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Artigo - Da perspectiva inclusiva a oportunidades transformadoras

Por Joana Almeida, Coordenadora Educacional da Fundação Odebrecht

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Por Joana Almeida
Educadora Social, Coaching Executiva, Coordenadora Educacional da Fundação Odebrecht e Coordenadora Bahia do Programa de Escolas Associadas da UNESCO.

Olhares atentos, fisionomias reveladoras de curiosidades, expectativas, abertura para o novo, o desconhecido, disposição criativa, mãos habilidosas. Tive a sensação de estar num ambiente de aprendizagem onde aqueles adolescentes, que ali estavam pela primeira vez pleiteando uma vaga, estudassem desde a infância, tão visível era a intimidade deles com a experiência. Diálogo entre os pares e em pequenos grupos, com educadores facilitando a vivência da inclusão qualificada, que se traduz na interação e aprendizagem colaborativa entre os participantes de um processo seletivo humanizado.

Esse era o cenário nas Casas Familiares (CFs), instituições vinculadas ao Programa de Escolas Associadas da UNESCO que utilizam o modelo da pedagogia da alternância, envolvidas na etapa final de formação de novas turmas dos cursos de educação profissional de nível técnico integrado ao ensino médio em florestas, agropecuária e agronegócio, que, na etapa inicial, contou com um universo de 1.000 alunos inscritos.

Impactada com toda aquela atmosfera, dei-me conta de que eles estavam ali para a vivência em tempo integral durante dois dias de pré-alternância. Já nesta última etapa, os selecionados eram oriundos de mais de 30 escolas públicas, moradores de 83 comunidades rurais de 13 municípios da região do Baixo Sul da Bahia, onde a Fundação Odebrecht atua com o PDCIS – Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade. 

Não resisti ao impulso de ler tudo que os adolescentes escreveram na trilha de aprendizagem realizada de forma descontraída, com jogos que possibilitaram forte engajamento com os educadores, resultando em um ambiente de confiança que gerou interações e revelou curiosidades, sentimentos, anseios e percepções vindas do âmago de cada um. Eles expressaram o quanto estudar nessas instituições de ensino era visto por eles como um caminho para um futuro sem medo vivendo no campo. E como almejavam ser técnicos agrícolas, queriam aprender com a orientação e suporte dos educadores, ampliar os conhecimentos, ter projetos produtivos viáveis e, desta forma, não cortar os laços com as famílias e comunidades onde vivem. Ressaltaram que necessitam garantir na sua formação um estudo qualificado em um ambiente seguro onde o aprendizado para valores tenha espaço. Querem desenvolver a autoestima positiva, força de vontade, responsabilidade e paciência.

Sutilmente revelavam sentirem-se acolhidos no plano pedagógico das escolas, que é focado na educação do campo e atento às necessidades e realidade deles, como é também ancorado nas quatro aprendizagens fundamentais que são os pilares do conhecimento desenvolvidos ao longo de toda a vida: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio e assim produzirem melhor e de forma sustentável; aprender a viver juntos ou conviver, a fim de participar e cooperar uns com os outros em todas as atividades humanas; e finalmente aprender a ser, conceito essencial que integra os três precedentes.

Com essa escuta ativa, aprendi que esses adolescentes, nascidos nos últimos 15 anos, já internalizaram que sonhar é possível e estão ávidos para transformar esses sonhos em realidade, em sinergia com esse conjunto de competências e experiências desenvolvidas nas Casas Familiares, o que propicia o salto qualitativo necessário para que possam criar uma visão positiva de futuro, desenvolver seus talentos e projetos de vida, exercendo a cidadania e sendo agentes do seu próprio destino.

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