11h05

Edição 172 - Ciclo produtivo

Cooperativa no Baixo Sul da Bahia contribui com geração de trabalho e renda para agricultores familiares da região

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Texto Livia Montenegro
Fotos Fernando Vivas


A atuação da Coopamido abrange sete municípios do interior da Bahia

Rodeadas pelas plantações de milho, melancia, mandioca e eucalipto, as fazendas Novo Horizonte e Novo Horizonte I, localizadas no município baiano de Laje, tornaram-se abrigo de inúmeros animais. Um cenário exuberante, onde gaviões-reais e outras espécies silvestres sentem-se seguros e acolhidos.

A imagem descrita se tornou possível graças a iniciativas como a recuperação das nascentes e a implementação de novos sistemas de uso do solo nas duas fazendas – em uma área correspondente a 620 hectares. Foi da Cooperativa Estratégica do Amido a ideia de restaurar, recuperar e conservar a área. “Acreditamos em um modelo sustentável de negócio, que agrega produtividade e responsabilidade social”, explica Jairo Souza, Presidente da Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia (Coopamido).

Fundada em 2009, a Coopamido é formada por mais de cem produtores de mandioca. Sua atuação abrange sete municípios de três regiões da Bahia: Valença e Jaguaripe (Baixo Sul), Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu, Conceição do Almeida e Castro Alves (Recôncavo) e São Miguel das Matas (Vale do Jiquiriçá). A cooperativa faz parte do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela Fundação Odebrecht.

As raízes de mandioca entregues pelos produtores rurais à Coopamido são processadas em uma indústria de beneficiamento, onde mais de 200 toneladas são moídas ou processadas por dia. “Os processos envolvem etapas como lavagem, trituração, purificação e secagem”, explica o Gerente Industrial Cristian Konishi. “O amido, com alto valor agregado, é utilizado em indústrias como alimentícia, cosmética, de óleo e gás e farmacêutica”, acrescenta.

Com o intuito de incentivar a geração de trabalho e renda, a Coopamido vem estabelecendo parcerias com fazendeiros da região a fim de estimular o empréstimo de terras degradadas aos agricultores locais, que as utilizam para o cultivo de mandioca. “Para ser beneficiado, o cooperado precisa promover ações de cunho ambiental, como o reflorestamento e a recuperação de nascentes nas propriedades cedidas”, salienta Jairo Souza.


Agricultores familiares do Baixo Sul da Bahia estão mudando suas vidas

Renda familiar

Essa era a oportunidade de trabalho que Roberto Carlos dos Santos, 34 anos, esperava. Ele, que é morador da comunidade Cruzeiro, no município de Laje, tornou-se cooperado junto com sua esposa, Nalva dos Santos, de 32 anos. O casal agora cultiva mandioca em uma das fazendas parceiras. A renda média mensal da família, que era de R$ 400, passou para mais de R$ 2 mil.

Edson Lobo, 41 anos, também se orgulha de poder oferecer um futuro para a esposa e os dois filhos sem precisar sair do campo. “Aqui ficamos em segurança e com mais qualidade de vida”, acredita o associado da Coopamido, que obtém uma renda de cerca de R$ 2 mil por mês. “Meu maior sonho é comprar minha própria terra e conseguir ampliar ainda mais nossa renda. Isso, claro, sem deixar de ser cooperado”.

Em sinergia com a Coopamido, o Instituto de Promoção Humana do Amido (IPHA) vem qualificando os agricultores da região – atualmente, 30 novos beneficiados estão sendo capacitados. “Utilizando as técnicas mais adequadas desde o plantio até a colheita, eles terão se qualificado para desenvolver atividades também em suas propriedades”, ressalta Magnólia Santos, Diretora Executiva do IPHA. Ao final do processo de formação, com duração de um ano, os produtores que conseguirem replicar o modelo agrícola serão convidados a se tornar associados.

De acordo com Anselmo Selhorst, Líder da Cooperativa Estratégica do Amido, a estimativa é de que mais 55 agricultores se tornem associados até 2016. Com a capacidade máxima de produção do primeiro módulo da indústria, mais três serão instalados no local. Para ele, ao desenvolvimento humano sempre estarão atreladas a preocupação e a conscientização em utilizar corretamente os recursos naturais e promover a recuperação de áreas. “Para que o nosso ambiente continue rodeado de espécies de animais nativas, temos que conservar e aplicar as técnicas necessárias para mantê-los por perto. Associar os setores produtivo, social e ambiental proporciona qualidade de vida, que retorna aos seres humanos”.


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