16h35

Escolas rurais dialogam sobre cultura do Baixo Sul com estudantes

Casas Familiares têm inserido temas ligados à diversidade cultural da região, como samba de roda, capoeira e festejos juninos, no conteúdo pedagógico de disciplinas como Artes e Sociologia

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O Baixo Sul da Bahia, onde a Fundação Odebrecht coordena desde 2003 o Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), é marcado pela rica biodiversidade e potencial agrícola, além de carregar em suas raízes uma pluralidade de manifestações culturais.

A valorização da tradição e o orgulho de pertencer ao Baixo Sul são temas que a Casa Familiar Agroflorestal (Cfaf) e Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN) – instituições de ensino médio integradas ao técnico que fazem parte do PDCIS - procuram trabalhar com os alunos, de forma alinhada ao conteúdo de disciplinas como Artes, Sociologia, História e Filosofia. 

Lázaro Rodrigues, assessor pedagógico da Cfaf, explica que as ações correspondem também ao empoderamento do jovem da zona rural. “Toda manifestação cultural está intrinsecamente ligada à identidade do sujeito. Nós dialogamos muito sobre isso, principalmente quando os alunos do 1º ano chegam à escola. Buscamos trazer a questão do reconhecimento do lugar e a importância das diversas expressões de cada comunidade”, explica.

Cultura do Baixo Sul da Bahia é valorizada pelas instituições executoras do programa social da Fundação Odebrecht
Iramar Conceição, aluna da Cfaf: cultura e tradição local preservadas

Localizada no município de Nilo Peçanha, a Cfaf faz questão de inserir manifestações comuns da região na ementa das matérias estudadas. São exemplos o samba de roda, capoeira, culinária típica e o Zambiapunga - símbolo folclórico da cidade reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia (de herança africana, representa as boas energias para receber os espíritos da alegria). “Sabemos que muitas das tradições, se não tiverem a participação da juventude, podem cair no esquecimento. Entendemos a relevância de estimular o laço de pertencimento com a terra”, pontua Rodrigues.

Iramar Conceição, estudante do 3º ano da Cfaf e moradora da comunidade quilombola de Lagoa Santa, em Ituberá (BA), conta que o samba de roda é bastante praticado no entorno. No mês de fevereiro, a jovem sempre se junta a dançarinas na festa de São Brás, realizada para homenagear o padroeiro do local. “Acho importante que isso seja preservado e compartilhado com as novas gerações”, diz a jovem.

Celebração da colheita

Segundo Quionei Araújo, diretor da CFR-PTN, a agricultura é a grande força de Presidente Tancredo Neves, cidade onde está sediada a escola. “Essa é a base cultural e econômica da região. Boa parte da população local vive na zona rural. Por isso, a valorização das atividades do campo é muito marcante”, pontua. 

festejos juninos na CFR-PTN
Na CFR-PTN, os festejos juninos são forma de celebrar a colheita e valorizar o trabalho no campo

Por esta razão, o período junino, quando é festejado o Dia de São João, costuma ser bastante lembrado nesta Casa Familiar, conforme explica Fabiana Barreto, assessora pedagógica da CFR-PTN. “É uma data voltada à produção agrícola e à colheita, principalmente do milho e do amendoim. É um momento de grande valorização para o ofício do agricultor, onde tudo aquilo que vem do campo é exaltado”, explica.

Segundo Fabiana, a escolha da festa como manifestação fortemente trabalhada com os estudantes está relacionada à necessidade de despertar nos jovens a tradição dos costumes locais. “Há toda uma preparação que vai além da festa em si. Semanas antes, os alunos estudam o tema na sala de aula. Eles pesquisam a história dos festejos juninos e, principalmente, como suas comunidades o comemoram: quais as comidas típicas, dança e o folclore da região, por exemplo”.

Aluna do 1º ano da CFR-PTN, Larissa dos Santos já está ansiosa para passar seu primeiro período junino na escola. A jovem conta que essa é uma celebração comum onde mora, na zona rural de Valença (BA). “É um evento muito importante, pois reunimos os moradores e festejamos juntos. Um dos momentos mais tradicionais é a dança da quadrilha, em que várias pessoas participam e buscamos representar o Nordeste por meio das coreografias e das roupas”, conta. 
 

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