13h20

Edição 175 - Outra compreensão

Com a ajuda da OCT, uma nova forma de se relacionar com o meio ambiente surge no baixo sul

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texto Livia Montenegro
foto Almir Bindilatti


Francisca Antônia de Araújo e o técnico érico Araújo: transferência de conhecimento

No campo, o que mais encanta Francisca Antônia de Araújo, 48 anos, é o cheiro da terra molhada e o canto dos pássaros. Moradora da comunidade Juliana, em Piraí do Norte (BA), um dos cinco municípios que compõem a área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi, ela defende a conservação da natureza. “Precisamos cuidar e preservar o meio ambiente. Somente dessa forma conseguiremos mudar o futuro de nossa região”, afirma.

Francisca tem o apoio da Organização de Conservação da Terra (OCT), que atua na APA do Pratigi e estimula três iniciativas: conservação ambiental, reflorestamento e conservação produtiva. “Nosso objetivo é desenvolver um modelo prático para o tratamento adequado dos elementos da natureza e dos seus fluxos de vida. Isso significa estabelecer formas seguras para promover a sustentabilidade”, pontua Joaquim Cardoso, Presidente do Conselho Deliberativo da OCT. A instituição faz parte do Pacto de Governança do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), fomentado pela Fundação Odebrecht e parceiros.

érico Araújo, 23 anos, é um dos técnicos da OCT. Ele liderou o processo de orientação a Francisca. Formado na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), unidade de ensino ligada ao PDCIS, érico demonstra satisfação em colaborar com o desenvolvimento local. “Sinto-me realizado, pois meu objetivo sempre foi transferir conhecimento aos que não tiveram acesso a uma educação voltada para o campo”, enfatiza.

Francisca acredita que esse apoio é fundamental e contribuiu para a mudança de seu pensamento e atitudes. “Antes, eu derrubava a mata e, hoje, tenho o que preciso aqui na minha roça. Orgulho-me de tudo ter sido feito com minhas mãos”, garante.

Em sua propriedade, ela implantou eucalipto como estratégia para diminuir a pressão por madeira e evitar o desmatamento. Além disso, aprendeu a fazer adubo orgânico ecológico e implantou, em um hectare, diferentes culturas, como seringueira, cacau, banana e graviola, por meio do método conhecido como Sistema Agroflorestal (SAF). “O SAF foi inserido de forma gratuita, para garantir renda aos agricultores que destinam parte da sua terra à conservação ambiental”, explica Volney Fernandes, Diretor Executivo da OCT. Francisca completa: “Antes eu precisava pagar para ter assistência e usava produtos químicos. Agora eu mesma preparo o adubo. Isso resultou em mudança na qualidade dos cultivos, além da economia de renda e insumos”, diz.

Ela quer ir mais longe e sonha implantar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). “A RPPN é criada em área privada, por ato voluntário do proprietário e promove a conservação da diversidade biológica”, esclarece Fernandes. Para iniciar o processo, faltam apenas alguns documentos da propriedade de Francisca. “Só quero crescer e me desenvolver cada vez mais, com o compromisso de respeitar a natureza”, ela ressalta, em tom de comemoração.



Jairo de Sousa (à direita) e o técnico Jeoli dos Santos: lições que geram mudança
 

Ações sinérgicas

A aproximadamente 20 km da propriedade de Francisca, vive Jairo de Sousa, 36 anos. Morador da comunidade Vale do Riachão, em Igrapiúna (BA), ele acredita no alcance da sustentabilidade por meio do acesso ao conhecimento.

“O aprendizado gera a mudança, e hoje sei a maneira correta e harmônica de trabalhar”, comenta.
Jairo participa do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), uma das iniciativas da OCT, por meio do qual contribui para a conservação do meio ambiente. “Fiz o reflorestamento de uma nascente que tenho na minha propriedade e aprendi a importância de conviver em harmonia com a natureza. Além disso, tenho um SAF que reforça minha renda mensal”, ele acrescenta.

Em sua área, que tem certificação socioambiental concedida pela OCT, Jairo também cultiva pupunha e é um dos associados da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm). “Temos tudo para nos desenvolver no campo”, avalia. No dia a dia, ele conta com a ajuda de sua esposa, Genilda Souza, 30 anos, que estudou no Colégio Casa Jovem, instituição que integra o PDCIS, assim como a Coopalm. “Tudo o que aprendi repassei para o meu marido. Trabalhamos juntos para um futuro melhor”, afirma Genilda.

Parcerias para o crescimento sustentável

Empresas da Organização Odebrecht também estão contribuindo com ações de proteção ambiental fomentadas no Baixo Sul da Bahia. Entre elas, a Odebrecht óleo & Gás, que neutralizou as emissões de 630 toneladas de carbono (CO2) dos escritórios localizados em Macaé (RJ) e Itajaí (SC). Para isso, mais de três mil mudas de árvores serão plantadas nas propriedades de agricultores familiares e três nascentes recuperadas, por meio do programa Carbono NeutroPratigi, também coordenado pela OCT.

“Criamos uma oportunidade, a partir de um projeto socioambiental, fazendo com que todos se sintam responsáveis em contribuir”, assegura Renan Kamimura, Líder de Conservação Ambiental da OCT.

Como forma de compensar o CO2 emitido durante as cerimônias de entrega do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável nas edições de 2011 e 2012, mais de 570 mudas também foram plantadas. São considerados, para o cálculo da emissão, quesitos como energia elétrica, transportes utilizados pelos convidados e consumo de água. A restauração de mais de 155 hectares com espécies nativas da Mata Atlântica e a recuperação de 60 nascentes já permitiram a neutralização de mais de 32 mil t de carbono na APA do Pratigi.
 


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