14h39

Horizontes ampliados

Desde o início desse ano, a CFR-I tem ensinado os alunos a produzir chocolate como forma de agregar valor ao cacau

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Das paixões nacionais, o chocolate figura nas primeiras posições. Segundo pesquisa divulgada pelo IBOPE Inteligência, em 2013, cerca de 75% dos brasileiros consumiam o produto. O dado não é uma surpresa: entre versões com alto teor de cacau, ao leite ou misturados com pedacinhos de biscoitos, tem opções para agradar até os mais rigorosos paladares.

No país, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAB), essa é uma atividade que representa um valor de venda de R$ 25 bilhões por ano. é nesse contexto de um produto com boa expressão de mercado que, desde o ano passado, a Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I)* disponibilizou para os alunos equipamentos que possibilitam a produção do chocolate e uma nova forma de explorar o cacau.


Amêndoas de cacau são preparadas artesanalmente pelos alunos da Casa Familiar

“Estamos buscando agregar valor ao que os alunos produzem com suas famílias.  O propósito central da produção do chocolate é beneficiar as comunidades”, explica Francisvaldo Roza, Diretor da CFR-I. Para ele, mais do que aprender a manipular os equipamentos e produzir as receitas, a Casa Familiar tem se preocupado em mostrar novas possibilidades de gerar renda a partir da agricultura e, também, na importância de utilizar novas tecnologias para produção do cacau para, assim, garantir sua qualidade. “Eles compreendem o quanto as práticas agrícolas influenciam no produto final. Tudo isso reflete um novo cenário que a agricultura está vivendo no país de valorização dos processos de preparação dos alimentos”.

Na fábrica

Com os equipamentos para a produção montados em uma sala, a CFR-I reuniu os alunos que produzem cacau com suas famílias e apresentou os passos necessários para fazer o chocolate do fruto até a barra. Depois disso, e com a ajuda dos monitores, diversos jovens começaram a produzir e a comercializar o produto de forma autônoma em suas comunidades e municípios.

A tarefa começa em casa. “Eles levam as amêndoas do cacau que colhem em suas propriedades para a CFR-I e nós avaliamos lá a qualidade delas para a fabricação do chocolate”, conta Thaís Correia, monitora da escola. “Os alunos que estão mais envolvidos já têm uma noção de todo o processo. A partir dessa iniciativa, o jovem já tem outra motivação para se empenhar na melhoria do cacau que ele produz”. Segundo Roza, só em ter uma amêndoa de cacau de qualidade – com mais aroma e coloração, por exemplo -, o valor obtido com a venda pode aumentar em até 100%. “Mas, com a produção do chocolate, o aumento da receita pode chegar a 400%”, aposta o Diretor.

O processo, no entanto, não é mecânico. De acordo com a monitora, todos os conceitos químicos necessários – como equilíbrio térmico da massa de chocolate, porcentagem de cacau desejada na receita e teste de texturas – são explicados para os estudantes. E, também, tudo o que é requisito para ter um fruto melhor voltado à fabricação do doce, como a colheita artesanal e a escolha de frutos totalmente livres de pragas, por exemplo. “O cacau é a maior fonte de renda da minha comunidade, mas as pessoas não veem todo o valor que ele pode ter, percebem de forma muito limitada”, comenta Carolaine dos Santos, aluna do 2º ano da CFR-I. Empolgada com a nova possibilidade oferecida, ela tem levado para a região onde mora – Varjão, no município de Camamu (BA) – as noções de que é importante ter cuidado na hora de plantar e colher o fruto para, assim, expandir sua expressão comercial.


Estudantes preparam o doce na fábrica. No primeiro plano, a estudante Carolaine dos Santos manipula os equipamentos

“Poder trabalhar com o chocolate tem sido muito bacana”, conta. “é uma forma de agregar valor ao nosso produto. Hoje, é o que mais gosto no beneficiamento de alimentos. Além de ser muito prazeroso, tem muitas possibilidades de mercado”. Junto com Kaionilson de Sousa, colega também do 2º ano de formação, tem o plano de montar na sua comunidade uma indústria onde ela e outros produtores possam trabalhar com chocolates finos (receitas artesanais e com alta concentração de cacau). “Isso é algo com o que eu já queria trabalhar há muito tempo”, salienta.

 

*A CFR-I é uma instituição de ensino apoiada pela Fundação Odebrecht por meio do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS).

 

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