09h00

Qualidade de vida no campo

Sustentável e de fácil replicação, Fossa Séptica é uma alternativa de saneamento básico para pequenos imóveis rurais da APA do Pragiti

Compartilhe
Tamanho do texto

Para alguns moradores da zona urbana, a ideia de que saneamento básico pode representar um problema parece bem distante. No entanto, mais de 30% das casas brasileiras ainda não estão conectadas à rede de esgoto. Os dados, divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2017, apontam ainda que, somente na região Nordeste, 48,2% dos domicílios não têm fossas ligadas às redes de saneamento.

Na zona rural, onde esse problema tende a ser intensificado – de acordo com a PNAD de 2013, mais de 70% dos moradores dessas regiões não possuía sistema de fossas –, a pesquisa por metodologias alternativas que melhorem a vida da população é constante.

Foi com isso em mente que surgiu o projeto das Fossas Sépticas Econômicas (FSE), tecnologia social desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Caratinga (MG), certificada, em 2011, pela Fundação Banco do Brasil. Esse mecanismo é um sistema fechado de tratamento de esgoto doméstico pensado para evitar a contaminação do solo e da água, que utiliza três bombonas plásticas de 200 litros para uma residência com até cinco moradores. Essa tecnologia possibilita tratar o esgoto por meio dos processos de sedimentação e decomposição realizados por bactérias.


De fácil replicação, a ideia é que as Fossas sejam uma alternativa de saneamento básico nas propriedades rurais

Em 2012, a Organização de Conservação da Terra (OCT), instituição apoiada pela Fundação Odebrecht por meio do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), identificou como um problema no meio rural a falta de fossas sépticas adequadas em 23 imóveis rurais beneficiados pelo Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), iniciativa que oferece aos agricultores orientação e apoio financeiro para o planejamento integrado de suas propriedades.

“Quando fizemos um diagnóstico socioambiental das famílias envolvidas no Programa de PSA, observamos que 100% delas não possuíam um sistema de tratamento de esgoto adequado, contaminando assim o solo, as águas e a saúde das famílias. Esse quadro nos despertou a atenção para buscarmos soluções”, relata Rogério Ribeiro, coordenador da Conservação Ambiental da OCT.

A OCT começou então a pesquisar métodos de tratamento de esgoto que fossem de fácil instalação e baixo custo, representando uma alternativa de adequação de sistemas de saneamento básico no meio rural e que pudesse ser replicada na própria região.

“Todos os trabalhos que buscamos desenvolver conciliam as questões ambientais, sociais e econômicas do imóvel rural, entendendo que essas três dimensões vão garantir a sustentabilidade de qualquer ação que venhamos a fazer com o agricultor”, salienta Bruna Sobral, responsável por Planejamento Socioambiental na OCT.

Fossas Sépticas Ecológicas (FSE)

A equipe técnica da OCT passou a buscar referências de fossas ecológicas que pudessem ser adaptadas nas propriedades. Inicialmente, as alternativas encontradas tinham um custo de instalação muito caro, chegando a R$ 3 mil por residência. “Precisávamos ver uma forma mais simples e acessível para o produtor”, explica Bruna.

Foi quando a OCT encontrou a tecnologia social das Fossas Sépticas Econômicas, que, por meio do Prêmio da Fundação Banco do Brasil, estava disponível para ser replicada com o custo de R$ 600 por residência.

A OCT readaptou a tecnologia para o nome de Fossas Sépticas Ecológicas (FSE), deixando-o mais próximo do seu trabalho nos imóveis rurais do Baixo Sul. Essa unidade simplificada constitui-se no tratamento de esgoto de forma econômica e ecológica, incentivando o uso sustentável dos recursos naturais com adequação dos quintais, proporcionando maior qualidade de vida para as famílias.


Até o fim do ano, a proposta é de que sejam realizadas cinco oficinas para as comunidades do Baixo Sul

Adeilsa dos Santos, moradora da comunidade Sabão-Buris, Ibirapitanga (BA), foi uma das pessoas beneficiadas pelas Fossas Sépticas Ecológicas. “A minha casa não tinha fossa”, conta. “Antes, nós usávamos o banheiro dos vizinhos”.

Segundo o coordenador da Conservação Ambiental da OCT Rogério Ribeiro, a instalação desse sistema possibilita conciliar a questão ambiental e econômica no aproveitamento da área no entorno das residências, destacando a implantação de sistemas produtivos agroflorestais. “O quintal é muito simbólico para a família do ponto de vista do resgate cultural, da saúde familiar e da economia”, explica ele.

A possibilidade de mudança na qualidade de vida da população é expandida por meio de oficinas oferecidas pela OCT e parceiros. Na ocasião, os participantes recebem as orientações do passo a passo para a instalação das unidades da FSE nos locais beneficiados. Deste modo, com essa ação, a instituição acredita que seja possível replicar esse modelo e ajudar na redução do problema de saneamento de mais famílias.

“Estamos pensando no imóvel rural de forma integrada”, afirma Ribeiro. “Qualquer pessoa consegue instalar essa Unidade FSE, melhorando a qualidade de vida. Isso despertou a atenção dos agricultores”. Com essa proposta educacional, a OCT tem a expectativa de, até o final de 2018, realizar cinco oficinas com a instalação de 40 Fossas Sépticas Ecológicas na adequação de quintais produtivos para famílias do Baixo Sul.

 

 

Para saber mais sobre o trabalho da Fundação Odebrecht, acompanhe as notícias no site e nas redes sociais (Facebook, Instagram e LinkedIn).

Receba nossas novidades:
Basta informar seu nome e melhor e-mail!
preload
2018 - 2019. Fundação Odebrecht. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital