18h35

O que era pasto, virou floresta

Área de agricultor do Baixo Sul da Bahia começou a ser recuperada em 2012, com apoio da Organização de Conservação da Terra, e hoje abriga 2,5 mil árvores e uma nascente restaurada

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O ano era 2012. No quintal, o agricultor Jovan Nascimento, 46 anos, convivia com uma área que já foi utilizada como pasto e uma fonte de água quase sem vida. Cinco anos depois, ao abrir a janela de casa, os olhos do pequeno produtor da comunidade Juliana, localizada no município de Piraí do Norte (BA), brilham ao ver que, no mesmo lugar, cresceu uma imponente floresta com 2.500 árvores e um rio “que tem água de sobra - e não é só porque está chovendo, não”, segundo o próprio. Sua família foi a primeira a ser apoiada pela Organização de Conservação da Terra (OCT) na recuperação de uma nascente. De lá para cá, já são 285 em processo de restauração na área de Proteção Ambiental do Pratigi, região do Baixo Sul da Bahia.

O reflorestamento foi impulsionado pela OCT através do seu Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), iniciativa que oferece aos agricultores orientação e apoio financeiro para o planejamento integrado de suas propriedades. Com o acompanhamento constante de assistentes técnicos, Jovan recebeu cerca de R$ 1.700 pelas 2,3 mil plantadas, em 1,4 hectares - um incentivo a mais pelo compromisso em cuidar e manter a área conservada. Em 2017, foi contemplado com mais 200 mudas, deixando a floresta, composta por espécies nativas da Mata Atlântica como jacarandá, ingá e sucupira, ainda mais rica. “Aqui não tinha árvore nenhuma. Fazia muito calor, mas agora minha casa é ar puro. A água da nascente tinha gosto de ferrugem, era muito ruim. Hoje, podemos até beber”, orgulha-se. A esposa, Adenilda Santos, 42 anos, complementa: “a água que utilizamos para lavar roupa e louça, tomar banho e cozinhar, também ficou mais ’limpinha’”.

Além da recuperação da nascente, a OCT incentivou a implantação de um Sistema Agroflorestal (SAF) - modo de plantio que combina culturas agrícolas com espécies arbóreas e abre mão da utilização de agrotóxicos - para que o produtor pudesse aumentar a sua renda. Ele aliou, então, a produção do cacau com mandioca, banana, guaraná, cupuaçu, seringueira e urucum e viu sua receita anual dar um salto de R$1.950 em 2012, quando realizava a monocultura, para R$ 12.491 em 2016, tendo alcançado R$19.123 em 2015. “Virei um empresário rural, dono do meu próprio negócio, sem esquecer dos cuidados com o meio ambiente”, disse. “As culturas introduzidas por Jovan foram de baixo impacto, o que significa que geram uma quantidade pequena de carbono e prejudicam menos o meio ambiente”, explicou Bruna Sobral, Engenheira Agrônoma na OCT.


Fotos da área do agricultor antes de ser recuperada, em 2012, e atualmente mostram a impressionante transformação ocorrida

Certificado em 2015 pela Rede de Agricultura Sustentável (RAS), identificada pelo selo Rainforest Alliance Certified™, por seguir as normas que respeitam a conservação dos recursos naturais, como a água e o solo, a floresta, a vida silvestre e os ecossistemas, em condições de trabalho dignas e seguras, o produtor virou um multiplicador na sua região, repassando para a comunidade todas as tecnologias que aprendeu. “O pessoal passava por aqui e via a mudança. Aí, daqui a pouco, veio meu vizinho perguntar o que era; depois outro rapaz e eu fui explicando tudo a todo mundo”, conta, orgulhoso.

Para Joaquim Cardoso, Diretor Executivo da OCT, o exemplo de Jovan é uma prova de que é possível encontrar uma convergência dos fluxos de vida com os seres humanos e seus negócios, no contexto de suas pequenas propriedades. “No propósito da sustentabilidade, o maior aliado é a insistente busca da recuperação espontânea do seu equilíbrio pela própria natureza. A questão maior é observar e cumprir as leis da natureza”, afirmou. A OCT integra o Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), idealizado e fomentado pela Fundação Odebrecht.

 

 

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