesus, 43 anos, também participa da iniciativa. De acordo com a agricultora, já é possível notar a transformação na comunidade em que nasceu. “Antigamente ninguém queria ficar. Houve uma época em que muitos jovens foram para a capital, mas agora eles estão vendo a vida melhorar”, diz a moradora de Gendiba, localizada em Presidente Tancredo Neves (BA).

Ela tornou-se associada da Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) por influência da filha, Daniela Guedes, 19 anos, técnica em Agropecuária formada pela Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves, unidade de ensino que, assim como a Coopatan, está ligada ao PDCIS. “Nossa produção era vendida ao atravessador, e não tínhamos nenhum lucro”, relembra Daniela. Sua mãe acrescenta: “Comercializando pela Cooperativa, o destino é certo. O negócio é da nossa família.”


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